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domingo, 20 de outubro de 2024

REACT - Live do Pe. José Eduardo e Jéssyca Jacóbus



No dia 18 de setembro, o Pe. José Eduardo e a influencer Jéssyca Jacóbus realizaram uma live para tratar de problemas da chamada "bolha católica".

Em que pese o atraso em reagirmos a esta live somente agora, entendemos necessário tecer alguns comentários, tendo em vista a grande repercussão que teve e o temas trabalhados, alguns deles já exaustivamente comentados neste blog.

Os "Metainfluencers"

Primeiramente, convém comentarmos sobre a tal "bolha católica". Tem sido uma práxis de páginas como O Catequista, Preta de Rodinhas, Jules Freitag, Garibaldo Cansado, entre outras, o ataque a inimigos etéreos como "os influencers", a "bolha", como se elas fossem um grupo completamente apartado desse universo, isto é, como se não fossem elas próprias influencers criticando outros influencers, mas uma casta elitizada que olha tudo de cima pra baixo e critica a bolha/influencers por "ditarem regras", venderem cursos, etc. Em suma, se vêem notadamente como "metainfluencers".

Tal postura, no entanto, é realmente ridícula. Todas essas páginas, sem exceção, buscam exercer influência na internet/vender curso, não sendo uma casta realmente diversa daqueles que elas criticam. Ademais, essas páginas exacerbam a culpa da bolha/influencers e diminuem a responsabilidade pessoal de cada um por seguir maus conselhos. Quem escuta conselhos ruins deve se responsabilizar pelo que escuta.

É necessário, portanto, ter uma visão ponderada sobre o tema. Não existem "os influencers", como um grupo de malvadões que comandam a internet, tampouco a "bolha católica", como um grupo uníssono de católicos com as mesmas ideias e opiniões. Mesmo entre católicos conservadores existe uma larga diferenciação. Nisto vemos as muitas diferenças entre católicos tradicionais, tradismáticos, obreiros, etc. O que existe, na verdade, são pessoas que trabalham na internet e que dão suas opiniões, boas ou não, podendo pertencer a algum grupo específico de católicos ou não. E existem pessoas que aderem a elas ou não. Tudo normal debaixo do Sol.

No caso da live, a "bolha católica" atacada parece ser, novamente, as mulheres tradicionais. Como alertamos muitas vezes neste blog, há, atualmente, uma onda virulenta de ataques ao catolicismo tradicional. Esse movimento tem sido encabeçado, principalmente, por moças que abraçaram o feminismo católico.

Nota-se, nesse contexto, que Jéssyca Jácobus segue o típico padrão comportamental de uma feminista católica que já reportamos muitas vezes: contestação de padrões de modéstia, do uso do véu, da mulher do lar, etc. Pois, bem. Já sabemos onde isso tudo vai parar. Conhecemos bem o roteiro dessas moças.

Nesta live, em especial, Jéssica busca uma validação do seu feminismo com o Pe. José Eduardo. O padre é bem visto no meio católico conservador, mas, como um sacerdote "tradismático", não é nada tradicional. Em recente polêmica com o Centro Dom Bosco, o sacerdote fez depreciações objetivas ao Catecismo de Trento, conforme demonstramos no artigo "Sobre a polêmica do Catecismo Romano do Centro Dom Bosco". Agora ele se senta com Jéssica para desqualificar a feminilidade tal como difundida nos meios tradicionais.

Pois bem. Não tocaremos em todos os temas da live, mas majoritariamente aqueles que já foram comentados neste blog. Assim, faremos uma análise do que disseram o padre e Jéssica a respeito da (i) paternidade responsável; (ii) parto natural; (iii) modéstia; (iv) uso do véu; e (v) trabalho externo da mulher casada.

Paternidade Responsável

Pe. José Eduardo inicia sua fala (1'34") dizendo, como este blog, que a pandemia foi um verdadeiro divisor de águas entre os católicos. Contudo, diz que, na pandemia, muitas excentricidades entre católicos foram trazidas à luz. Cita como exemplo a posição dos que dizem que o método billings é camisinha católica. Então diz: "Isto aqui é contra a doutrina da Igreja. É contra a doutrina moral católica. Por que? Porque a Igreja Católica ensina a paternidade responsável" (6'14").

É curioso ver como o padre presume bondade/licitude de coisas que não são naturalmente boas ou lícitas. Este modo de pensar, infelizmente, será reproduzido pelo padre diversas vezes na live.

Primeiramente, o padre trata o método billings como sinônimo de paternidade responsável. Esta afirmação, no entanto, é notadamente equivocada. Não se presume a licitude do método billings e nem de qualquer outro método natural sem a existência de motivos graves que autorizem o seu uso. Conforme ensinou o Papa Pio XII em Mensagem às parteiras de Roma em 1951:
"O simples fato de que os cônjuges não firam a natureza do ato e estejam prontos a aceitar e educar os filhos que, apesar de suas precauções, viesse à luz não bastaria, por si só, para garantir a retidão da intenção e a rigorosa moralidade dos próprios motivos.
A razão é que o Matrimônio obriga a um estado de vida que, do mesmo modo que confere direitos, também impõe o cumprimento de uma obra positiva que tem em vista o próprio estado. [...] O indivíduo e a sociedade, o povo e o Estado, a própria Igreja, dependem para sua existência, na ordem estabelecida por Deus, do matrimônio fecundo. Portanto, abraçar o estado matrimonial, usar continuamente da faculdade que lhe é própria e somente nela é lícita, por outro lado, subtrair-se sempre e deliberadamente, sem um grave motivo, ao seu dever primário, seria pecar contra o próprio sentido da vida conjugal. [...] A vontade de evitar habitualmente a fecundidade da união, embora se continue satisfazendo plenamente a sensualidade, não pode derivar senão de uma falsa apreciação da vida e de motivos estranhos às retas normas éticas." (Mensagem às parteiras de Roma, 29 de outubro de 1951)
Em segundo lugar, o padre não menciona que os métodos naturais não são sequer a opção mais perfeita e virtuosa para o espaçamento de filhos. Opção moralmente superior (e, claro, mais difícil) é a continência do casal, isto é, a abstenção completa de relações sexuais enquanto o motivo grave existir.

A continência é superior aos métodos naturais em múltiplos pontos:

1) Quanto à virtude da castidade. A continência consensual presume-se lícita ao casal independente de motivos graves, mesmo que dure a vida inteira (casamento josefino). Já o uso dos métodos naturais não se presume lícito, sendo necessário existir motivos graves.

2) Quanto à virtude da prudência. O casal continente compreende que, se é realmente impossível ter filhos em determinado momento, então a forma 100% segura e responsável de não tê-los é se abstendo de relações sexuais. Já o "casal PFN", isto é, aderente do planejamento familiar natural, pode ser surpreendido com um filho que vem "na hora errada".

3) Quanto à virtude da religião. A continência favorece mais a vida de oração, como ensina São Paulo (1 Co 7,5). Os esposos sempre foram incentivados pela Igreja a abster-se do ato conjugal de tempos em tempos para praticar melhor a virtude da religião, como demonstramos aqui, não havendo maiores dúvidas quanto a este ponto.

Obs: Assim notamos o problema de páginas como a do "Garibaldo Cansado", que gastam tempo debochando de católicos "providencialistas" enquanto fazem a ferrenha defesa dos métodos naturais. Ora, os métodos naturais admitem "margem para Deus trabalhar", pois, como diz o teólogo moral Arthur Vermeersch a respeito deles, "enquanto o uso [do matrimônio] se fizer normalmente, conserva sua direção para o seu fim primário - a geração" (Matrimônio Cristão, p. 60), ou seja, não afastam por completo o "providencialismo". Se um casal PFN tiver filhos num momento difícil, é porque, ulteriormente, fizeram o ato necessário para tê-los.

Uma atitude mais prudente, responsável e coerente, portanto, contra o "providencialismo" seria a adoção da continência completa, não dos métodos naturais. Afinal, o primeiro erradica qualquer possibilidade de providencialismo, o segundo não.

Continuemos.

Em segundo lugar, é simplesmente um fato que muitos casais utilizam os métodos naturais com uma metalidade contraceptiva e falam dele praticamente como um substituto dos contraceptivos. Nesta mentalidade, encontram-se inclusive muitos "teólogos do corpo" famosos como Christopher West, Jason Evert, Greg Popcak, etc., que em seus livros falam do "planejamento familiar natural" (PFN) como um verdadeiro substituto dos contraceptivos, sempre em termos de "eficácia" para não se ter filhos.

Vemos no livro "Se você realmente me amasse" (Jason Evert):
"Contraceptivos não são necessários para o planejar o tamanho familiar. Em Calcutá, o PFN provou ser uma alternativa que funciona efetivamente. O British Medical Journal relatou: Verdadeiramente, um estudo de 19.843 mulheres pobres na Índia (praticando o PFN para evitar a gravidez) obteve uma taxa de gravidez próxima de zero." (p. 225)
Já em "Boas Novas sobre sexo e casamento" (Christopher West), temos:
"[...] Se você considerar apenas o grupo de pessoas que foram educadas adequadamente nos métodos modernos do PFN e que estão motivadas a seguir as regras, a taxa de eficácia aumenta para 99%." (p. 208)

Notemos como Evert e West buscam convencer o leitor a trocar os contraceptivos químicos ou artificiais pelo PFN, porque o último seria tão ou mais "eficaz". Contudo, "se a PFN não é contracepção", então toda essa conversa em termos de "eficácia" é realmente suspeita. Com diz o Pe. Michael Malone no livro "The Case Concerning Catholic Contraception":

"Atualmente, o PFN é apregoado como uma forma lícita de controle de natalidade (seja chamado de “controle de natalidade” ou “regulação de natalidade” ou “conscientização sobre fertilidade”), às custas do ensino sobre a necessidade de “razões sérias” para usá-lo, e sem mencionar a virtude de produzir uma família grande. Quando seus promotores apontam que o PFN é “tão eficaz” quanto várias formas de contracepção “se você seguir as regras”, eles empregam a mesma linguagem e implicam o mesmo tipo de pensamento que vemos naqueles que defendem o uso de contracepção. Quando é proclamado que o PFN é “99% eficaz”, não há outra maneira de entender “eficaz” exceto como “bem-sucedido na prevenção da concepção”. É realmente incorreto chamar isso de “mentalidade contraceptiva”? Se esse rótulo se encaixa em qualquer um, na maioria ou em todos os usuários do PFN é um ponto discutível. Ao discutir o rótulo, negamos o fato de que nós, católicos, compramos o mito cultural atual de que o “planejamento” familiar é melhor do que o “acontecimento” familiar. Em alguns aspectos, debater o PFN é uma questão secundária. O ponto real da conversa — quer usemos o termo “contracepção artificial”, “mentalidade contraceptiva” ou “controle de natalidade” — é este: o controle de natalidade não é, nem nunca foi, um valor católico. Sem confrontar a mentalidade de “controle de natalidade” que está por trás disso, continuamos presos lutando contra os “sintomas” em vez da “causa”. O PFN é apenas uma questão porque o “controle de natalidade” entrou nas discussões sobre o casamento como um valor católico autêntico. O fenômeno “casos extremos fazem lei ruim” está aqui em abundância: o que deveria ser uma situação excepcional se tornou um “modo de vida” — como evidenciado pelo fato de que dioceses e paróquias estão exigindo aulas de PFN para casais que pretendem se casar na Igreja."

Há um notório problema de ênfase dos promotores da PFN. De fato, nos livros de Evert, West, etc., não vemos uma exposição clara dos motivos graves (médicos, eugênicos, econômicos ou sociais) que autorizam o uso dos métodos naturais. Apenas constatamos a comparação com os contraceptivos em termos de eficácia e o incentivo a utilizá-lo como um estilo de vida. Não está errado, portanto, quem enxergue nisso uma profunda mentalidade contraceptiva, apesar do verniz católico.

O controle de natalidade, ao contrário do que querem fazer crer muitos promotores da PFN, não é um estilo de vida, mas uma medida excepcional, como salienta o Pe. George Kelly em seu livro "Manual do Matrimônio Católico":

"O controle de natalidade, portanto, deve ser uma medida excepcional no casamento, nunca a regra." (p. 43)

E Dom Rafael Llano Cifuentes em "Noivado e Casamento":

"A Igreja não propõe nem recomenda o uso dos métodos naturais, simplesmente permite utilizá-los quando existam motivos que justifiquem." (p. 203)

Portanto, não é um erro crasso dizer que o método billings é camisinha católica, já que o uso de nenhum método natural tem sua bondade presumida. Não basta o ato conjugal desimpedido, é necessária a reta intenção. Em outras palavras, bondade do uso do método natural precisa sempre ser demonstrada. A própria Jéssyca, há 1 ano, admitia que o método billings era camisinha católica, como se observa nos seus Destaques de Instagram ainda hoje:


Parto Natural

 Em seguida, Pe. José Eduardo começa a tratar do problema do parto natural em contraposição à cesárea.
"Agora tem a moda do parto natural. Algumas pessoas estão dogmatizando este assunto. Eu entendo que realmente exista uma forçação de barra para empurrar a mulher para a cesárea e que, muitas vezes, é sonegado à mulher o direito de pensar em ter um parto natural. Mas qual é o problema? O problema é que você não está obrigado pela doutrina da Igreja a ter parto natural." (10'49")

Novamente, o padre presume a bondade/licitude de coisas que não são naturalmente lícitas, dando uma falsa sensação de que católicos podem escolher intercambiavelmente entre uma coisa e outra.

É preciso lembrar que o parto por cesárea é, antes de tudo, uma intervenção cirúrgica e, moralmente falando, toda cirurgia deve ser motivada por alguma razão séria, pois se trata de um meio extraordinário para a preservação da própria vida ou saúde.

O católico não está obrigado aos meios extraordinários, mas apenas aos ordinários, como afirma o teólogo Heribert Jone em seu "Moral Teology":

"Para a preservação da vida e da saúde, deve-se empregar pelo menos os meios ordinários." (n. 210)

No contexto do parto, a Teologia Moral Católica assenta que não é lícito o emprego de técnicas que não sejam totalmente inofensivas para a mãe e o bebê. Por isso não se presume lícito o emprego de anestésicos e de cortes na parturiente sem justa causa. Conforme demonstram os estudos, há riscos e perigos no uso de anestésicos.

A respeito, diz o teólogo moral Antonio Peinador Navarro em "Moral Profesional":

"Se o parto for normal, com o consequente desconforto, suportável para toda mãe normal, em princípio deve-se dizer que o uso de analgésicos destinados a reduzir ou suprimir a dor não é lícito, pelos perigos que representa para a mãe e para o feto.

Além disso, todos os especialistas concordam que a dor do parto, que é a pena do pecado, é o grande meio que a natureza utiliza para fortalecer, de forma admirável, os laços afetivos entre mãe e filho. Além dos inconvenientes físicos não desprezíveis que costuma acarretar o uso de remédios artificiais para conseguir um parto sem dor, há esta outra dessensibilização ou desafetação ou desmaternização da parturiente, que nunca se considerará tão envolvida no trabalho da maternidade como quando, durante o clímax dela, é uma parte ativa plenamente consciente.

(...)

Consequentente, nos partos distócicos estão de acordo os teólogos acerca da licitude da anestesia. Enquanto aos partos normais ou eutócicos, dizemos que, em princípio, devemos nos manifestar pela ilicitude do uso de qualquer técnica que não seja totalmente inofensiva para a mãe e para a criança." (p. 329-330)

Notemos que, para um parto cesariano acontecer, é necessário empregar: (i) anestésicos na mulher e (ii) um corte invasivo no abdômen. Nenhum dos dois é completamente inofensivo para ela e para a criança. Por isso, a cesariana só é recomendável para partos distócicos ou com causa médica proporcional.

Assim, não pode ser simplesmente presumida a moralidade do parto cesariano como presumiu o Pe. José Eduardo. O parto normal é biologicamente adequado para a mulher, já a cesárea não é e precisa de causa justa. Não são escolhas intercambiáveis.

Justificar, aliás, uma cesárea não é nada fácil. A Dra. Melania Maria Ramos Amorim, obstetra, por exemplo, indicou nada mais nada menos que 271 razões fictícias e sem respaldo científico que justificam a cesárea

Abaixo segue ainda um quadro da própria obstetra sobre as causas cientificamente provadas que justificam a recomendação da cesárea:


O currículo lates da Dra. Melania pode ser encontrado aqui.


Modéstia

A partir dos 16'00", Pe. José Eduardo e Jéssyca começam a falar de modéstia. Rapidamente, a calça se torna objeto da conversa:

Pe. José Eduardo: "A gente precisa entender que os usos e costumes vão mudando ao longo do tempo. O católico precisa ser modesto dentro da referência cultural que ele tem. Um exemplo. Há oitenta anos atrás, socialmente, era proibido que a mulher usasse calça. Calças eram vestimentas exclusivas de homens. Ao longo do tempo isso foi mudando e as mulheres passaram a usar calça também. Ora, se eu pego uma Carta Pastoral escrita há 80 anos atrás, quando usar calça comprida para mulher era considerado um escândalo, ainda mais quando a mulher viesse à Igreja para comungar, etc., e quero aplicar esse mesmo princípio hoje como vinculante, eu estou cometendo um anacronismo que só vai fazer o católico se tornar exótico, estranho. [...] O jeito de ser mulher, o jeito de ser homem muda. Então, por exemplo, uma mulher há 50, 80 anos atrás, ela não precisava fazer certas coisas que a mulher de hoje precisa fazer. Ela ficava em casa basicamente e a vida dela se desenvolvia ali, ela não pegava transporte público, ela não precisava passar por lugares um pouco inóspitos, havia uma série de diferenças. Então eu não posso pegar aqueles usos e impô-los. Se você quiser usar, querida, usa. Se você quiser pegar a cortina da sua casa, fazer um vestido e sair com ele na rua, direto teu. Não tem problema nenhum. Só não vem impor isso como um mandamento divino para as outras mulheres." (16'29")

Pe. José Eduardo traz uma série de pontos que merecem comentários. Vamos expô-los um por um.

1) É verdade que o católico deve ser modesto dentro da sua referência cultural, mas, hoje, não temos uma. Durante milênios era simplesmente natural cada povo ter uma vestimenta típica e realmente modesta, porém, atualmente, isso não existe mais. Conforme demonstramos no artigo "O Novo Curso de Bernardo Küster e o Catolicismo Tradicional", mediante exposição de trechos palestra do Pe. Luiz Fernando Pasquotto (IBP) sobre a pós-modernidade, os autênticos costumes dos povos foram destruídos pelo liberalismo e substituídos pelo arbítrio individual:

"Ao contrário de um pós-moderno, eu me visto para indicar o que eu sou. Eu não sou o resultado final a partir do que eu escolhi para me vestir.

A moda é uma característica da pós-modernidade. Você que escolha a roupa para ser de um certo jeito. Em outro dia você será de outro jeito, a partir do modelo de roupa que você vestir naquele dia.

Um dos problemas da modéstia, hoje em dia, é que não existe um costume da roupa de cada lugar. Cada um escolhe a roupa que quer. Se a pessoa não tem princípios, é um desastre.

Podem perceber. A gente tem que ficar o tempo inteiro refletindo se a roupa que a gente está usando é razoável ou não. Onde se tinha costume consagrado no lugar, ninguém pensava nisso aí. É aquela roupa e pronto. Não tem erro.

Uma das coisas que facilitou enormemente a imodéstia foi deixar ao critério de cada um como é que se deve vestir. Não estou dizendo que você deve ser totalitarista e impor uma roupa, mas era um costume baseado nas características daquele povo. Ele tinha se dado aquela roupa e ficava de modo estável. A modernidade fez questão de destruir isso daí e agora só tem os destroços." [33'07"]

Conferência "Modernidade, pós-modernidade e a família" - III Jornada de Casais da Capela N. Sra. das Dores, IBP.

Portanto, não existe uma "referência cultural" de modéstia nos dias de hoje. Pe. José Eduardo, sem querer, comete um anacronismo aplicando princípios sociais que não existem mais. Para concordar com o padre seria necessário ceder que as roupas atualmente utilizadas pelas mulheres são modestas, mas este é justamente o ponto que precisa ser provado.

2) Aplicar, hoje, uma Carta Pastoral de 80 anos atrás, quando o uso de calças era escandaloso, não é necessariamente um anacronismo. Provavelmente, ao falar da Carta Pastoral, o padre se referia à "Notificação às mulheres que usam roupas de homens" do Cardeal Siri, escrita em 1960. O padre, todavia, falha em ver que o costume das mulheres usar calças, embora possa não ser mais um escândalo como antes, pode ser um hábito corrompido. Se for este o caso, não há anacronismo em se buscar modelos antigos mais sãos.

Uma moda corrompida é facilmente atestável por qualquer um que conheça os retos princípios da modéstia no vestir. A respeito, vejamos o exemplo de Santo Afonso de Ligório, que em sua Teologia Moral comentou a respeito das mulheres que, por costume, andavam com os seios parcialmente desnudos:

"Digo, porém, 3º que, se desnudamento do peito não fosse tão imoderado, e se em algum lugar vigorasse o costume de as mulheres andarem assim, decerto deveria ser reprovado, mas não condenado completamente como pecado mortal." (Teologia Moral, tomo II, cap. 2, 55) 

Santo Afonso, embora não acusasse com firmeza tal hábito como pecado mortal, reprovava o costume. Se não era pecado grave uma pessoa seguir o costume, era, no entanto, condenável promovê-lo. Nisto vemos que o costume atual não torna automaticamente o costume anterior anacrônico, se este for mais são que aquele.

Dito isso, reflitamos. Uma sociedade que não distingue adequadamente as roupas masculinas das femininas e que substitui trajes modestos por outros mais sensuais, certamente, possui um costume corrompido. Não há problema algum de católicos, neste caso, batalharem contra esse costume para elevar o padrão da modéstia.

Atualmente, a diferença entre a calça masculina e a feminina está unicamente no tipo de modelagem. Calças femininas modelam mais o corpo que as masculinas. Ou seja, o aspecto feminino da calça é medido pela sensualidade.

Este é um gargalo que os defensores da calça feminina simplesmente não conseguem passar. Não conseguem provar que o uso de calças por mulheres é um costume são. Geralmente, para defender-se, adotam o discurso de que basta usar "calças mais folgadas" ou com "um número maior". Contudo, o máximo que conseguem com isso é transformar mulheres femininas em skatistas.

Não seria mais fácil adotarem uma roupa decisivamente feminina e acabar com a confusão?

Por fim, para demonstrar que a aplicação da Notificação do Cardeal Siri nos dias atuais é anacrônica, é necessário provar que os efeitos psicológicos das calças nas mulheres não existem mais. Segundo o Cardeal, as calças causaram nas mulheres três efeitos:

a) Mudança psicológica nas mulheres. Mulheres ao se vestirem como homens são incentivadas a agirem como um ou a competirem com eles, tornando-se menos femininas.

b) Mudanças nas relações com o marido. Mulheres que se vestem causas tendem a ser mais feministas. Como explica Dom Pius Mary Noonan em seu livro "Fig Leaves Are Not Enough":

"De fato, se ela se veste como homem e quer competir com o homem, então o homem principal em sua vida (seu marido) não pode deixar de sentir — mesmo que ele não expresse isso para si mesmo dessa forma — que ele não está fazendo seu trabalho bem o suficiente, e consequentemente isso pode viciar o relacionamento entre os sexos que Deus viu como uma complementaridade e não uma competição. O cardeal Siri chega a dizer que “uma mulher vestindo roupas masculinas sempre mais ou menos indica que ela está reagindo à sua feminilidade como se fosse inferior (à masculinidade) quando na verdade é apenas diversa”. Essa mentalidade insidiosa tem graves efeitos adversos na mulher, mas também no homem. Os homens, por natureza, são feitos para liderar, e então se a esposa de um homem deixa claro que ela quer liderar, o homem, especialmente se ele for menos talentoso que sua esposa, se vê emasculado."

c) Mudanças nas relações com os filhos. Mulheres psicologicamente mudadas pelo uso de roupas masculinas e pela competição com homens são mais propensas a não quererem filhos e não cumprirem seu papel materno de forma adequada. Cardeal Siri, neste ponto, foi realmente profético:

"O que estas mulheres serão capazes de dar a suas crianças, tendo usado calças durante tanto tempo e com sua alta-estima determinada mais por sua competição com os homens do que por seu papel como mulher?

Perguntamo-nos porque, desde que o homem existe – ou melhor, desde que ele se tornou civilizado: por quê tem sido o homem, em todos os tempos e lugares, irresistivelmente levado a fazer a diferenciada divisão entre as funções dos dois sexos? Não temos aqui um testemunho exato para o reconhecimento, por toda a humanidade, de uma verdade e de uma lei acima do homem?

Para resumir, quando uma mulher veste roupas de homem, deve ser considerado um fator, a longo prazo, da desintegração da ordem humana."

Ora, é possível alguém com honestidade intelectual dizer que esses efeitos deletérios da calça na mulher cessaram? Não, não é possível. Eles continuam em pleno vigor. Portanto, não há aplicação anacrônica da Carta Pastoral.

Dom Pius Noonan acrescenta ainda em Figs outras desvantagens das calças quanto à deseducação que promovem quanto à modéstia no vestir e nos movimentos corporais. Algumas etiquetas como não ficar de pernas abertas na presença de um homem ou não ajustar a roupa íntima em público foram paulatinamente perdidos com o advento da calça.

"Amanda, eu entendo e também ouvi de várias mulheres que elas simplesmente não têm noção de como suas roupas e comportamentos afetam os homens. Existem certas posições e ações que são toleráveis ​​em um homem, mas que uma dama deve evitar em público. Por exemplo, embora seja perfeitamente permitido quando estiver sozinha ou com sua irmã deitar no chão, você não deve fazer isso quando houver outras pessoas, especialmente homens, por perto. Nem uma dama estica os braços ou abre as pernas na presença de um homem. Usar um vestido modesto, quase automaticamente e por si só, lhe dará o instinto de evitar essas coisas, mas quando você está usando calças ou mesmo shorts, não é assim. Da mesma forma, você não deve ajustar suas roupas íntimas na presença de outras pessoas ou tocar as partes íntimas do seu corpo. Essas são coisas que todos costumavam aprender, mas aqui e ali agora se nota uma falta de educação nessas questões, mesmo em adultos."

Outra desvantagem da calça é que ela não é um meio efetivo de combater a ideologia de gênero. A respeito, o psicólogo católico Gerard van den Aardweg observou, em seu livro "The Battle for Normality: A Guide for (Silf-) Therapy for Homosexuality", que em culturas que possuem uma clara distinção entre homens e mulheres, a homossexualidade é rara, senão inexistente. O conselho que o psicólogo dá para mulheres que sentem atração pelo mesmo sexo é justamente a adoção de hábitos femininos no vestir:

"Algumas mulheres lésbicas podem fazer bem em emendar sua aversão teimosa a usar um vestido bonito ou outro traje típico de mulher. Use maquiagem, pare de parecer um garoto na adolescência e talvez descubra que então você terá que lutar contra um sentimento emergente de "ser feminina não é nada para mim". Tente consertar uma interpretação possivelmente arraigada do papel do "cara durão" com relação à sua maneira de falar e entonação (ouça a si mesma em uma fita), gesto e andar.

(...) 

Uma vez que ela descubra a conexão com sua rejeição "baseada em princípios" de hábitos "femininos", uma mulher lésbica deve romper com uma aversão a cozinhar, por exemplo, ou talvez a servir seus convidados, ou, em outro caso, a se dedicar aos chamados detalhes "sem importância" do trabalho doméstico, a ser terna e maternal com crianças pequenas, especialmente bebês. (Ao contrário do que é frequentemente sustentado com base espúria em pseudoestudos, algumas mulheres lésbicas são inibidas em seus sentimentos maternos e tratam as crianças como jovens líderes aventureiras, em vez de mães.) Abandonar-se ao “papel” feminino é uma vitória sobre seu ego infantil e, ao mesmo tempo, uma revelação emocional: um começo da experiência da feminilidade." (p.137-138)

Notemos que o psicólogo não indica calças para mulheres lésbicas, mas vestidos. Não há muito o que duvidar aqui: o vestido é o ornato feminino por excelência. Por isso ele é recomendado para qualquer uma que queria resgatar ou iniciar uma experiência de feminilidade.

Uma última desvantagem da calça é que ela não demonstra adequadamente o estado de vida da mulher, conforme ensina o Pe. Chad Ripperger aqui:

"As calças são vistas como uma declaração contra a feminilidade adequada ou uma falta de distinção entre homens e mulheres.

No entanto, é mais perfeito para as mulheres usarem um vestido ou uma saia e, portanto, é mais decoroso.

E com isso quero dizer que se encaixa mais perfeitamente nela como mulher. É mais feminino. Tem uma aparência mais feminina. E, portanto, é mais modesto porque é mais decoroso, se encaixa em quem ela é mais perfeitamente do que as calças.

Calças são vestimentas de um trabalhador, e as mulheres não receberam a tarefa de trabalhar. A única razão pela qual as mulheres têm que trabalhar é por causa de alguma necessidade grave. O trabalho foi dado ao marido e é por isso que ele usa calças na família."

Católicas que criam uma verdadeira batalha pelas calças não estão contribuindo para o resgate da feminilidade na sociedade. Simples assim.

Continuemos.

Em seguida, Jéssyca e Pe. José Eduardo continuam comentando sobre as diferenças do uso da calça antigamente e atualmente:

Jéssyca Jácobus: Quando as mulheres começaram a usar calça, poderia ser uma certa rebelião feminista. Mas hoje não é. Hoje, nenhuma mulher coloca uma calça para parecer um homem ou querer ser como um homem. Assim como, hoje, nenhuma mulher coloca unha vermelha para parecer uma prostituta. A moda muda, a cultura muda. Isso não é "a" verdade. É uma confusão mesmo. Eu já vi gente dizer "Eu não uso unha vermelha. Nossa Senhora não usaria". Minha, então vai se vestir igual Nossa Senhora. Não faz sentido. Tem umas comparações que são bestas, né?

Jéssyca busca abafar a influência feminista no uso de calças hoje dizendo que as mulheres não usam calças atualmente por serem feministas. Engana-se, contudo. As mulheres de hoje são feministas. Extremamente feministas. O feminismo já virou um modo de pensar e de agir das mulheres. O simples fato de não perceberem isso não significa que não sejam influenciadas.

Em seguida, Jéssyca adota um pensamento cartesiano "Penso, logo existo" ou "Se não uso calça para querer ser um homem, então não pareço um". Não precisamos dizer que não basta a intenção de uma mulher em não parecer um homem, é realmente preciso não parecer um. Isso se faz adotanto roupas realmente distintas dos homens, algo que a calça não é.

Pe. José Eduardo: "A pessoa vai se vestir que nem Nossa Senhora de Fátima, com um manto assim no meio da rua. Você está doida, né? Manda para um psiquiatra, porque não tem jeito. [...] Eu não estou dizendo que todo tipo de calça é moralmente correta de ser usada por mulheres e por homens. Tem certo discurso que parece que ele é unilateral. Só a mulher precisa pensar no pudor, os homens não. Todo mundo tem que pensar no pudor, todo mundo. Se uma mulher veste uma calça muito bem feita e costurada, às vezes, é até mais decente que uma saia."

Pe. José Eduardo complementa o comentário de Jéssyca acerca de mulheres que buscam se espelhar em Nossa Senhora na vestimenta debochando e tirando sarro. É um deboche que bate, claro, em um espantalho. Nenhuma mulher que se espelha na modéstia de Nossa Senhora pretende vestir-se como ela em seus dias, mas apenas inspirar-se no seu exemplo.

Neste ponto, convém mencionarmos o livro "Marylike Modesty Handbook of the Purity Crusade of Mary Imaculate" do Pe. Bernard A. Kunkel, fundador da Cruzada Mariana para a modéstia. Na obra, o padre esclarece o que seria ter Nossa Senhora como modelo de modéstia:

"A Cruzada Mariana apresenta Maria como o perfeito modelo de todos os cristãos e baseia-se no Magistério da Igreja, nos Santos, em algumas revelações privadas mas sobretudo nos Papas, que são a Autoridade Suprema na Igreja. Daí o duplo lema: "Tudo o que Maria Santíssima aprova. Tudo o que a Igreja aprova".

[...]

Maria não pede a nenhuma mulher que use os estilos de traje em voga em Seus dias, mas "O que Maria Aprova" para nossos dias. A modéstia não diretamente relacionada com o topo, estilo, ou corte do vestido, mas com a correta cobertura para o corpo."

Portanto, está claro o espantalho que Jéssyca e Pe. José Eduardo criaram. No entanto, ainda que não achemos que as mulheres devam se vestir como Nossa Senhora em sua época, o padre caçoa de mulheres que cobrem a cabeça mesmo na rua. Ora, este hábito é vivido ainda hoje por mulheres muçulmanas, hindus, judias, ortodoxas, cristãs orientais, como se segue nas imagens abaixo:


      

      

O que deve ser feito com elas, Padre? Internar num hospital psiquiátrico?

É muito triste observar que mulheres não-católicas conseguem provar a plena viabilidade dos padrões marianos em nossos dias enquanto católicas ocidentais, ao invés de tentarem recuperar uma cultura sadia para as mulheres, perdem tempo fazendo guerra contra o véu e contra os vestidos.

Parafraseando Nosso Senhor: "Se elas se calarem, as pedras clamarão".

Sigamos com a live.
Jéssyca Jácobus: Pergunta [do chat]: Pode ir de top ou de legging a missa? Gente, é óbvio que não. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Pe. José Eduardo: O bom senso mandou lembrança, tá bom?

Ué? Mas qual a diferença essencial entre uma legging e uma calça jeans? Os mesmos princípios da calça podem ser aplicados para a legging. Se uma mulher adotar uma legging mais folgada ou com um número maior, não atenderia aos padrões de skatista do padre e de Jéssyca? Ambos pedem "bom senso", mas não explicam porque uma pessoa que adota esse modo de pensar deles estaria errada nesta circunstância.

Véu

Sobre o véu, Jéssyca e Pe. José Eduardo comentam o seguinte:

Jéssyca Jácobus: Alguém falou ali [no chat] do véu, padre. Toda vez que eu falo de roupa e que não há uma obrigação do véu, vem alguém vem com um artigo de um inciso do Magistério, não sei o que. O véu é obrigatório?

Pe. José Eduardo: Olha, o véu não é obrigatório. A Igreja não diz isso. A Igreja Católica, atualmente, não diz que existe uma obrigatoriedade do véu. Porém, ela também não proíbe o uso do véu. Isso é matéria de livre adoção. Eu acho bonito mulher que usa véu, acho piedoso. Mas isso é de cada uma. Eu não posso chegar na minha paróquia e dizer "Agora, toda mulher tem que usar véu!".

Jéssyca Jácobus: É que tudo é uma questão de não ser uma prática vazia, né? Que o uso do véu represente realmente o transbordar de uma vida interior profunda, de uma devoção, de uma humildade diante do Senhor e porque eu vou colocar o véu, porque eu sou a patrulha do véu, superior às outras.

Sobre a obrigação do uso do véu, já abordamos o tema no artigo "O uso piedoso do véu não é mais obrigatório?". O padre faz uma ilação canônica indevida.

Já Jéssyca fala um non sense. O uso piedoso do véu independe das condições interiores da mulher. Tanto que é uma obrigação. Portanto, não importa se a mulher é orgulhosa ou não, o véu deve ser utilizado em respeito ao templo sagrado, a Jesus Sacramentado e ao marido. São realidades objetivas que transcendem o autocentrismo feminino.

Continuemos.

Pe. José Eduardo: E depois você vê, né? Nas igrejas protestantes isso virou até caricaturesco. Nas igrejas pentecostais tipo reteté, aquelas mulheres com véu, aquela coisa toda horrorosa. Então é preciso tomar cuidado. Mesmo as mulheres antigas quando usavam véu ele não era sempre o mesmo tipo, variava de cor. Via-se coisas muito delicadas, que não eram tão chamativas assim.

Pe. José Eduardo parece simplesmente não fazer ideia do contexto histórico do véu. Está literalmente chutando. O modo como o véu é usado não é arbitrário, mas segue o costume de cada país. Como observa a autora católica Anna Elissa no livro "Mantilla: the Veil of the Bride of Christ":

"Na Coreia do Sul, as mulheres geralmente usam apenas mantilhas brancas, independentemente de serem solteiras ou casadas. Em outros países, muitas mulheres ainda seguem fielmente a regra tradicional de cor, como mencionado antes. Mas muitas também ajustam as cores de seus véus de acordo com o calendário litúrgico: branco ou outras cores brilhantes durante todo o ano, exceto durante o Advento e a Quaresma, quando véus pretos ou outros véus escuros são usados."

Então o que o padre está reclamando é de um não-problema. Não há problema dos véus serem iguais, se este for o costume local. Também não há problema deles serem diferentes, se esse for o hábito.

É curioso observar como padre emprega discursos diferentes em relação à calça e ao véu. Para a calça, ele adota o argumento da rendição ao costume local. Para o véu, ele pede o individualismo extremo.


Trabalho Externo da Mulher

Por fim, Pe. José Eduardo e Jéssyca passam a tratar do trabalho externo da mulher.
Pe. José Eduardo: Há um tema que atravessa toda essa discussão que é o tema da mulher que se formou para ter uma profissão. E existe como que uma condenação àquelas que se ocupam com sua profissão. Elas têm que ser obrigatoriamente do lar. E o que acontece? Por exemplo, a minha mãe foi formada para ser do lar. Então ela é uma cozinheira fantástica, ela sabe fazer tudo, ela é uma profissional do lar. Só que nem todas as mulheres têm a mesma formação e capacidade. Eu conheço mulheres que sabem lavar, passar, cozinhar, administrar uma casa, só que elas não dão conta de fazer tudo sozinhas. Eu não posso dizer que ela é pior porque ela não é uma dona de casa tão eficiente como foi sua mãe e sua avó. Então, esses dias eu estava conversando com uma mulher que é médica, que tem filho e que deixou a medicina para cuidar do filho. Ela ficou profundamente deprimida. Ela não foi formada para estar o tempo todo dentro de casa. Eu falei pra ela: "Por que você não atende algumas consultas? Não precisa você zerar. De repente, você consegue fazer uma ocupação, dois dias da semana, diminui um pouco". Parece que eu acendi um Sol na cabeça dela. Ela estava se culpando, porque achava que não [podia]. Achava que tinha que ficar trancada dentro de casa. E não é assim. Às vezes, ela pode ter ajuda de uma diarista, de uma babá, de alguém que esteja ali dando suporte.

Jéssyca Jácobus: Eu acho que vem de novo daquela história dos extremos. Por exemplo, eu não aprendi a fritar um ovo, padre. Quando eu casei, a gente comprou a máquina de lavar roupa. Eu tive que ler o manual, porque eu nunca tinha lavado roupa na vida. Eu era filha única e minha mãe me criou dentro daquele discurso "A minha filha não precisa fazer nada. Minha filha vai estudar, vai ser uma grande profissional. Ela não precisa aprender nada, vai ter uma empregada" Só que assim, me faltou aprender a ser dona de casa também, entende? E agora parece que, tá, eu não aprendi a ser dona de casa, mas uma grande profissional, e que agora eu tenho que largar toda a profissão e só ser dona de casa. É a coisa dos extremos, do 8 ou 80. É algo que tem se pregado muito. Direto eu recebo de mulheres... Claro, com a questão da abertura para a vida, de fato, mulheres que vão tendo mais filhos acabam tendo que se dedicar mais à casa e aos filhos, à educação. Às vezes, é difícil manter uma profissão, né? [...] Mas não é também obrigatório abandonar a profissão, até porque muitas de nós dedicaram a vida inteira a construir essa profissão, a aprender. É realmente uma questão de equilíbrio. 

O que observamos logo de cara é que Jéssyca foi vítima do pensamento feminista automatizado da mãe. Como expusemos neste artigo, as mulheres atuais já pensam e agem como feministas mesmo achando que não são. A mãe de Jéssyca a privou de diversas experiências de feminilidade importantes, como a arte de cozinhar, o asseio da casa, etc., para que ela tivesse uma carreira, isto é, uma vida de homem.

Jéssyca, portanto, é a maior prova de que o Cardeal Siri tinha razão. Mulheres criadas para serem homens, tanto nos hábitos quanto na aparência, prejudicam suas relações com os filhos.

A médica citada pelo padre também teve os mesmos problemas de educação feminista que Jéssyca. Ela não aprendeu a ser mulher e, quando teve filho, deprimiu.

Não está óbvio o problema?

O carreirismo não é um desenvolvimento normal da feminilidade.

Para que Jéssyca fosse preparada para uma carreira de sucesso, ela precisou ser privada, durante uma vida inteira, de experiências valiosas de feminilidade. É exatamente isso que o carreirismo faz: tira toda a feminilidade da mulher.

Porém, Pe. José Eduardo e Jéssyca buscam contornar com todas as forças essa verdade com o discurso do "equilíbrio".

Jéssyca, ao invés de ver a verdade de que o estilo de vida da mulher moderna é extremamente desordenado, prefere acreditar que o tempo empregado para se ter uma carreira é razão suficiente para não abandoná-la depois do matrimônio, ou seja, retroalimentando o problema.

É o ápice da cegueira intelectual. É o hamster da racionalização.

Pe. José Eduardo ainda endossa essa solução.

Aqui vemos a diferença do Pe. José Eduardo para padres com melhor formação, como o Pe. Chad Ripperger. Enquanto Pe. José Eduardo faz média com o feminismo de Jéssyca, uma moça que talvez não tenha tanta consciência da origem dos próprios pensamentos, o sacerdote americano é cirúrgico no diagnóstico do problema aqui:

"Se você olhar para o movimento feminista, tudo o que ele é, é a maldição de Eva com anabolizantes.

A maldição de Eva é essencialmente esta: quando Eva comeu o fruto, ela saiu de baixo da estrutura de autoridade de Deus e Adão e quis autossuficiência.

O movimento feminista não ganhou muita força neste país até a Segunda Guerra Mundial. As mulheres entraram na força de trabalho e ganharam um certo tipo de independência financeira e gostaram. Foi a chamada de "A Maior Geração". Essas mulheres que ensinaram suas filhas, as Boomers, que você deve ter sua própria carreira e que não deve ser tão dependente do seu marido, etc., falhando em perceber que uma esposa tem o direito de ser sustentada por seu marido. Não é tanto uma questão de dependência, mas de direito. E a razão pela qual ela tem esse direito é por causa de seus deveres domésticos e da obrigação dela de cuidar dos filhos. Isso foi completamente perdido. O marido realmente tem o direito de que a esposa fique em casa e cuide dos deveres domésticos e dos filhos."

Pe. Chad Ripperger posiciona a questão de forma correta. Depois de casada, a mulher não tem direito a uma "carreira", mas ao sustento do marido. O marido, por sustentar esposa e filhos, tem direito que ela seja permaneça do lar. Por isso o Catecismo de Trento, tão depreciado pelo Pe. José Eduardo, ensina que a mulher não deve sair de casa sem a permissão do marido. Não porque o Catecismo quisesse impor um estilo de vida "muçulmano" à mulher, como alegou certa vez o padre, mas porque a natureza do matrimônio pede essa divisão de tarefas e de direitos.

O problema de mulheres depressivas cuidando de filhos não é tanto sentirem falta de uma outra vocação além de serem mães, mas, sim, porque são educadas numa cultura que odeia a feminilidade e sabota de todos os jeitos as mulheres de serem mulheres.

Conclusão

Do exposto, esperar-se ter ficado claro os erros do Pe. José Eduardo e de Jéssyca na live. Jéssyca parece ser uma moça que  encontrou a verdade de vários assuntos que comentamos, mas agora, como boa influencer, está decidida em reconciliar-se com seu passado feminista. Já o Pe. José Eduardo se presta ao papel de lacrar com o feminismo de Jéssyca fazendo falsas equivalências que chegam a doer.

Infelizmente, o vídeo teve grande repercussão entre as moças. Como fazemos um combate incisivo ao feminismo católico, esperamos que este breve artigo possa, de algum modo, compensar o mal feito.

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Por que a católica moderna odeia o véu?

 

No último dia 15.08.2024, a colunista católica Jules Freitag, de quem já tratamos brevemente aqui, publicou novos stories divulgando um desabafo de uma seguidora sua a respeito do véu:



A seguidora de Jules alega que sente vontade de frequentar a Missa Tridentina, mas que não suporta a "radtradice" de uma ver cartaz na entrada da Igreja sobre como os fiéis devem se vestir e o oferecimento de véu para as moças usarem.

Jules então complementa: "A Igreja Católica não obriga ninguém a usar véu. A Igreja Católica não obriga ninguém a usar saia midi. Sabem onde é que existe a obrigação de usar véu e usar saia abaixo de joelho? Na Contregação Cristã do Brasil. Repitam comigo: ser católico não é fazer cosplay da Congregação Cristã do Brasil."

Primeiramente, lidemos com o desabafo de sua seguidora, depois com Jules.

"Vaidade das vaidades"

Quantas toneladas de vaidade uma mulher precisa ter para deixar de receber os benefícios espirituais da Missa Tridentina, simplesmente porque não quer usar véu por 1 horinha, uma prática, no mínimo, prescrita pelas Sagradas Escrituras, ordenada pelos Papas e assumida por todas as católicas do mundo por 2 mil anos até a década de 70?

Por que para essas moças se adequar ao costume local por 1h é quase a morte? Se fosse um costume contrário à lei da Igreja ou mau, poderia-se entender. Mas trata-se de um costume imemorial e saudável para a dignidade da liturgia. A ojeriza a se adequar a ele por breves minutos revela a completa falta de humildade e o espírito de insubordinação dessas moças.

A moça ainda acha um absurdo um padre colocar um dress code em sua igreja. Ora, mas dress code é solicitado inclusive pelas autoridades civis em repartições públicas como indicamos aqui. Por que então a moça se revolta quando um padre, que detém maior autoridade que os poderes civis, estipula parâmetros de modéstia para entrar no templo?

Jules e sua batalha contra o véu

Jules complementa o comentário da seguidora com falsidades. Alega primeiramente que a Igreja não exige o uso do véu. Contudo, demonstramos no artigo "O uso piedoso do véu não é mais obrigatório" que esta afirmação é falsa.

Todavia, ainda que não fosse mais obrigatório, o uso do véu teria força vinculante nos lugares onde ele é costumeiramente utilizado, pois, segundo o cân. 28 do Código de Direito Canônico:
Cân. 28 — Salvo o disposto no cân. 5, o costume quer contra a lei quer para além dela, revoga-se por costume contrário ou por lei; porém, a não ser que deles faça menção expressa, a lei não revoga os costumes centenários ou imemoriais, nem a lei universal os costumes particulares.

Com efeito, ainda que o uso obrigatório do véu fosse contra legem (contra a lei da Igreja), como não houve sua expressa revogação ou publicada nova norma tornando-o opcional e sendo ele um costume imemorial e centenário, o seu uso continua vigente e vinculante nos lugares em que é costumeiro.

Portanto, prova-se mais uma vez que, ainda que o uso do véu não fosse obrigatório na maioria das paróquias, ele o seria em ambientes que costumeiramente se guarda essa disciplina.

Pergunta-se, ademais: Seria pecado não usar véu nesses ambientes?

A resposta é depende. Se uma moça não cobre os cabelos por puro desaviso, não peca. Contudo, se rejeita cobri-los por desprezo ao costume local ou para espalhar uma moda contrária, peca. Neste sentido, ensina Antonio Royo Marín a respeito de vícios contra a modéstia no vestir:

"Vícios opostos. Embora contra esta, como contra as demais virtudes, seja possível pecar por excesso ou por falta, há muitas maneiras de incorrer em um ou outro extremo. Eis aqui as principais desordens que Santo Tomás aponta em um artigo escrito há sete séculos, e que é hoje de palpitante atualidade (II-II, 169, 1).

1ª Quando no modo de vestir se contrariam os salutares costumes de um povo. E cita as seguintes palavras de Santo Agostinho: "Uma convenção estabelecida em uma cidade ou em um povoado, seja pelo uso ou pela lei, não pode ser pisoteada pelo capricho de um cidadão ou de um estrangeiro." Meditem-no as autoridades encarregadas de velar pela moralidade pública diante da invasão desavergonhada de tantos "turistas" estrangeiros." (Teologia Moral para Leigos, n. 512.2)

Jules, por fim, diz: "Sabem onde é que existe a obrigação de usar véu e usar saia abaixo de joelho? Na Contregação Cristã do Brasil. Repitam comigo: ser católico não é fazer cosplay da Congregação Cristã do Brasil."

Corrijamos Jules. A obrigação de usar véu foi originalmente ordenada por São Paulo, um católico. Depois reiterada por São Lino Papa, um católico. Após ensinada pelos Santos Padres e os Escolásticos, todos católicos. Por fim, o Papa Bento XV, um católico, prescreveu o uso do véu no CDC 1917. Portanto, o uso bimilenar do véu prova que ele nunca será uma imitação ou um "cosplay" da Congregação Cristã, fundada apenas no século XX. O deboche de Jules é uma depreciação objetiva e mentirosa de um costume totalmente católico.

Jules também erra sobre os vestidos que cobrem o joelho. Entende ela que só existe a obrigação de cobri-lo na Congregação Cristã do Brasil. Não, Senhora. A Igreja também prescreve a mesmíssima coisa.

Papa Pio XI em 1930:
“Recordamos que um vestido não pode chamar-se decente se tem um decote maior que dois dedos abaixo da concavidade do colo, se não cobre os braços pelo menos até o cotovelo, e escassamente alcança um pouco abaixo do joelho. Ademais, os vestidos de material transparente são inapropriados.” (12 de janeiro de 1930)

Museu do Vaticano:

"Homens: calças pelo menos na altura do joelho. No verão é possível usar calças curtas mas os joelhos devem estar cobertos.

Mulheres: é proibido aparecer com as mangas descobertas. No verão a solução pode ser trazer um cardigan ou uma ombreira para usar dentro dos Museus. Calças ou saias devem cobrir até o joelho. É absolutamente proibido usar top que deixe a barriga aberta"

Código de Vestimenta da Basílica de São Pedro:

Código de vestimenta para a missa
Durante a missa na Basílica de São Pedro, homens e mulheres são obrigados a cobrir seus joelhos e ombros. Os homens podem usar calças e camisas, enquanto as mulheres podem usar saias longas ou vestidos, devendo ambos cobrir os joelhos. As mulheres podem usar chapéus para a missa, entretanto, os homens devem tirar os chapéus antes de entrar na Igreja.

A Basílica de São Pedro inclusive já adotou cartazes ilustrativos sobre como as pessoas devem se vestir:

Notemos que essas orientações são dadas não por causa de algum costume local, mas porque os espaços são sagrados e merecem respeito.

Basta. O exposto é suficiente para demonstrar o ridículo que Jules e de sua seguidora estão passando. Essas moças estão chamando a Igreja Católica de cosplay de CCB, isto é, de seita herética, por causa de hábitos e costumes perfeitamente normais em um católico.

O fato de estarem agindo assim só indica o quão apartadas estão de amizades e comunidades eclesiais minimamente saudáveis e conectadas com a Tradição perene da Igreja.

As causas do ódio ao véu

Já expusemos devidamente o erro de Jules e de sua seguidora. Mas a pergunta que nos sobra é: por que a católica moderna é tão avessa ao uso do véu?

Consideramos algumas causas prováveis do fenômeno. Ei-las:

1. Feminismo. A mentalidade igualitária do feminismo que hoje sufoca o mundo não deixou ilesa as católicas, mesmo as que se dizem conservadoras. Conforme temos exposto neste blog, são inúmeras as católicas conservadoras que demonstram ter uma mentalidade tipicamente feminista sobre as coisas. O uso do véu lembra a católica que o mundo não é igualitário e o mero símbolo que o véu traz de uma autoridade acima da cabeça da mulher a incomoda profundamente, pois a principal característica da mulher moderna é a insubordinação e a falta de docilidade. Mulheres, ademais, são ensinadas desde criança a serem iguais aos homens em tudo, isto é, no modo de vida e na maneira de vestir. A simples sugestão de que devem se vestir diferente é, para elas, altamente ofensiva. O que explica a seguidora de Jules se ofender com o simples oferecimento do véu. Católicas feministas um pouco mais formadas podem até aceitar as razões do uso do véu, mas nunca usarão. Impera em suas mentes o princípio "a mulher deve se vestir como ela quiser".

2. Liberalismo. A ideia de que o homem é liberto de normas e de Deus inundou a mente das católicas. Ainda que elas não rejeitem Deus e a Igreja, muitas terão um liberalismo mitigado expresso com uma profunda desconfiança das regras, dos padrões e dos princípios. Chamarão tais coisas de "rigorismos" e "moralismos" excessivos, mas nunca apresentarão os critérios que consideram normais e corretos. Muitas chegam ao cúmulo da contradição, que só poderíamos representar por meio da seguinte sátira:

23h59: Modéstia é se conformar com o costume local. Por isso é válido usar biquíni na praia e legging na academia.

00h00: Não vou usar "paninho" na cabeça. Não sou obrigada. Dane-se a Missa Tridentina, dane-se o costume.

3. Vaidade. O uso do véu transporta para a mulher uma aparência de pureza e, principalmente, de inocência. A mulher moderna repudia a inocência feminina, pois aprecia a rudez masculina. Ela precisa ser a "mulher forte", a mulher "sabe tudo". Num mundo feminista, a inocência, neste caso, é uma fraqueza, uma humilhação. Portanto, para uma católica moderna, é melhor nunca ver um rito venerável como a Missa Tridentina do que passar a impressão de que é frágil.

4. Moda. Muitas católicas rejeitam o véu porque o consideram, assim como Jules, "brega", "cafona", "fora de moda", coisa da Congregação Cristã. Possuem medo de parecerem ridículas. Assim, rejeitam o véu por acharem que ficarão bregas ou porque sua beleza ficará escondida dos outros. Devemos, no entanto dizer, que tudo isso é pura vaidade. Não lhes passa pela cabeça que cobrir a cabeça nunca foi uma questão de moda, mas de respeito para com o marido e de devoção para com Nosso Senhor. E que é perfeitamente louvável usarmos alguma roupa que desgostamos, se o fizermos por penitência ou por reverência a Deus, como ensina Santo Tomás:

"Não peca sempre quem usa de roupas mais vis que a dos demais. Assim, se o fizer por jactância ou soberba, julgando–se superior aos outros, cai no vicio da superstição. Se, porém, proceder desse modo para mortificar a carne ou por espírito de humildade, praticará a virtude da temperança. Por onde, diz Agostinho: Quem usa das coisas mais estritamente que o permitem os costumes daqueles com quem convive, ou é temperante ou e supersticioso. – Mas sobretudo cabe usar de roupas mais vis aqueles que exortam os outros, pela palavra e pelo exemplo, à penitência. Por isso, uma Glosa ao Evangelho diz: Quem prega a penitência traga um hábito de penitente." (S. Th. II-II, q. 169, a.1, ad 2)

Portanto, uma mulher que acha brega o véu, mas o usa por reverência a Nosso Senhor, pratica verdadeiramente a humildade e têm muito mérito perante Deus.

5. Consciência laxa. Por ser filha do liberalismo, a mulher moderna tende a ser laxa nos hábitos. Quando já se está acostumada a vestir biquínis ou leggings para mostrar o corpo, tirar fotos na academia e mostrar no Instagram, esconder a si mesma num véu é quase uma repreensão. De fato, o uso do véu é muito duro para quem tem consciência laxa, principalmente acerca da modéstia.

6. Igualitarismo no Novus Ordo. Nas paróquias do Rito de Paulo VI, exceto a celebração da Eucaristia e a pregação do Sermão, nenhuma outra função é exclusiva de homens ou de mulheres conforme a conveniência de cada sexo. Todos fazem tudo. É muito mais difícil demonstrar que mulheres não são iguais a homens, porque, de certa forma, o rito imita o modo de vida da mulher moderna. No Rito Tradicional, ao contrário, meninos servem o altar e mulheres usam o véu. Não há espaço para ideologia de gênero.

7. Paróquias ruins. Quase nenhuma paróquia hoje em dia ensina sobre a importância das devoções tradicionais da Igreja. Talvez, a devoção mais negligenciada na formação paroquial seja a do véu. Moças que nunca tiveram o exemplo de suas paróquias têm imensas dificuldades de acolher o uso do véu. Muitas delas se sentem envergonhadas de usarem o véu sozinhas. Contudo, é preciso dizer que se não começarem o bem nunca será feito. Os tempos modernos, infelizmente, requerem de nós um espírito audaz e sacrificial até mesmo para fazer o bem.

8. Animosidade desordenada contra grupos tradicionais. Há moças que não usam véu por animosidade descontrolada contra grupos tradicionais. Tais moças odeiam tradicionalistas a tal ponto que não suportam sequer a ideia de se assemelharem a uma mulher vinculada a eles. Não são capazes de fazer a distinção de que o véu é um patrimônio católico, não desde grupo ou daquele. Ademais, a incapacidade de ver inclusive as virtudes dos seus desafetos as impedem de olhar a importância do uso do véu com a devida racionalidade.

Remédios

Para todos os problemas citados acima o remédio é o uso do véu e o estudo da sua devoção. Não nada mais poderoso contra o feminismo e a vaidade do que o véu. Nada mais eficaz contra a laxidão, o liberalismo, a animosidade desordenada contra tradicionais do que o uso e o estudo do véu.

O estudo do véu releva as verdades sobre o matrimônio, sobre a ordem da criação, a nossa devoção para com Deus e sobre a virtude da temperança.

Uma católica de boa consciência nunca irá depreciar o véu piedoso ou tratá-lo como algo não católico. Rezemos para que as moças que assim agem compreendam o mal que dizem e fazem e se juntem a nós pela restauração dessa salutar e poderosa devoção.

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

O Deboche como Arma do Feminismo Católico


Neste blog tratamos amplamente de posições feministas que têm ganhado eco entre conservadores católicos em alguns artigos. Lidamos com:

Objeções feministas à submissão da mulher ao marido:


Objeções feministas à modéstia no vestir:




Objeções feministas à doutrina do trabalho da mulher casada:


Um tema, porém, ainda não abordado por nós, é o uso do escárnio/deboche como método feminista de destruição de adversários. O deboche, a chacota, o escárnio é ínsito no comportamento feminista como veremos mais a frente. Infelizmente, talvez inconscientemente, moças católicas tendentes ao feminismo têm adotado o mesmo tipo de conduta.

Para entendermos como funciona o deboche como método precisamos compreender primeiro o que é o feminismo.

O feminismo, como dissemos no artigo "O que significa a "submissão mútua" de São João Paulo II", é essencialmente um pecado contra a fidelidade matrimonial, contra a autoridade do marido sobre a esposa. 

Feministas por negarem em seus corações que quem inventou o patriarcado foi o próprio Deus, pois este constituiu Adão como chefe da humanidade e os sacerdotes como governadores da Igreja, utilizam diversos mecanismos para minar a autoridade do homem e controlá-lo, entre os quais um deles é o escárnio.

O deboche, também chamado derrisão, tem por fim suscitar a vergonha do próximo, como ensina o Doutor Angélico:
"Como já dissemos, os pecados por palavras devem ser considerados, sobretudo relativamente à intenção de quem as profere. Por onde, esses pecados se distinguem pelas diversas intenções que tem quem fala contra outrem. Ora, quem profere um convício visa deprimir a honra daquele contra quem o irroga; se detrai visa depreciar-lhe o bom nome; e se sussurra, destruir-­lhe a amizade. Assim também, fazendo derrisão, visa fazer enrubescer aquele que é objeto dela. E sendo este fim distinto dos outros, também o pecado de derrisão distingue-se dos já referidos." (S. Th. II-II, q.75, a.1, sol.)
O escárnio, portanto, é um ataque à autoestima do próximo. Homens e mulheres atacam a autoestima uns dos outros de modos diferentes. Homens quando querem tirar a autoestima das mulheres eles batem, se tornam grosseiros, violentos e traidores. Mulheres quando querem tirar a autoestima dos homens  debocham. A esposa ideal nunca usa o deboche para diminuir ninguém. Mas como a feminista é o arquétipo da anti-esposa, então ela, casada ou não, sempre será rixosa, reclamona e, principalmente, debochada.

A mulher católica nunca é debochada. Se a violência dos homens é o oposto da proteção que deveriam oferecer, o deboche da mulher é o oposto da brandura e docilidade que deveria apresentar, pois a mulher católica é caracterizada, principalmente, pela sua personalidade amável, como ensinava o imortal Pio XII:
A esposa é o sol da família com a clareza de seu olhar e a chama de sua palavra; olhar e palavra que penetram suave mente na alma, a vencem e enternecem, acalmam o tumulto das paixões, e levam ao homem a alegria do bem-estar e da conversação familiar, depois de uma longa jornada de contínuo e às vezes penoso trabalho, no escritório ou no campo, ou de imperiosos negócios no comércio ou na indústria. Seus olhos e sua boca lançam uma luz e um acento, que num raio têm mil fulgores e num som mil afetos. São raios e sons que brotam do coração de mãe, criam e vivificam o paraiso da infância e irradiam sempre bondade e suavidade, ainda quando advertem ou repreendem, pois as almas juvenis, que sentem com mais força, recolhem com maior intimidade e profundidade os ditames do amor.

A esposa é o sol da família com sua cândida natureza, sua digna simplicidade e seu cristão e honesto decoro, tanto no recolhimento e na retidão do espírito, como na sutil harmonia da atitude e vestimenta, no adorno e na postura, a um só tempo reservada e afetuosa. Sentimentos tênues, a dos traços do rosto, ingênuos silêncios e sorrisos, um condescendente movimento de cabeça, dão-lhe a graça de uma flor requintada e, no entanto, simples, que abre a corola para receber e espelhar as cores do sol. Oh! Se soubésseis que profundos sentimentos de afeto e gratidão suscita e imprime no coração do pai de família e dos filhos essa imagem de esposa e mãe! O anjos, que velam sobre as casas e ouvem as orações dela, impregnai de perfumes celestiais aquele lar de felicidade cristä!

Mas, que sucede quando a família está privada desse sol? Que sucede quando a esposa, continuamente e em cada circunstância, mesmo nas relações mais íntimas, não hesita em demonstrar quanto lhe pesa a vida conjugal? Onde está sua amorosa doçura, quando uma dureza excessiva na educação, uma suscetibilidade mal domada e uma frieza irada no olhar e nas palavras, sufocam nos filhos a alegria e o feliz consolo que teriam de encontrar na mãe; quando ela se limita a perturbar com tristeza e amargurar com voz áspera, com lamentos e repreensões, a confiada convivência no ambiente familiar? (Discurso do Papa aos Recém Casados – A Esposa e Mãe – Sol do Lar Doméstico, 11 de Março de 1942)
O Pe. Mathias de Bremscheid em "A Donzela Cristã" também ensina o mesmo:
"Se o caráter possuir apenas inflexibilidade e firmeza, degenera em capricho e rigidez, e tornar-se-á desagradável e repulsivo. À firmeza cumpre aliar a brandura e mansidão.

Sê firme e inflexível no tocante aos princípios essenciais, e inabalavelmente fiel ao cumprimento consciencioso dos deveres; contudo, evita toda aspereza no trato com teus semelhantes e mostra-te afável e branda com todos.

...Assim deve ser a jovem virtuosa: firme nos princípios, tenaz e enérgica nas atitudes, avessa à insensibilidade e grosseira; compassiva e amável; indulgente e atenciosa; e assim, sua vida esparzirá felicidade, alegria, prosperidade e bênçãos.

Se quiseres adquirir esta doçura de caráter, impõe-te seriamente o esforço de combater, com energia, a tua natureza arrebatada e a tua propensão para a cólera. Habitua-se a falar e tratar com todos pacificamente e com brandura.

O Divino Salvador elogia a mansidão, dizendo: “Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a terra”. (Mt., 5,4)

... Não te obstines na tua opinião, nem tomes facilmente resolução irrevogável em coisas secundárias, se não estiveres seguramente convencida diante de Deus, de que isso em quaisquer circunstâncias constitui um dever imutável.

Nas pequenas contrariedades e dissabores, não te exaltes intimamente, nem profiras palavras de enfado; domina-te, corajosamente e não permitas que se altere o teu humor. Se aprenderes desde cedo a aliar doçura e indulgência, à firmeza e energia, evitarás, muitos contratempos e situações dolorosas..."
As Sagradas Escrituras também reprovam a mulher irascível, rixosa e destemperada:
"Melhor é habitar no deserto do que com uma mulher impertinente e intrigante" (Pr 21,19)

"É melhor habitar um canto do terraço do que viver com uma mulher impertinente." (Pr 25,24)

"Goteira que cai de contínuo em dia de chuva e mulher litigiosa, tudo é a mesma coisa. Querer retê-la é reter o vento, ou pegar azeite com a mão. (Pr 27,15-16)

No livro "O Poder Oculto da Amabilidade", o Pe. Lawrence Lovasik afirma que a união íntima com Nosso Senhor faz desaparecer do cristão o hábito do deboche:

"A amabilidade é nossa imitação da Divina Providência. A amabilidade, para ser perfeita e duradoura, deve ser uma imitação consciente de Deus. Se você estiver sinceramente conformando-se à imagem de Jesus Cristo, a aspereza, a amargura e o sarcasmo desaparecem. A própria tentativa de ser como Jesus já é uma fonte de doçura dentro de você, fluindo com uma graça fácil sobre todos que estão ao seu alcance."

 O mesmo é repetido pelo Pe. William Faber na obra "A Bondade":

"O conhecimento crescente do pouco que valemos, proporcionado pela união crescente com Deus sob o impulso da graça, torna-nos compreensivos com os outros. A aspereza, a amargura, a ironia mordaz, a meticulosa observação dos outros, a procura de motivos para menosprezar os outros - tudo isso desaparece quando alguém, seriamente, se conforma com a imagem de Jesus Cristo."

O exposto permite-nos dizer que a atitude debochada ou escarniciosa não deve ser um comportamento entre cristãos. A ironia, é claro, trata-se de um recurso retórico que pode evidenciar melhor o absurdo, mas o sarcasmo ou a ironia mordaz para humilhar, diminuir o próximo é um pecado mortal e não pode ser tolerado.

O deboche do feminismo católico

O feminismo, como dissemos, vive de escárnio. E o feminismo católico não é diferente. Ele é escarnecedor, rixoso e debochado. Nos debates, principalmente sobre modéstia, é comum ouvirmos comentários feministas debochados sobre mulheres tradicionais. Como dissemos no artigo "Conservadores católicos se rendem à imodéstia" é ínsito do feminismo católico o combate e a desconstrução da modéstia do vestir, visto que feministas, como boas liberais, valorizam acima de tudo a liberdade e a autonomia de padrões e regras no modo de vestir.

Nesse sentido, citamos, mais uma vez, o Pe. Bremscheid para ilustrar o ponto:

Não há muitas pessoas que condenam um padrão definido de modéstia no vestir?

Naturalmente, assim como um homem de negócios desleal condena uma lei honesta. Uma sociedade que destruiu os padrões tradicionais de modéstia no vestir, com dificuldade tomaria esforços para reimplantá-los, Mesmo católicos liberais se opõem a padrões específicos de modéstia no vestir. Isto em conseqüência de que o Liberalismo procura uma falsa liberdade em relação às leis, as regras, às regulamentações e a todo tipo de restrições.

Entretanto, queiram as pessoas admitir ou não, todas as suas vidas são reguladas por padrões de uma forma ou outra. Ha padrões para sapatos, padrões para pesos. Temos cores padronizadas e tamanhos, padrões de qualidade e mesmo padrões de tempo que nos são impostos pelo sol. Temos padrões de maneiras e de modos de agir que nos influenciam até mesmo nos minimos detalhes.

A cada passo somos confrontados com padrões. As pessoas aceitam isso sem questionarem, até o ponto, por vezes, de chegarem à escravidão e ao absurdo.

Porventura somente a virtude da modéstia deveria ser privada de ser regulada e protegida por padrões? Se estamos prontos para aceitar o que quer que as autoridades seculares nos imponham, muito mais devemos nós, católicos, estar prontos para aceitar "o que quer que Maria Imaculada aprove", o que é nosso lema da Cruzada.

A seguir mostraremos uma sequência de deboches do feminismo católico em relação a pessoas que defendem padrões e regras na modéstia do vestir. 

1) "Seita do véu"

Uma das bandeiras do feminismo católico é a batalha contra o véu. Feministas odeiam o véu, porque a devoção do véu é a maior arma católica contra o feminismo. O véu lembra a mulher que há autoridades acima dela, Deus e o marido.

Assim, tem sido cada vez mais comum feministas debocharem de moças que usam véu rotulando-as de "seita do véu". Todavia, tal escárnio simplesmente não faz sentido.

Primeiro, não há qualquer sentido de se falar em "seita do véu" quando o uso dele é obrigatório, conforme demonstramos no artigo "O uso piedoso do véu não é mais obrigatório?". 

Segundo, ainda que não fosse obrigatório, é a ausência do uso dele que sempre foi considerada pelos autores católicos, como Santo Tomás, como um costume reprovável entre as mulheres.

"Salvo que nem mesmo às mulheres casadas convém trazer os cabelos descobertos, elas que devem cobrir até a cabeça. Caso em que certas poderiam ser escusadas do pecado, se não procedessem assim por nenhuma vaidade, mas, por um costume contrário, embora tal costume não seja louvável." (S.Th. II-II, q. 169, a. 2).

O moralista Donald P. Goodman III no ensaio "Por Causa dos Anjos: Um Estudo do Véu na Tradição Cristã" assim comenta a posição de São João Cristóstomo a respeito de mulheres que não usam véu:

"São João Crisóstomo foi o mais prolífico e mais contundente de todos os Padres a respeito do véu. Tanto no que diz respeito à importância do que disse quanto ao rigor de seus ensinamentos, Crisóstomo foi de longe o mais inflexível em insistir sobre o véu para mulheres. Ele afirma inequivocamente que “estar sem véu é sempre uma reprovação” para as mulheres, assumindo assim uma posição ainda mais rígida do que a leitura de I Coríntios nos levou a pensar que o apóstolo assumia.

Crisóstomo argumenta que uma mulher deve “estar coberta cuidadosamente em todos os lados em todos os momentos'', baseando diretamente seu argumento no texto da Epístola de São Paulo. Para São João Crisóstomo, São Paulo regrava o uso contínuo do véu mesmo fora da oração. Ao invés de interpretar esse verso - “porque é como se estivesse rapada” - como uma analogia, ele afirma que isso é uma identificação dos dois estados, dizendo que “se estar rapada é sempre vergonhoso, também é certo que estar sem véu é sempre reprovável.

E chega à seguinte conclusão:
O véu é uma bela e autêntica parte da Tradição Católica, que proclama numerosos e elevados aspectos de nossa santa religião e fornece um sinal nobre e óbvio de contradição ao mundo que tanto odeia a mensagem que nosso Deus trouxe para nós. A própria existência da hierarquia natural, o reconhecimento de que Deus está acima do homem, desapareceu de nossa cultura; em toda parte triunfa a afirmação de que todos os homens são iguais.

O véu mostra nossa oposição ao mundo e ao ethos libertino que a Modernidade fez triunfar. As forças dominantes do feminismo, panteísmo, hedonismo e igualitarismo recebem uma repreensão permanente pelo simples fato de uma mulher católica cobrir seus nobres e abençoados cabelos. O véu é um costume bonito e valioso; deve ser preservado onde existe e restaurado onde não existe, e daí estendido à sua plena e adequada prática em todo o mundo católico.
Portanto, se há uma "seita", isto é, um cisma da Tradição católica, esta é a "seita das insubordinadas", que não aceitam qualquer referência, mesmo que simbólica, da hierarquia familiar estabelecida por Deus.

2) "Seita da saia e do vestido"

Outra grande bandeira do feminismo é o uso de calças. Diremos, no entanto, que a defesa da calça pelo feminismo, neste caso, não é pela calça em si mesma. Feministas não defendem o uso de calças por acreditarem que elas são adequadas para as mulheres. Feministas defendem as calças porque elas acreditam num princípio liberal, isto é, que mulheres devem se vestir como elas quiserem.

Assim, se uma mulher deve se vestir como ela quiser, então, nesta mentalidade, faz todo sentido falar em "seita da saia e do vestido", já que a modéstia, na prática, não existe. Seria simplesmente uma coisa de "seita" exigir padrões de modéstia e pudor dos outros.

Mas, como mostraremos a seguir, é a ausência de padrões que traz as maiores confusões sobre o tema.

Recentemente, Glória Küster, consultora de imagem e estilo, uma pessoa que já tratamos brevemente aqui, após falar das calças, alertou seus seguidores, em seus Destaques no Instagram, que, na sua página não se encontrará regras de modéstia.


Ela prova assim o que dissemos: a defesa da calça não é pela calça, mas pela libertação de padrões em favor da autonomia pessoal (princípio liberal).

O pensamento de Glória, obviamente, atrai pessoas que pensam igual a ela. Em uma nova postagem no Instagram, Glória respondia uma pergunta que não tinha qualquer relação com a modéstia no vestir, e sim com moderação na compra de roupas. Contudo, o simples fato de responder uma pergunta que pudesse envolver escrúpulos e roupas, já acionou o gatilho do deboche feminista de suas seguidoras para ironizarem a "seita da saia".


Aline Brodbeck é dona do "Blog Femina" e muito conhecida por ser uma das primeiras influenciadoras católicas a combaterem padrões de modéstia do vestir, principalmente daqueles defendidos por católicos tradicionais. Agora, pelo que tudo indica, ela já aderiu ao método feminista do deboche, pois rotula os desafetos de "seita da saia".

Pois bem, faz sentido falar de "seita da saia" como Aline e tantas outras falam? Não, não faz.

Aliás, em que época da História humana mulheres afirmariam que o uso de saia ou de vestido é coisa de uma "seita" senão a nossa, a mais feminista da História?

Saias e vestidos são as autênticas roupas femininas, como saudosamente afirmou o Pe. Paulo Ricardo:

Ora, seria o Padre Paulo um integrante da "seita da saia"?

Não, absolutamente não. Ele apenas disse o óbvio: historicamente, o normal da mulher é usar saia e vestido. O anormal é se apartar deste padrão. A única "seita" propriamente falando é das mulheres que querem imitar os homens no modo de vestir, como bem advertiu o Cardeal Siri aqui, isto é, a "seita das feministas".

Donald P. Goodman III no livro "The Modesty Handbook" assim salienta a importância da restauração do uso de saias:

A saia é, portanto, um sinal importante do poder que pertence às mulheres nos seus papéis naturais, um poder que, embora não seja evidente como o dos homens, é, no entanto, insondavelmente grande. Não é um sinal do seu domínio, como seria descobrir as suas cabeças, mas é um sinal do poder inerente aos seus papéis, um poder comparável ao dos reis, mas menos grosseiro e óbvio. A saia parece ser mais adequada para as mulheres, pelo menos considerada desta forma.

Mesmo assumindo, no entanto, que a cultura é a única que determina especificamente o vestuário masculino e feminino, as mulheres ocidentais ainda assim fariam bem em usar saias em vez de calças. Como a cultura ocidental tem removido progressivamente todas as distinções de sexo em qualquer vestimenta que não seja a mais formal, por vezes, até colocando as mulheres em ternos e gravatas, é evidente que os próprios padrões culturais a respeito entraram em colapso. As mulheres católicas fariam bem, portanto, em tentar restabelecer a distinção sexual no vestuário, readotando aquilo que antes era aceito sem questionamento: saias como vestes masculinas e calças como masculino.

Portanto, quer a natureza ou a cultura determinem tipos específicos de vestimenta, as mulheres católicas devem usar a saia. As saias não são pesadas nem opressivas; o desconforto que às vezes oferecem é pelo menos igual ao causado pelas calças em outros momentos. As saias são, como a maioria das práticas modestas, simplesmente honestas; são simplesmente uma expressão da natureza feminina, aquela natureza que foi a fonte até mesmo das virtudes naturais da Santíssima Virgem. Nenhuma mulher católica poderia ter qualquer objeeção a isso." (p. 31-33)

Acrescentemos, ademais, que Aline Brodbeck e Glória Küster também não se entendem quando o assunto é definir o que é imodesto. O que não é nenhuma surpresa, afinal, elas são contra padrões. Vejamos um exemplo a respeito da opinião de ambas sobre o uso de calças rasgadas.

Aline em seu Blog Femina, em 08.11.2017, mostrou um dos seus looks com calças rasgadas estilo "destroyed" dizendo "Podemos ser modestas sem ser cafonas":

Já Glória afirma que o estilo "destroyed" das ripped jeans detonam a imagem pessoal da mulher:


E Glória justifica sua posição (ao nosso ver, corretamente) citando a obra Filoteia de São Francisco de Sales:


De fato, não se passava pela cabeça de São Francisco de Sales "estilos modestos" de roupas rasgadas. Na verdade, transformar roupas rasgadas em estilo de moda trata-se de uma das muitas revoluções para descontruir o que é belo.

Neste contexto, perguntemos: como alguém da "seita da saia" resolveria o impasse entre Glória e Aline sobre calças destroyed serem imodestas ou não?

Simples. Vestiria uma saia. O que ilustra a nossa conclusão: padrões ajudam na modéstia do vestir, já entregar as pessoas ao seu próprio arbítrio atrapalha.

Podemos dizer com certa segurança que moças católicas que são contra padrões de modéstia são também completamente anárquicas no modo de vestir.

3) "Ana Francisca", "Incels"

O próximo deboche que iremos mostrar é de uma moça, dona de uma página no Instagram que fala sobre paternidade responsável e que adota um tom debochado (qual a novidade?) em suas postagens para criticar o que ela chama de "providencialismo".

Neste storie, a moça parece dar um aviso aos interessados em se relacionar com ela e que sejam envolvidos com apostolados de Missa Tridentina:

Evidentemente, a autora do comentário nunca refletiu seriamente sobre a busca da santidade, pois quantas santas se autodeclarariam "gostosas" para todos ouvirem?

A autora debocha ainda da modéstia de um grupo inteiro de mulheres rotulando-as de "Ana Francisca", personagem da novela "Chocolate com Pimenta". Este tipo de escárnio não é novo e já foi identificado em 1944 pelo Pe. Bernard A. Kunkel no livro "Marylike Modesty Handbook of the Purity of Mary Immaculate":

Os padrões marianos não levam as mulheres a serem modestas de modo "ridículo"?

O diabo odeia mulheres "discretas, modestas e excelentes". Portanto, ele recorre à chavões e palavras de ordem, procurando levar as mulheres a aceitar roupas morais por medo do ridículo. O diabo associa a palavra "modéstia" com "trajes de Dona Benta" e tenta fazê-las crerem que a Cruzada Mariana defende saias abaixo do tornozelo jamais um centímetro a menos - e colarinhos até o queixo.

Muitas católicas têm um medo mórbido do ridículo, e permitirão que o diabo as conduza docilmente para escapar de ridículo. Contudo, ridículo não é um argumento de modo algum. Freqüentemente é o único recurso de pessoas que não estão sinceramente querendo ver a verdade. As Cruzadas Marianas, desafiando esta arma mortal do ridiculo, "ousam ser diferentes."

No artigo "O Novo Curso de Bernard Küster e o Catolicismo Tradicional" demonstramos que Bernardo também aplica o mesmo expediente da moça em questão. E refutamos sua posição.

Por fim, a autora do storie escarnece de rapazes ligados à Missa Tridentina xingando-os de "incels" (celibatários involuntários) esquecendo-se, porém, que ambientes de Missa Tridentina são os mais prolíficos em casamentos e famílias numerosas.

Sabemos que essa moça é mãe. Perguntemos, então, o seguinte:

Se ela é casada, não bastava dizer educadamente aos rapazes interessados que está comprometida? Por que é preciso humilhar e se autodenominar "gostosa" para todos? Por que não usar a oportunidade para ser virtuosa e mostrar discreta e educadamente o valor do casamento?

Mas, se é mãe solteira, não seria ela própria uma "incel"? A menos que seja viúva, duvidamos muito que seu estado de solteira tenha se dado por razões voluntárias.

Perguntemos ainda:

Para que serviu essa exaltação desordenada do próprio ego e o deboche gratuito dos "inimigos"? Para que serviu destilar o veneno do escárnio? Para que serviu desferir golpes odiosos com a própria língua?

Respondamos já: Para absolutamente nada. 

Vimos que essa atitude sarcástica, mordaz e de autoexaltação não é católica e muito menos adequada para uma mulher cristã. Uma mulher virtuosa deve, desde cedo, treinar sua docilidade, brandura e amabilidade. Deve com todas as forças extirpar de seu comportamento essa atitude "revoltada" e escarnecedora, já que se trata de um hábito destrutivo para o matrimônio e para a santidade.

É surpreendente como esta moça não repara a profunda desordem do seu comportamento. Citemos nesse sentido, novamente, as lições do maravilhoso livro "O Poder Oculto da Amabilidade":

"Mesmo quando a correção de um mal é necessária, o sarcasmo não serve a nenhum propósito útil; em vez disso, serve apenas para despertar profundo ressentimento. É a vontade de Deus que você respeite a integridade de seus semelhantes. Você não deve amontoar desprezo sobre eles, menosprezá-los, usar sua língua como uma ferramenta afiada contra eles."

"O remédio para o sarcasmo na raiva é a humildade, o sufocamento do seu ego e a honestidade em avaliar suas bênçãos e cruzes. Uma pessoa sarcástica tem um complexo de superioridade que pode ser curado apenas pela honestidade da humildade." 

Citemos também um trecho do Sermão do Instituto Bom Pastor a respeito dos problemas das redes sociais

Quanto aos problemas morais mais comuns das redes sociais, eles são:

b) Atenta muito contra a mansidão. Muitas vezes leem-se coisas que não agradam e entra-se sempre em discussões infrutíferas, nas quais ninguém será convencido, mas no mínimo se perderá a paz. Frequentemente terminam em desavenças e ofensas contrárias à caridade, produzindo inimizades e ódios. Ocorre principalmente com publicações contra a Igreja, nos meios católicos. Mas com as pessoas não católicas as rixas acontecem a respeito das questões mais deploráveis.

Se as redes sociais estão sendo um meio para alimentar um comportamento escarnecedor, orgulhoso e feminista, não seria melhor não tê-las?

Conclusão

O deboche, o escarnecimento, a ironia mordaz não são comportamentos femininos. A moça católica é conhecida pela sua docilidade e brandura, pois tais virtudes são absolutamente essenciais para cultivar sua personalidade feminina e seus deveres como esposa, se vier a casar.

A feminista católica, contudo, é espiritualmente a anti-esposa. Ao contrário da amabilidade da esposa, a feminista será reconhecida pela sua acidez, amargura e sarcasmo. Usará principalmente o deboche como método de destruição da esposa ideal. Seu desejo profundo é a destruição da esposa tal como ensinaram os Papas e os santos.

Não estamos convencidos, contudo, que a maioria das moças do atual feminismo católico estejam totalmente conscientes do espírito que as move. Muitas promovem o feminismo sem perceber. As más companhias e influências são a principal razão de agirem assim.

Rezemos para que abram os olhos e retrocedam das suas atitudes.

Católicas feministas odeiam homens católicos. E elas perderão tudo com isso.

Algumas páginas católicas feministas estão compartilhando um “estudo” que atesta que o movimento “tradwife” tem atraído homens que “odeiam” ...