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terça-feira, 16 de dezembro de 2025

A pastoral contra o altar: Diácono "feministo" Varela e o progresso que anda para trás


Em defesa do acolitato feminino, o diácono Varela sustentou que, além de as acólitas não atrapalharem, elas seriam até benéficas para as vocações sacerdotais, pois preparariam desde cedo os meninos a lidarem com o protagonismo e a liderança femininos na Igreja. Em resposta aos críticos, acrescenta que o seminário do Rio de Janeiro estaria repleto de vocações.

Todo o argumento é torto.
Do ponto de vista estatístico, embora o número de católicos tenha aumentado, o de seminaristas, em âmbito global, vem caindo de modo consistente. É o que aponta o Anuário Pontifício ano após ano. A própria CNBB, ao comentar o Anuário Pontifício de 2025, reconhece:
"A tendência temporal observada no mundo do número de seminaristas maiores denota uma diminuição ininterrupta desde 2012."
Portanto, apontar uma realidade local e atípica é manifestamente insuficiente para refutar um dado geral e universal. Um caso particular não invalida uma tendência universal, sobretudo quando esta se estende por mais de uma década.
Em segundo lugar - e aqui está o ponto decisivo -, o argumento fundamental em favor do acolitato exclusivamente masculino não é de ordem pragmática ou pastoral, como se sua finalidade primária fosse simplesmente promover vocações. O acolitato, assim como as antigas ordens menores, surgiu historicamente como uma redistribuição das funções próprias do diácono.
É à luz desse dado que se compreendem as reiteradas condenações, por parte de Papas e concílios, do serviço feminino ao altar.
É por essa razão que certos Papas afirmaram que o sexo feminino era "um sexo para o qual tais tarefas não são apropriadas" e que o serviço feminino do altar constituía um "desprezo pelas coisas divinas". Pela mesma razão, alguns concílios particulares - como os de Nîmes e de Paris - qualificaram tal prática como "antiapostólica", "indecente" e contrária às leis divinas.
O serviço feminino do altar não é, portanto, uma questão neutra ou meramente disciplinar: ele constitui, na prática, uma defesa do diaconato feminino por procuração. Se ainda não é - ao menos formalmente - uma defesa doutrinal do diaconato feminino, é inegavelmente uma defesa prática.
Por isso, mesmo quando a Igreja não podia contar com diáconos suficientes para todos os serviços litúrgicos, sempre protegeu o diaconato mediante a salvaguarda de uma certa ordenação e de uma semelhança objetiva nos ministros que os substituíam. O caráter exclusivamente masculino do acolitato é a evidência histórica mais clara dessa proteção.
Em terceiro lugar, o fato de os padres terem de lidar com mulheres na vida eclesial não constitui prova alguma de que a convivência mista seja adequada em qualquer circunstância. Menos ainda em um contexto que a própria Igreja sempre reprovou ou, no mínimo, cercou de muitas cautelas, como é o convívio misto dentro do espaço litúrgico.
Pio XI, na encíclica "Divini Illud Magistri", reprova explicitamente a chamada "coeducação" ou educação mista, qualificando-a como uma expressão do naturalismo que nega os efeitos do pecado original. O Papa recorda, ademais, que o Criador dispôs a convivência plena e harmoniosa entre os sexos apenas no contexto do matrimônio.
"De modo semelhante, errôneo e pernicioso à educação cristã é o chamado método da « co-educação », baseado também para muitos no naturalismo negador do pecado original, e ainda para todos os defensores deste método, sobre uma deplorável confusão de idéias que confunde a legítima convivência humana com a promiscuidade e igualdade niveladora. O Criador ordenou e dispôs a convivência perfeita dos dois sexos somente na unidade do matrimônio e gradualmente distinta na família e na sociedade. Além disso não há na própria natureza, que os faz diversos no organismo, nas inclinações e nas aptidões, nenhum argumento donde se deduza que possa ou deva haver promiscuidade, e muito menos igualdade na formação dos dois sexos. Estes, segundo os admiráveis desígnios do Criador, são destinados a completar-se mutuamente na família e na sociedade, precisamente pela sua diversidade, a qual, portanto, deve ser mantida e favorecida na formação educativa, com a necessária distinção e correspondente separação, proporcionada às diversas idades e circunstâncias. Apliquem-se estes princípios no tempo e lugar oportunos, segundo as normas da prudência cristã, em todas as escolas, nomeadamente no período mais delicado e decisivo da formação, qual é o da adolescência; e nos exercícios ginásticos e desportivos, com particular preferência à modéstia cristã na juventude feminina, à qual fica muito mal toda a exibição e publicidade."
Se a educação para o matrimônio não exige, nem mesmo recomenda, uma convivência indiferenciada desde a infância, com muito menos razão tal convivência se justifica na preparação para o sacerdócio, cuja essência inclui o celibato e a separação do mundo.
Constata-se, assim, que a posição constante da Igreja sempre foi a de promover o convívio misto apenas quando existe uma causa necessária, proporcional e, sobretudo, atual – jamais por motivos remotos ou hipotéticos.
Se o argumento do Catequista fosse correto, então os seminários deveriam estar abertos a moças interessadas em cursar teologia, promovendo um convívio irrestrito entre mulheres e seminaristas. Contudo, como todos sabem, isso não ocorre - e graças a Deus não ocorre -, pois é evidente a ruína que tal prática representaria para as vocações sacerdotais.
O erro de fundo que atravessa toda essa argumentação é o positivismo: a redução da Tradição a um conjunto de práticas contingentes, válidas apenas enquanto funcionam segundo critérios modernos de eficiência pastoral, que já se provaram bastante ineficientes. Tal mentalidade substitui o critério da continuidade pelo da utilidade imediata.
O positivismo não é apenas a causa formal daqueles conhecidos asteriscos lançados sobre a Tradição - isto é, de costumes e normas estranhos ao desenvolvimento litúrgico e doutrinal homogêneo que, vez ou outra, infiltram-se na história da Igreja. Ele também impede o exercício correto da prudência sobrenatural, que deveria ser o princípio norteador da ação pastoral.
Além disso, o positivismo produz uma mudança psicológica profunda: incapacita os pastores de julgar segundo a mens Ecclesiae. A mente da Igreja sempre julgou o presente à luz do passado, porque é justamente o passado - transmitido como Tradição viva - que exprime a sua mente.
Somente no tempo de Cristo foi possível olhar legitimamente para o passado com os olhos do presente, pois Cristo era o cumprimento do passado. Mas, como recorda o Pe. Chad Ripperger:
"Uma vez que a obra de Cristo se tornou parte da história e Ele ascendeu aos céus, devemos sempre olhar para trás, para Cristo e para a nossa tradição, a fim de obter uma compreensão autêntica do presente" (Topics on Tradition, p. 50).
O positivismo, portanto, impede o juízo conforme a mente da Igreja. Ao inverter o eixo do discernimento - passando a olhar o passado com os olhos do presente -, ele gera uma atitude de suspeita sistemática em relação à Tradição. E essa suspeita é, formalmente, a antessala do progressismo.
Por isso, a defesa da Tradição feita pelo conservador positivista é sempre frágil e quase sempre injuriosa. Reduz as razões profundas da Tradição a meras mesquinharias ou a preconceitos mal disfarçados. Quando uma disciplina tradicional e multissecular entra em conflito com uma pastoral moderna duvidosa, o conservador positivista não hesita em chamar a primeira de "uma grande bobagem".
Nessa mentalidade, é preciso dizê-lo com clareza: o conservador positivista não é um católico obediente, mas apenas um progressista envergonhado. Não preserva a Tradição: apenas a tolera provisoriamente, enquanto não se torna inconveniente.

terça-feira, 4 de março de 2025

Dom Bosco caiu na folia? Derrubando mais uma lorota de Viviane Varela (O Catequista)


Mal publicamos o artigo "Acabando com o Carnaval do "O Catequista"" e a página não satisfeita já inventou mais uma lorota para justificar sua paixão irracional pelo carnaval. Desta vez, a lorota é: Dom Bosco pulou o carnaval com seus meninos do Oratório.

Viviane em nova publicação no Instagram utiliza a biografia "A Vida de Dom Bosco" escrita pelo Pe. Giovanni Battista Lemoyne, para defender que Dom Bosco caiu na folia.


Diz Viviane que Dom Bosco queria ensinar os meninos do Oratório a "como viver o carnaval", a despeito das imoralidades da festa. Contudo, essa argumentação do O Catequista simplesmente não bate com a postura de Dom Bosco e dos padres que o ajudavam até então. Ora, se essa era a lição que Dom Bosco queria ensinar, por que ele não a deu nos carnavais anteriores? A resposta é muito simples: Dom Bosco não estava procurando ensinar como viver bem uma festa mundana. Durante o carnaval, Dom Bosco fazia programações dentro do Oratório, o que é totalmente lícito segundo explicamos no nosso artigo anterior. E a única vez que ele foi a um carnaval público não foi pelas razões ditas pelo O Catequista.

O próprio vídeo de Viviane explica o contexto da motivação de Dom Bosco:
"Naquele ano a Prefeitura de Turim havia autorizado que as instituições de caridade montassem uma barraca na Piazza Castello pra vender nos últimos dias de carnaval o que achassem melhor pro benefício dos pobres atendidos por suas obras."

A intenção de Dom Bosco em ir ao carnaval de Turim era apenas uma: angariar fundos para o Oratório por meio de uma barraca de vendas. Ou seja, Dom Bosco queria ir ao carnaval para trabalhar para o sustento do Oratório, não simplesmente para divertir-se.

A própria biografia utilizada por Viviane narra que Dom Bosco, antes de se entregar à Providência, buscava por todos os meios angariar recursos para o Oratório, sendo até mesmo engenhoso ao fazer isso. Uma de suas engenhosidades foi trabalhar no carnaval, como afirma o Pe. Lemoye:

"Dom Bosco sentiu-se obrigado a tentar esgotar todos os meios humanos, antes de se abandonar cegamente nos braços da Divina Providência. Por isso ele sempre pedia, de mil maneiras, usando as maneiras mais variadas, mais prudentes, mais engenhosas. Circulares, loterias, barracas de doações, e uma centena de outros meios foram usados ​​quando as necessidades eram sérias, e os recursos diários ordinários eram insuficientes.

Durante o carnaval de 1869 ele teve uma ideia singular. Naquela época, o carnaval de Turim era o mais digno, tranquilo e agradável de toda a Itália; basta dizer que uma comissão especial, com plenos poderes e a polícia sob seu comando, zelava pela ordem, pela moral e pelo respeito a todas as classes de pessoas. Pois bem, ele obteve autorização da prefeitura para montar uma barraca de vendas na Piazza Castello, junto com outras instituições de caridade, para seu próprio benefício durante os últimos dias do Carnaval." (A Vida de Dom Bosco, vol. 2)

Ou seja, Dom Bosco tinha uma razão justa e proporcional para ir ao Carnaval. Ele foi por necessidade, não por opção. Como narra a própria biografia, o santo sentia-se obrigado a esgotar todos os meios possíveis para sustentar o Oratório.

Se aplicarmos os princípios expostos no artigo "O Catequista e a Opção Preferencial pelo Laxismo" sobre as espécies de cooperação com o mal, veremos que eventual cooperação de Dom Bosco neste caso seria remota e não necessária, sendo absolutamente escusável ele buscar o sustento do Oratório montando a barraca de vendas na festividade.

Todavia, desonestamente, o O Catequista omite todo esse contexto. Viviane chega a afirmar que Dom Bosco buscava "maneiras de ir ao Carnaval", como se quisesse arranjar desculpas para os seus meninos irem à festividade, quando claramente essa não era a verdade.

Omitindo informações importantes dessa maneira o O Catequista faz um verdadeiro anti-apostolado para os católicos, pois o exerce unicamente para anestesiar as consciências em prol de sua opção preferencial pelo laxismo.

Ademais, neste caso, a escolha de Dom Bosco como elemento de defesa do Carnaval parece ter sido bem calculada pelo O Catequista. Neste ano, o Centro Dom Bosco fez críticas públicas ao O Catequista por defender o Carnaval e agora a página buscou de alguma forma responder as censuras usando o patrono do CDB. Tenha sido esta a intenção ou não, o tiro saiu pela culatra. Dom Bosco não foi ao carnaval pelas razões que o O Catequista quis sugerir.

domingo, 2 de março de 2025

Acabando com o Carnaval do "O Catequista"

Enquanto o mundo católico se prepara para a Quaresma e diversos padres e bispos acautelam os fiéis das mazelas do Carnaval, o Catequista ano após ano, nas proximidades da Quaresma, se dedica a anestesiar as consciências a respeito da festividade.

Em 2024, Alexandre e Viviane Varela já havia publicado fotos dos próprios filhos "caindo na folia", como se vê aqui:




Na época, o casal justificou a publicação argumentando que a Igreja jamais condenara o Carnaval e porque neste baile infantil se encontravam "Muitas senhoras e senhores, jovens bem comportados, uma multidão de crianças e doguinhos, nenhum cheiro de cigarro".

Nota-se de cara, neste baile infantil, mulheres adultas muito mal vestidas, uma delas de mini-shorts e segurando uma cerveja na mão (o ápice da vulgaridade feminina), mas, para o O Catequista, era um baile "bem comportado".

Veremos na exposição deste artigo que este baile não cumpre os requisitos mínimos de um baile adequado. 

A consciência de Alexandre e Viviane Varela está totalmente cauterizada quanto à verdadeira honestidade que os ambientes devem ter, afinal, eles não se importam de levar os filhos a uma praia mista com pessoas seminuas depois da Missa, conforme demonstramos no artigo "Sobre a obstinada idolatria dos conservadores católicos às praias".

Este ano, novamente, a página renovou seus votos de apoio ao Carnaval, desta vez apoiando-se nominalisticamente nos casos da Serva de Deus Odetinha e em Santa Giana Molla, que também teriam caído na folia.



Dizemos "nominalisticamente", porque o O Catequista simplesmente se recusa a justificar tecnicamente suas opiniões articulando os princípios da teologia moral ao caso concreto, mas ele simplesmente "extrai" conclusões a partir de comportamentos de certos santos ou pontífices, que puderam ter inúmeros motivos para agir de tal ou qual maneira ou que simplesmente não agiram bem.

Neste exemplo da Serva de Deus Odetinha, por exemplo, há coisa mais inadequada do que uma menina se vestir de menino? Qual a diferença disso para incentivar um menino a brincar de boneca? Qual a diferença de uma menina se vestir de menino no carnaval infantil e um marmanjo se vestir de princesa no carnaval adulto? É uma diferença de grau, não de essência. É evidente que os pais de Odetinha não tinham que permitir tal coisa.

Já de Santa Gianna não há muitas informações do contexto que ela comemorava o carnaval com os filhos, mas, como já informamos inúmeras vezes neste blog, Santa Gianna foi muito mais filha do seu tempo que se possa imaginar, tendo algumas condutas que não eram realmente aconselháveis para uma mãe católica.

Neste blog já argumentamos que o progressismo católico, quando não tem fundamento sólido na doutrina ou na teologia, apela nominalisticamente aos santos, pois sempre haverá algum que, sendo filho do seu tempo e carecendo de boa instrução, não agiu conforme a doutrina ou a boa teologia aconselham a agir. Não precisamos ir longe. Vejamos, por exemplo, o caso da Serva de Deus Chiara Petrillo.

Chiara e o marido eram ardorosos frequentadores da Renovação Carismática e Chiara morreu de forma heroica para levar a sua última gestação para frente. Contudo, Chiara, como qualquer santo que vive em tempos caóticos e sem muita instrução como os nossos, tinha diversos costumes mundanos, embora creiamos que todos eram vividos na mais absoluta boa-fé. Chiara, por exemplo, usava biquini na praia, algo simplesmente escandaloso para a modéstia no vestir, como demonstramos em diversas ocasiões.


Chiara era acostumada com missas hiper carismáticas com todos os problemas que descrevemos no artigo "Sobre o Tradismatismo". Em seu funeral, a missa, novamente, foi hiper carismática, fugindo completamente ao espírito de uma Missa Pro Defunctis, sendo animada com instrumentos musicais totalmente inadequados para a liturgia e até mesmo com o marido de Chiara, Enrico Petrillo, soltando a mão no violão:


Não estamos expondos essas coisas para detratar os santos, mas para mostrar o quão problemático é tomar o exemplo dos santos como se fosse uma norma moral, ainda mais no contexto de caos litúrgico e catequético que vivemos. O fenômeno dos "santos enganados" pelo espírito do tempo será cada vez mais comum, sendo absolutamente necessário os católicos filtrarem adequadamente o que é exemplar na vida dos santos e o que não é.

No caso de Odetinha e Santa Giana sabemos que houve engano dessas santas, tendo em vista a expressa condenação da Igreja aos bailes infantis:
"758. Reprovamos o abandono dos pais, que, concedendo a seus filhos absoluta liberdade no trato com pessoas de sexo diferente, não protegem bastante a sua pureza contra os perigos que a rodeiam, não evitam os namoros precoces, e não robustecem nem fomentam em seus corações o amor à castidade. Por isso, declaramos dignos de igual reprovação aos promotores e fautores dos bailes infantis, e gravissimamente encarecemos no Senhor aos pais, que não exponham seus filhos a tamanhos perigos, ainda que para buscar desculpas para os pecados, apresentem não poucos pretextos, com aparência de honestidade” (Concílio Plenário Limense da América Latina de 1900 aprovado por Leão XIII)
Feita esta introdução façamos agora uma análise da moralidade do carnaval, para que tenhamos uma visão justa do tema.

O carnaval enquanto festa

O Carnaval é um espetáculo público com danças. Assim, deve-se levar em conta as principais normas da moralidade tanto para o espetáculo quanto para a dança. Adianta-se, desde já, que o carnaval ser "popular", "mirim" ou "adulto" não é critério suficiente para julgar a situação.

1. Quanto aos espetáculos. Em geral, não são maus em si. Mas, segundo a opinião comum dos moralistas, seriam gravemente escandalosos se promovessem:

a) músicas e artes obscenas, antirreligiosas ou contrárias aos bons costumes;

b) roupas indecentes;

c) todo tipo de excesso (drogas, bebedeiras, chistes, etc).

As pessoas que participassem desses eventos, mesmo sem perigo pessoal, pecariam gravemente por escândalo (Zalba, Royo Marin). Aqui a normal é clara: não basta você estar sadio no local, o ambiente como um todo também precisa estar.

Por estes critérios o carnaval, mesmo o infantil, já se torna uma realidade muito difícil de se frequentar no Brasil, uma vez que, raramente, se observa o atendimento desses critérios.

Aqui pedimos licença para o leitor para notar como a página O Catequista é completamente amadora na abordagem desse assunto.

O Catequista defende com ardor o Frevo pernambucano como uma alternativa legítima de entretenimento carnavalesco. Na publicação deste ano de defesa do Carnaval, pode-se inclusive encontrar comentários de seguidores do O Catequista a respeito do Frevo e o endosso da página à festividade:






Notemos como os seguidores do O Catequista, seguindo o exemplo da página, são incapazes de um raciocínio moral. Defendem o Frevo porque ele é "cultural" ou porque a festividade faz parte da "identidade" deles, não porque seja algo moralmente sadio. Aqui funciona a lógica dos apegos, não da razão retamente aplicada. Todas as pessoas de consciência laxa pensam dessa maneira. A coisa é certa ou errada segundo o grau de apego/simpatia da pessoa, não segundo as normas da moralidade.

O Catequista aplaude os comentários e acrescenta seu endosso ao carnaval pernambucano.

Todavia, quando observamos o Frevo constatamos que ele não é celebrado de forma decente. Neste festival constata-se um grau altíssimo de indecência das mulheres. Vejamos que, nesta festividade, as moças costumam usar vestidos curtíssimos expondo totalmente as pernas e quando fazem pulos e giros a roupa íntima fica totalmente à mostra.




Aqui relembremos a orientação de Pio XI:
"Que os pais mantenham suas filhas longe do público de jogos e competições de ginástica, mas se as suas filhas são obrigadas a frequentar essas exposições, deixá-los ver que elas estejam totalmente e modestamente vestidas."  (AAS, 1930, vol. 22)
O Frevo já foi um espetáculo um pouco mais modesto, como fica evidente nas imagens abaixo, mas com a decadência dos costumes ele próprio rendeu-se à indecência do vestir.




O Catequista não repara essas coisas porque, como dissemos, ele está anestesiado. Muitos anos de praia e de "Dança dos Famosos" entorpece todo tipo de consciência. Se o O Catequista defende a praia como um lugar adequado para um católico ir, apoiar o indecente Frevo pernambucano é fichinha.

2. Quanto aos bailes. A opinião comum dos teólogos não presume honestidade dos bailes públicos e mistos. A razão é manifesta: não são bailes controlados. Gury-Ferreres em "Compendium Theologiae Moralis" esclarecem o perigo de bailes públicos e mistos:
"O perigo provém de um duplo motivo: da íntima união dos corpos do homem e da mulher, e de que os que dançam se perdem entre a multidão, abandonados a si mesmos, dando lugar a uma maior liberdade para conversas indecentes [majorem libertatem habeant verba minus casta proferendi], quando todas as circunstâncias contribuem a incitá-los a pecar; e quanto mais familiaridade existe entre os que dançam, mais perigosas são estas danças e devem ser evitadas de qualquer modo.” (tomo I, n. 242)
Por isso Antonio Royo Marín em "Teologia Moral para Leigos" assinala que os bailes, se mistos, devem ser privados e combinar as seguintes condições:
1) Em locais privados e honestos; uma festa de casamento ou familiar, diante dos pais ou de pessoas de bons hábitos.

2) Com pessoas decentes; que sejam cavalheiras e sem malícia.

3) De maneira decente; uso de trajes que não sejam escandalosos ou sensuais.

4) Com boa intenção; com finalidade honesta ou honrosa. Ex: se divertir honestamente, encontrar um marido/esposa.
Nota-se por mais este critério que mesmo o "baile infantil" sugerido pelo O Catequista estaria condenado, tendo em vista que se trata de um baile público e não é festejado de maneira decente.

Outros moralistas também distinguem a honestidade dos bailes segundo (i) o modo de dançar e (ii) em razão das pessoas

(i) No modo de dançar. Diversos moralistas (Arregui, Vicente Hernandez, Genicot, etc) e várias Conferências Episcopais apontaram o tango, a valsa, a mazurca, o galope, a polca, o schottisch, a habanera, a kamel-trot, o shimmy, o check-to-check, o one-step, o blues, o samba, o rock, etc., danças em que o homem e a mulher se abraçam apertado, dão giros, um passa por baixo das pernas do outro, etc., como danças que oferecem ocasiões próximas de pecado grave, tendo em vista o tipo de contato que há entre sexos, os gestos e a significação deles.

Observemos que um desses estilos, o tango, uma dança argentina altamente sensual, tem grande simpatia do Papa Francisco. Contudo, é impossível negar que ela seja uma ocasião de pecado grave, haja vista o tipo de interação e movimentos sensuais que há entre os dançarinos. O tango é a dança mais lembrada pelos moralistas como exemplo de dança intrinsecamente desonesta.





Daí a importância de não interpretar todos os comportamentos/gostos pessoais dos santos e dos pontífices como se fossem normas morais. Primeiro, porque o exemplo das outras pessoas, por mais estimadas que sejam, não é para nós uma norma moral. Seremos julgados tendo como parâmetro os mandamentos, não as outras pessoas. Segundo, porque não podemos buscar escusar nossas ações com base na consciência do outro. Isso é infantilismo espiritual. Terceiro, porque nem todos os santos foram realmente exemplares em todas as suas ações. Em muitas delas foram filhos de seu tempo, embora sempre de boa-fé.

Observamos nesse quadro também, como exemplo de dança desonesta, o samba. De fato, o samba requer, principalmente das mulheres, muitos movimentos de quadril, rebolados, algo intrinsecamente sensual.  Não é à toa que os carnavais de samba no Brasil são altamente sensualizados. A sensualidade não é uma corrupção do samba, mas é ínsita dele.



Poderíamos facilmente acrescentar ao samba outras danças indecentes, mas, infelizmente, bastante populares no Brasil, como o pagode, o axé, o forró e o funk.

(ii) Em razão das pessoas. Diz respeito à honestidade e à decência das pessoas que dançam. Edouard Genicot em "Theologia Moralis" assim explica:
"A decência dos bailes depende especialmente das pessoas que nelas participam e do modo de dançar: por isso o confessor, quer ao permitir quer ao proibir as danças, deve prestar muita atenção à possibilidade ou não, especialmente às primeiras. Assim, as danças realizadas entre algumas famílias nas casas estão geralmente expostas a muito menos perigo do que as do público, tanto do campo como da cidade. Alguns condenam severamente o método de dançar já habitual mesmo nas famílias respeitáveis ​​(polca, etc.), que as mulheres pobres devem abraçar com tal habilidade que parece impossível evitar graves pecados de luxúria. Outros, porém, como Berardi (De Recid. II. n. 165), não pensam que este perigo moral esteja tão universalmente presente, pois a própria experiência e os testemunhos dos penitentes parecem mostrar o contrário. E não é tão surpreendente assim: pois o toque entre o homem e a moça, feito na solidão e somente com esse carinho, muitas vezes o moverá mais à luxúria, do que quando a mente está distraída com muitas outras coisas e concentrada no ritmo da dança. Porém, existem danças, como o tango, o boston, que são absolutamente repreensíveis. Geralmente o perigo é maior nas danças mascaradas, porque muitos, libertos do medo de serem reconhecidos pelos outros, comportam-se com mais liberdade." (vol. 1, n. 241)
Antonio Arregui em "Summarium Theologiae Moralis" explica que o perigo dos bailes gradua-se da seguinte forma:
(i) bailes mascarados; concentra muitos perigos. Pessoas anônimas por trás de suas máscaras ou que assumem certo personagem durante o carnaval tendem a todo tipo de excessos.

(ii) bailes públicostambém ocasiona grandes perigos, tendo em vista a grande aglomeração de pessoas e o pouco controle do que se faz nele.

(iii) bailes em salões fechadosseria a danceteria moderna ou "balada". É um ambiente mais controlado, contudo, em geral, são ambientes escuros, com grande aglomeração de pessoas, o que favorece os pecados contra a castidade.

(iv) bailes privados, entre famílias honestas. São as festas controladas e com pessoas escolhidas. Geralmente, são festas familiares ou de casamento. Bailes feitos nessas circunstâncias, desde que com pessoas decentes, podem ser permitidos.
Apliquemos tais normas ao contexto do carnaval. Trata-se, como todos sabem, de um baile mascarado e público, ou seja, os dois piores tipos de bailes. Não é sem motivo que o carnaval é tão conhecido por suas extravagâncias e imoralidades. Mesmo o carnaval infantil, como vimos, não está isento de perigos. Tendo em vista que o carnaval mirim busca imitar o carnaval adulto, não é raro encontrar grande imodéstia no vestir nas meninas, danças inapropriadas, músicas inadequadas e maus exemplos de outras crianças, já que não há muito controle nos bailes públicos.

Genicot, teólogo belga do século XIX, dizia que os bailes feitos nas suas regiões eram intrinsecamente maus:
"Embora, teoricamente, reger danças possa ser um ato de virtude, na prática, como acontece em nossas regiões, é inerentemente perigoso e ocasião para muitos pecados. Portanto, os confessores devem ser incentivados e sabiamente afastados deles, mas especialmente os jovens de ambos os sexos que até agora viveram na castidade." (Ibidem)
O que dizer, portanto, de um "carnaval mirim" com mulheres mal vestidas e com danças imodestas como o samba? Nenhum pai responsável deveria levar seus filhos para esses lugares.


Os Papas e o Carnaval

Por fim, lidemos com uma última objeção do O Catequista. Um seguidor fez um comentário lúcido a respeito da Serva de Deus Odetinha:


O comentário foi perfeito. Odetinha morreu com apenas 9 anos de idade. Crianças nessa idade, conforme explicamos no artigo "O novo curso de Bernardo Küster e o Catolicismo Tradicional", possuem aquilo que chamamos de "certeza respectiva da fé":
"Em suma, a fé autêntica, tal como nós, católicos, a entendemos, pressupõe e exige uma certeza racional prévia do fato da revelação de Deus. Desta forma, a fé será um assentimento prudente, firme e irrevogável, que são propriedades do verdadeiro ato de fé. Para as crianças e os rudes, a “respectiva” certeza deste fato da revelação será suficiente; Para muitos adultos, a certeza <<vulgar>>> do mesmo será suficiente. Mas aos estudantes universitários e aos estudantes de teologia que queiram proceder cientificamente devem ser dadas demonstrações científicas e objetivamente válidas deste fato fundamental para a fé." (Miguel Nicolau, "A Crise da Igreja", n. 108)
A certeza respectiva significa que a criança crerá tendo como base moral e de fé o ensino do pai e da mãe, do professor católico, do catequista, do pároco, prescindido daquilo que se denomina "demonstração científica da fé".

Em outras palavras, se os pais de Odetinha disseram que o carnaval era bom, a base da moralidade de Odetinha não será qualquer teólogo moral ou documento pontifício, mas a afirmação dos pais. Portanto, apelar para a "santinha" impelida pelos pais a participar do carnaval é um argumento muito fraco para justificar a festa.

O Catequista respondeu a objeção da seguinte maneira:



Aqui parece que temos o argumento mais "sério" do O Catequista em sua defesa falida do Carnaval. Os papas teriam autorizado e patrocinado oficialmente os carnavais de rua de Roma até a unificação italiana. Portanto, vamos à folia!

No entanto, é preciso dizer que, novamente, o O Catequista cai na armadilha de tirar conclusões apressadas a partir de comportamentos dos pontífices ao invés de sentar na cadeira e raciocinar a partir de princípios bem definidos. O modus operandi do O Catequista é sempre este: ele não busca pensar, ele busca atalhos.

Pelo raciocínio do O Catequista seria lícito, por exemplo, mulheres irem seminuas ou de topless à missa, já que São João Paulo II celebrou uma missa para nativos seminus de Papua Nova Guiné em 1984:






Pois bem, é evidente que o raciocínio do O Catequista está errado. Sabemos que entre o século XVI e o XIX foram numerosíssimos os santos reprovavam o carnaval. Em suas "Meditações", Santo Afonso de Ligório, patrono da Teologia Moral, por exemplo, dirigia palavras duríssimas contra o carnaval:
“Por este amigo, a quem o Espírito Santo nos exorta a sermos fiéis no tempo da sua pobreza, podemos entender que é Jesus Cristo, que especialmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado, como dizem as Escrituras, já desonra a Deus, o injuria e o despreza, imagina quanto o divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, e quiçá por pessoas que lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é mais suscetível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes quantas são as ofensas que lhe são feitas.

É por isso que os santos, a fim de desagravarem o Senhor de tantos ultrajes, aplicavam-se no tempo de carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado. No tempo do carnaval, Santa Maria Madalena de Pazzi passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. O Bem-aventurado Henrique Suso guardava um jejum rigoroso a fim de expiar as intemperanças cometidas. São Carlos Borromeu castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. São Filipe Néri convocava o povo para visitar com ele os santuários e realizar exercícios de devoção. O mesmo praticava São Francisco de Sales, que, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas, que se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à comunhão frequente.

Numa palavra, todos os santos, porque amaram a Jesus Cristo, esforçaram-se por santificar o mais possível o tempo de carnaval. Meu irmão, se amas também este Redentor amabilíssimo, imita os santos. Se não podes fazer mais, procura ao menos ficar, mais do que em outros tempos, na presença de Jesus Sacramentado ou bem recolhido em tua casa, aos pés de Jesus crucificado, para chorar as muitas ofensas que lhe são feitas."
Também sabemos que Papa Bento XIV instituiu as 40 horas de adoração ao Santíssimo em reparação aos pecados cometidos no carnaval e concedeu indulgência plenária a quem participasse da adoração.
"A Igreja repetidamente fez esforços para verificar os excessos do carnaval, especialmente na Itália. Durante o século XVI, em particular, uma forma especial da Oração das Quarenta Horas foi instituída em muitos lugares na segunda e terça-feira do entrudo, em parte para afastar as pessoas dessas perigosas ocasiões de pecado, em parte para fazer expiação pelos excessos cometidos. Por uma constituição especial endereçada por Bento XIV aos arcebispos e bispos dos Estados Pontifícios, e intitulada "Super Bacchanalibus", uma indulgência plenária foi concedida em 1747 àqueles que participaram da Exposição do Santíssimo Sacramento, que deveria ser realizada diariamente por três dias durante a temporada de carnaval." (Fonte: Aleteia)
Portanto, é inequívoco que tanto a Igreja quanto os santos sabiam que o carnaval era ou havia se tornado, no mínimo, uma festa problemática. Então por que ele continuou até a unificação italiana?

A resposta mais provável é que os Papas simplesmente toleraram o carnaval, tal como São João Paulo II tolerou a imodéstia dos nativos de Papua Nova Guiné, dado o enraizamento da festa na cultura popular. Como sabemos, os papas entre os séculos XVI e XIX tinham sob sua tutela os chamados Estados Pontifícios e não podiam simplesmente acabar com todos os problemas sociais na canetada. Por isso toleravam certos males. Trata-se aqui exatamente do princípio do mal menor. A aplicação deste princípio explica com perfeição a continuidade dos carnavais nos territórios pontifícios e a condenação ininterrupta dos santos a essa festividade.


Conclusão

De todo o exposto, fica manifesto o desserviço que tem prestado o O Catequista (mais um) a respeitto do carnaval. Mesmo que, em tese, se pudesse dizer que nem todo carnaval é mau, atualmente, não há carnaval sadio no Brasil. Assim, ao invés de gastar tempo e energia tentando convencer os católicos que se pode achar uma agulha no palheiro (agulha que, como vimos, nem o O Catequista encontrou), o O Catequista poderia incentivar os católicos a entrarem em espírito de recolhimento para a Quaresma.

Ademais, o carnaval, das grandes festas, é a que menos tem sentido. O que se comemora no carnaval? Qual herói é lembrado, qual data histórica é recordada, que santo é venerado, que Salvador é adorado? Nenhum. O carnaval tornou-se uma festa de vazão, vazão de uma alegria sem causa e sem nobreza. Por que incentivar os católicos a participarem de algo sem sentido, com muitas ocasiões próximas de pecado, sendo que eles podem recolher-se para uma Quaresma cheia de significado?

Que larguem esse laxismo vergonhoso que só levam às pessoas a pecarem mais e tomem a Cruz que a Quaresma convida a abraçar.

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Desnudando o "O Catequista". Como "O Catequista" e Miguel Soriani são parte do mesmo problema.

No artigo "Assédio, agressão e ataques à "bolha católica"", comentamos que o caso Miguel Soriani talvez fosse um sinal de uma erosão da nova onda conservadora do Catocilismo pós-pandêmica, essencialmente marcada por ser moralmente laxista, feminista, antitradicional e dinheirista. Argumentamos que o Miguel Soriani era filho dessa onda.

Conforme expomos no artigo "Conservadores católicos se rendem à imodéstia", a página de Instagram O Catequista certamente é um dos maiores expoentes dessa onda. O que decidamente marca a principal característica da página é o seu laxismo moral.

Relembremos que O Catequista já apoiou: católico organizar festa de casamento LGBT, pessoas casadas darem carona para colegas de trabalho do sexo oposto, banhos públicos e mistos, uso de leggings na academia, entre outros.

A lista é imensa e, infelizmente, a tendência é de crescimento.

Recentemente, como dissemos, estorou nas redes sociais o caso Miguel Soriani, um terapeuta católico que vendia cursos e consultoria contra a pornografia, mas que, ao final, sucumbiu a ela e passou a trair a esposa encaminhando nudes para suas seguidores e pedindo o mesmo delas.

A página O Catequista foi uma de muitas que não só criticou o terapeuta como também tirou sarro da situação.


Apesar de Soriani merecer todas as críticas, consideramos o hábito do Catequista e de outras páginas de debocharem dos outros por causa de suas faltas lamentável. A derrisão ou zombaria, que consiste em expor a faltas alheias para ser alvo de chacota dos outros, é pecado, como ensina Antonio Royo Marin em sua "Teologia Moral para Leigos":

"821. Entende-se por zombaria ou derrisão do próximo o vício ou pecado de lançar na face do próximo suas culpas ou defeitos de forma jocosa para envergonhá-lo diante dos demais.

O zombador não trata diretamente de injuriar o próximo (isso é próprio do contumelioso), mas unicamente de ridicularizá-lo diante dos demais. Claro que indiretamente obscurece também a honra do próximo, e neste sentido a derrisão se relaciona muito de perto com a contumélia, da qual constitui uma subespécie.

Este feio pecado se opõe diretamente à justiça - porque viola o direito do próximo ao apreço e estima dos demais - e indiretamente à caridade. Se o zombador pretender diretamente o desprezo do próximo, faltará direta e gravemente à caridade."

Assim, a atitude de O Catequista merece todo o nosso reproche. Porém, o que vamos demonstrar a seguir é que a página, apesar de zombar de Soriani, não é uma real opositora das atitudes dele.

Em uma recente resposta à caixinha de perguntas do Instagram, O Catequista deu uma resposta a respeito da licitude de um católico assistir o reality show "Largados e Pelados". Vejamos:


"Largados e Pelados" é um reality show americano, no qual os participantes são enviados nus para lugares inóspitos para sobreviverem dias ou semanas. Muitos dos participantes são pessoas que não se conhecem, de sexos opostos e até mesmo casadas. Ocorre muito a situação de um homem casado dormir com uma mulher solteira ou casada, ambos nus, numa cabana improvisada.

Devia ser evidente para qualquer católico de consciência bem formada que o reality show é imoral, uma vez que promove o nudismo, a infidelidade e a imodéstia dos participantes. Lembremos que o compartilhamento de leito e cama (tori et mensae) e a visualização da nudez do próximo são direitos exclusivos dos esposos.

Porém, o que são verdades muito evidentes para este modesto blog são coisas inalcançáveis e incompreensíveis para o O Catequista. Notemos como a página responde a pergunta do seguidor.

Primeiro, o O Catequista, que tanto ataca os influencers, responde a pergunta igual um, isto é, dando bronca no seguidor e pedindo pra comprar o seu produto salvador.

Após, a página aborda a questão reduzindo o problema moral do programa à existência ou não de tapa sexo.

A resposta é bastante reveladora, porque, no fundo, traz à luz o que O Catequista verdadeiramente pensa sobre várias coisas. Fica mais fácil entender os seus posicionamentos morais, porque eles nada mais são do que uma consequência lógica da adesão de vários princípios morais laxos. Senão vejamos:

a) Se é possível aceitar que pessoas não casadas durmam juntas nuas, então não há inconveniência de um homem casado dar carona para uma colega do trabalho.

b) Se é possível assistir um programa de pessoas nuas cobertas apenas por um tapa sexo digital, então não há problemas de pessoas seminuas usarem biquínis ou sungas na praia.

c) Se é possível se entreter com um programa que incentiva o nudismo, a luxúria e a infidelidade conjugal, então que mal haveria em levar a família ao Carnaval, à praia ou aos festivais de Halloween?

Daí se vê que a dificuldade da página em condenar entretenimentos notadamente mundados decorre de uma consciência moral deficiente e cauterizada pelo laxismo.

Entretanto, para o que nos interessa neste artigo, a resposta revela ainda mais: o O Catequista adere todos os princípios que levaram Soriani à queda.

Expliquemos.

Ora, se é lícito ao católico assistir um programa de nudismo onde se pratica a infidelidade conjugal, como se pode condenar um homem casado, como Miguel Soriani, pelo compartilhamento de nudes com outras mulheres? 

Diríamos até que o O Catequista incentiva algo ainda mais grave, pois "Largados e Pelados" promove todas essas coisas em rede nacional enquanto Soriani o fez apenas no particular.

Alguém dirá: "Não é a mesma coisa. O Catequista defende o uso de "tapa sexo digital".

Na verdade, é a mesmíssima coisa. Como dissemos em vários lugares deste blog, não é o bastante cobrir as partes íntimas para tornar a coisa aceitável. É gravemente desonesto e pecaminoso não cobrir as partes privadas e semiprivadas quando se está na presença do sexo oposto, conforme ensina Antonio Peinador Navarro em "Cursos Brevior Theologiae Moralis":

"Não devem ser escusados de pecado grave as pessoas de diferente sexo que mutuamente se olham, conversam, passeiam, etc., quase nuas, nos balneários públicos, com trajes sumaríssimos que cobrem apenas as partes genitais dos homens ou das mulheres e os seios destas últimas. Embora não se procurem movidos por má intenção, entretanto o convívio demorado será necessariamente gravemente excitante. Ademais, quem assim se expõe à contemplação pública, comete pecado de grave escândalo" (COCULSA, Madrid, 1956, t. III, p. 596.)

E Dom Pius Mary Noonan em "Fig Leaves Are Not Enough: Open Letters on Modesty in Dress":

"Vamos começar descartando categoricamente e condenando vigorosamente o biquíni, para o qual não há literalmente nenhuma justificativa. Longe de respeitar a medida da modéstia, é o epítome da extrema e grave imodéstia. Embora satisfaça erroneamente o requisito legal de não estar nu (felizmente ainda existem leis na maioria dos lugares que proíbem a nudez pública), não atende aos requisitos da razão. Sejamos claros: usar um biquíni é estar nu, pela simples razão de que o próprio design não deixa opção ao olho a não ser ver as partes que faltam.
Uma observação simples provará meu ponto. Todos nós sabemos por experiência que tudo o que se destaca visualmente irá capturar e prender nossa atenção primeiro. Por exemplo, se temos um grupo de dez pessoas vestidas de preto e uma no meio vestida de vermelho, é a de vermelho que atrai a maior parte da atenção; a vermelha simplesmente se destaca. O primeiro ponto de interesse chama nossa atenção. Aplicando isso ao biquíni, quando o corpo nu de uma mulher tem apenas duas pequenas peças de roupa que cobrem as partes íntimas, mas revelam cuidadosa e intencionalmente sua forma, o olho do observador é, necessariamente, atraído precisamente para essas partes íntimas. Essas pequenas peças de roupa, portanto, não são projetadas para vestir, mas para revelar, atraindo toda a atenção para essa área. Sendo esse o caso, o observador está vendo essas áreas como objetos — isso explica por que o observador tende a objetificar a mulher — em vez de parte da pessoa inteira.⁠ Portanto, fica claro que o biquíni não é projetado para vestir, mas para despir. Em outras palavras, não se qualifica como roupa e parece ter sido projetado para despertar intencionalmente a luxúria nos homens. Aliás, se o biquíni fosse útil para nadar, nadadores profissionais os usariam, mas não o fazem. Sobre esse assunto, quando você for comprar roupas, lembre-se deste ponto fundamental: roupas são sobre esconder. Se você se pegar perguntando o quanto pode escapar em termos do que revela, você não está realmente procurando por roupas, mas por nudez."

Portanto, sim, o O Catequista é do mesmo time de Miguel Soriani. Debocham do último, mas Alexandre e Viviane Varela levam os filhos à praia moderna, com todos os problemas graves de imodéstia que ela tem, e defendem como eventual entretenimento dominical um programa cujo própósito é promover a nudez e a infidelidade matrimonial.  Pelas premissas aderidas pela página até mesmo a Banheira do Gugu estaria liberada para a família católica.

Em um nível mais profundo e considerando os princípios que se adota, portanto, conclui-se que O Catequista não é uma página realmente oposta ao comportamento de pessoas como Soriani, ao contrário, é uma investidora das mesmas ações (Stonks).

A pergunta do seguidor apenas relembrou vagamente ao O Catequista essa singela verdade, mas a página preferiu reprimir a própria consciência e chamar o seguidor de neurótico, maluco e sugerir a busca de um psicoterapeuta (pelos critérios da página podia ser o próprio Soriani).

Esse tipo de pertinácia do O Catequista já vimos em outros lugares, como demonstramos aqui (onde o O Catequista nega que a condenação dos Papas e teólogos dos banhos públicos seja das praias modernas), e não é um bom sinal. Em geral, significa uma cauterização profunda da consciência para diversos pecados.

Esperamos, no entanto, que um dia a página se atente para o que está fazendo e encaminhe seu apostolado para uma direção realmente sadia.


 

quarta-feira, 19 de junho de 2024

O Catequista e a Opção Preferencial pelo Laxismo

A página "O Catequista" publicou em seu Instagram um feed respondendo uma pergunta sobre festas de casamento LGBT. A pergunta e resposta seguiram o seguinte teor:

"Católicos podem prestar serviços para essas cerimônias? 

Profissionais autônomos e empresários católicos, muitas vezes, ficam em dúvida se devem ou não prestar serviço para cerimônias de casamento g@i. A resposta está na doutrina sobre a colaboração formal ou remota com o mal.

Não é pecado que um católico preste serviço em uma festa de casamento g@i (como confeiteiro, fotógrafo, cerimonialista, músico, etc.), pois a colaboração com o mal, nesse caso, é remota, e não formal.

São João Paulo II (Evangelium Vitae) explica que a cooperação formal com o mal acontece quando, com a sua ação, a pessoa participa diretamente na execução de um ato injusto. E também quando a sua ação sinaliza a aprovação daquele ato imoral."

O Catequista é conhecido por ser uma página católica de humor que busca explicar descontraidamente a doutrina católica. Contudo, sua característica principal dos últimos anos tem sido a sua tendência cada vez mais aberta pela OPL (Opção Preferencial pelo Laxismo), dando conselhos a dezena de milhares de pessoas altamente duvidosos e, muitas vezes, contrários à opinião comum dos teólogos.

Voltemos à postagem.

Primeiramente, notemos que a resposta do Catequista não versa sobre "matrimônios civis" LGBT, mas sobre festas, isto é, bailes e espetáculos que buscam comemorar a união entre pessoas do mesmo sexo. Em segundo lugar, O Catequista não se dirige para operários, mas para profissionais autônomos e empresários, ou seja, profissionais que possuem autonomia na prestação de serviços, isto é, de aceitar ou negar certo trabalhos.

O Catequista, infelizmente, não traz qualquer fonte que corrobore a sua interpretação de que a cooperação de profissionais autônomos e empresários numa festa imoral é apenas material. A alusão ao ensino de São João Paulo II em "Evangelium Vitae" apenas explica o que é a cooperação formal com o mal, porém não como ele se aplica a este caso concreto.

Tomemos, no entanto, para resolver essa questão, a definição fornecida pelo próprio O Catequista de cooperação formal com o mal, isto é, participação direta na execução de um ato injusto cuja cooperação sinaliza aprovação da má ação. A pergunta subsequente, portanto, é: qual ato injusto estamos falando?

Como aludimos acima, o objeto da postagem da página são as festas de casamento LGBT, em outras palavras, festas imorais, algo que O Catequista (ainda) não nega. Embora festas ou bailes em si mesmos não sejam imorais, a causa formal de uma festa LGBT seria a ideologia LGBT, isto é, a afirmação da licitude do pecado de inversão sexual. Portanto, uma festa realizada para especificamente reafirmar essa ideologia seria, em si mesma, imoral.

Reformulemos então a pergunta: É lícito ao católico, como profissional autônomo ou empresário, organizar festas, espetáculos e bailes em si mesmos imorais?

O Catequista responde que a prestação de serviços nesses casos seria apenas uma cooperação remota. No entanto, é, no mínimo, descuidada a resposta da página.

Para demonstrar isso, façamos uma rápida exposição da doutrina da cooperação com o mal. Segundo a síntese do teólogo Dominic Prummer em sua obra "Handbook of Moral Theology", a cooperação com o mal seria descrita nos seguintes termos:

DEFINIÇÃO E TIPOS. A cooperação no mal é a concordância no ato pecaminoso de outra pessoa. Conseqüentemente, a cooperação difere do escândalo na medida em que este último causa a má vontade do pecador (por conselho, ordem ou exemplo), enquanto a cooperação pressupõe a má vontade do pecador e é um meio de trazer essa má vontade vontade até a conclusão em ato externo.

1. A cooperação é imediata se for cooperação atual no pecado ato pecaminoso de outro (como na prática do onanismo); é mediata se fornece outros atos ou objetos que não estão tão intimamente ligados ao pecado do agente.

A cooperação mediata é próxima se a ajuda prestada for imediatamente relacionada com o pecado de outra pessoa, como vender veneno a um assassino; é remota quando a ajuda não está tão imediatamente ligada ao ato do outro, como vender um campo a um judeu que possa construir nele uma sinagoga.

2. A cooperação é formal se for dada ajuda a outro para cometer pecado enquanto pecado; é material se cooperarmos apenas na ação física. Conseqüentemente, a cooperação formal é um ato que é mau em si mesmo, tanto por causa de seu objeto quanto por causa da intenção do agente. A cooperação material é em si um bom ato que é abusado por outra pessoa para cometer pecado.

234. PRINCÍPIO. A cooperação formal no pecado de outra pessoa é sempre pecaminosa; a cooperação material às vezes é permitida.

A cooperação formal inclui o consentimento para o pecado de outra pessoa. Portanto, é uma ofensa não só contra a caridade, mas também contra a virtude violada pelo pecado em que se coopera.

A segunda parte do princípio deriva do fato de que a cooperação material é em si um bom ato que é abusado por outro através de sua própria maldade. Portanto, tudo o que foi dito sobre os atos que são indiretamente voluntários em n. 23 pode ser aplicado aqui e é usado para resolver casos que frequentemente surgem sobre diferentes assuntos relacionados com a cooperação de empregados, trabalhadores, lojistas, comerciantes, etc.

Em reforço à exposição de Prümmer, como é sempre ilícita a cooperação formal, segue-se como seria a aplicação prática desses princípios para a cooperação material de uma ação gravemente proibida, segundo o teólogo Antonio Royo Marín:

"Princípio: a cooperação puramente material com o pecado alheio pode ser lícita nas seguintes condições: a) se a ação com a qual se coopera é lícita em si mesma boa ou indiferente; b) caso se tenha reta intenção; e c) se há causa justa e proporcionada à gravidade do pecado alheio e à próximidade do concurso que se lhe presta.

Combinando estas condições de todos os modos possíveis, eis aqui os resultados aos  quais se pode chegar: 

1º) A UMA AÇÃO GRAVEMENTE PROIBIDA (v.g. comer carne em dia de abstinência) pode-se prestar colaboração puramente material com uma ação em si boa ou indiferente (v.g., preparando a carne, servindo-a, etc); 
a) Cooperação próxima e necessária, somente para evitar um dano muito grave (v.g., perda do emprego, ruína total do negócio);

b) Cooperação próxima e não necessária, ou remota e necessária, para evitar um grave dano próprio (v.g., perda notável de dinheiro, graves desgostos familiares, etc.).

c) Cooperação remota e não necessária, por dano leve (v.g. perda de um ganho ordinário, a indignação transitória do pai ou do amo, etc)."

(Teologia Moral para Seglares, Moral Especial, Livro II, Tratado I , n. 554.3)

De início, percebe-se que a resposta do O Catequista é realmente inadequada, pois presume que toda cooperação material sem anuência ao pecado do próximo é remota. Contudo, no caso concreto da participação de músicos, cerimonialistas e fotógrafos em uma festa LGBT, é patente que a prestação de serviços transita, minimamente, entre a cooperação imediata e a cooperação mediata próxima com o mal.

Músicos atuam como animadores da festa tornando-a lúdica e atrativa. Sobre a participação deles em festas imorais, assinala Royo Marín novamente em sua "Teologia Moral para Seglares":

"Os músicos não podem colaborar em espetáculos, salas de festas ou bailes francamente imorais, a não ser com causa muito grave (v.g. ficar sem o soldo necessário para viver), e ainda então deverão buscar outro meio de vida o quanto antes lhes seja possível. (Moral Especial, Livro II, Tratado I , n. 554.4.f)

Portanto, tendo em vista que músicos podem trabalhar em tais festas apenas se tiverem um motivo muito grave, presume-se que a cooperação deles é, de fato, imediata ou mediata próxima.

Os cerimonialistas por sua vez são os grandes organizadores da festa de casamento. A cooperação deles não se pode dizer que é meramente material, pois eles organizam a festa tal como desejam os clientes. No caso presente, eles organizariam segundo a índole de uma festa LGBT. A cooperação deles presume assentimento com o pecado dos clientes. Portanto, a cooperação deles é formal. Nesse sentido, citemos a autoridade do teólogo Teodoro del Greco em seu "Compêndio de Teologia Moral":

"Organizar bailes imorais e escandalosos é grave pecado de cooperação no mal." (n. 147)

Soma-se ainda ao pecado de cooperação formal o escândalo que promovem esses profissionais ao organizarem tais festas. A respeito, novamente, citamos Royo Marín:

"Cometem gravíssimo pecado de escândalo os compositores da letra e da música, as empresas que os apresentam em seus salões, os atores que atuam neles e os que contribuem com seu dinheiro e aplauso para sustentar esses espetáculos. E pecam gravemente os que assistem a eles sabendo de sua imoralidade ou periculosidade. Se animam outros a fazer o mesmo, são réus de grave escândalo.
Sob outro aspecto, cometem gravíssimo pecado de escândalo o autor, o compositor, o empresários, os atores e os colaboradores de uma representação na qual se impugna ou se ridiculariza a religião, ou a fé, ou os costumes cristãos. Pecam gravemente os que assistam a ela, mesmo descontando o perigo próprio e toda a aprovação. do irreligioso enquanto tal." (Moral Especial, Livro II, Tratado I , n. 550.5.d)

Portanto, o cerimonialista que coopera numa festa que reafirma o pecado de inversão sexual também comete grave pecado de escândalo.

Fotógrafos, por sua vez, em boa parte dos casos, são chamados não apenas para tirar fotos como também para produzir "álbuns de casamento". No caso de preparação de "álbuns LGBT", eles seriam equiparados a artesãos que fabricam objetos injuriosos ao sacramento do matrimônio. Segundo Royo Marín, nunca seria lícito fabricar tais produtos:

"Não é lícito jamais fabricar, preparar ou vender coisas aptas unicamente para o pecado (v.g., preservativos ou produtos anticoncepcionais, livros ou imagens totalmente obscenos ou injuriosos contra Deus ou contra a religião, etc." (Moral Especial, Livro II, Tratado I , n. 554.3.b)

A cooperação assim, na maioria das vezes, é realmente formal, pois o fotógrafo é contratado para registrar  plasticamente ações gravemente proibidas pela Igreja e pela lei natural. Integra o trabalho do fotógrafo de uma festa LGBT, por exemplo, pedir para que os noivos se posicionem enquanto casal ou tenham momentos de intimidade (v.g, "beijo dos noivos") para o registro das fotos.

Por fim, no caso de cozinheiros e confeiteiros em festas LGBT, em geral, sua cooperação será remota. Mas será, na maioria das vezes, uma cooperação remota e necessária, pois, em regra, não se realiza festas sem oferecimento de comida e bebida. Ou seja, não existiria uma festa de casamento sem o trabalho deles. Conforme a explicação que oferecemos de Royo Marín, a cooperação, neste caso, só seria admissível quando houvesse ameaça de grave dano pessoal.

Conclusão

Nota-se como as nuances da cooperação com o mal são variáveis. Ao contrário do que alega O Catequista, é perfeitamente possível alguém cooperar remotamente com o mal e pecar, se a cooperação for necessária para a realização da má ação.

O Catequista ao simplificar, de maneira grosseira, que nunca há pecado na cooperação remota com o mal apenas demonstra sua total falta de intimidade com a Teologia Moral da Igreja.

Essas simplificações da página que favorecem uma mentalidade laxa não são escusáveis. O Catequista possui mais de 100 mil no Instagram e sua responsabilidade pelas orientações que fornece que dá é grave.

Que possam reaver a postura do apostolado e tratar da maneira adequada os assuntos que abordam.


Católicas feministas odeiam homens católicos. E elas perderão tudo com isso.

Algumas páginas católicas feministas estão compartilhando um “estudo” que atesta que o movimento “tradwife” tem atraído homens que “odeiam” ...