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sexta-feira, 14 de março de 2025

Considerações sobre Frei Gilson e o Rosário da Madrugada.

 

Frei Gilson foi recentemente alvo de ataques de jornalistas de esquerda após afirmar em pregação que a mulher foi criada para ser auxiliar do homem. O jornalista Helder Maldonado fez o seguinte comentário na plataforma X:


A página católica de esquerda Katholicos Brasil também se manifestou, publicando um extenso comentário no qual chamou o frei de "fundamentalista":


Diversos católicos e figuras da direita brasileira reagiram aos ataques, destacando os números impressionantes do Frei Gilson, que reuniu 1,3 milhão de pessoas em seu Rosário da Madrugada às 4h da manhã no último dia 10 de março.

Diante desse cenário, abordaremos primeiramente a figura do Frei Gilson e, posteriormente, faremos uma análise do Rosário da Madrugada.

Sobre Frei Gilson

Frei Gilson é um sacerdote dos Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo, tem 38 anos e notabilizou-se nos últimos anos pelo famoso Rosário da Madrugada. Segundo o religioso, a ideia surgiu de seu desejo de realizar uma penitência mais significativa para Deus. Ele escolheu rezar um rosário às 4h da manhã e, posteriormente, abriu essa prática para outras pessoas, especialmente aquelas que sofriam de insônia, para que rezassem junto com ele.

Em pouco tempo, Frei Gilson viu suas transmissões ao vivo atraírem centenas de milhares de pessoas, chegando ao auge de mais de 1 milhão de participantes. Seu estilo carismático é evidente, como demonstram suas missas, que incluem momentos de louvor antes do Ofertório e são acompanhadas por instrumentos musicais como piano, bateria, violão e guitarra.


Todas essas imposturas carismáticas na liturgia nós nos afastamos e já comentamos extensamente nos artigos "Sobre o Tradismatismo" e "O PHN é um avivamento católico?". É grave o dever dos sacerdotes carismáticos de corrigir essa postura. Esperamos que Frei Gilson faça isso no futuro.

Embora essas práticas carismáticas na liturgia sejam alvo de críticas e mereçam correção, é importante notar que Frei Gilson se destaca de outros padres carismáticos. Ao contrário de figuras como Pe. Marcelo Rossi ou Pe. Fábio de Melo, ele não busca celebridade ou fama pessoal. Quando convidado a participar de podcasts, seu foco é a pregação, e suas mensagens são ortodoxas e acessíveis ao público mais simples. Em muitos aspectos, ele pode ser comparado a um "Pe. Paulo Ricardo do povão", transmitindo humildade e sinceridade em suas intenções.

Os ataques da esquerda a Frei Gilson revelam um equívoco fundamental sobre sua postura. Ele não se posiciona como um sacerdote engajado em disputas políticas ou como um "padre bolsonarista". Embora a direita brasileira busque associá-lo a seus valores, ele próprio não adota uma postura partidária. Assim, as críticas que o rotulam como "fundamentalista", "machista" ou "bolsonarista" parecem infundadas e desproporcionais, considerando a popularidade e a reputação do religioso.

Admiramos Frei Gilson por sua dedicação e compreendemos que os ataques contra sua pessoa são injustos e exagerados. A preocupação da esquerda em relação a 2026 é compreensível, pois Frei Gilson representa um símbolo de uma crescente adesão popular a valores religiosos e conservadores.

Ponderemos agora sobre o Rosário da Madrugada.

Sobre o Rosário da Madrugada

O Rosário da Madrugada parece ter surgido de uma moção divina, dado o grande número de pessoas que se reúnem em um horário tão improvável para rezar. Levantar-se às 4h da manhã é uma prática penitencial que contrasta com a cultura popular brasileira, mais associada a festas e diversões noturnas. Ver milhões de brasileiros dispostos a esse sacrifício espiritual é um fenômeno significativo.

O brasileiro é conhecido por ficar até tarde da noite em festas, baladas, carnaval e fazer vigílias para comprar ingressos de show das figuras mais patéticas possíveis como, por exemplo, Madonna:


Portanto, o brasileiro se levantar 4h da manhã para rezar o terço parece ser um verdadeiro despertar para a vida espiritual. Finalmente, o brasileiro começa a olhar para o céu.

O Rosário da Madrugada também tem atraído católicos afastados, pessoas mundanas e até protestantes. O youtuber Marlon Arlanas destaca o grande número de protestantes que acompanham a oração.


Os comentários de protestantes que acompanham o rosário do frei são numerosos. Coletamos alguns:



Ficamos satisfeitos em ver protestantes rezando o terço, pois o rosário é considerado um instrumento poderoso contra as heresias, como explica Pe. Paulo Ricardo em sua homilia "Santo Rosário, arma contra a heresia":


"Eis por que o Rosário é uma arma poderosíssima: nele estão condensadas todas as verdades em que cremos, as quais são um antídoto contra os erros e desvios de ordem não só intelectual, mas ainda prática e moral. Pela repetição litânica do Pai-nosso, da Saudação angélica e da doxologia, o Rosário é uma verdadeira escola de teologia, pois nos alimenta a fé, sem a qual é impossível agradar a Deus (cf. Hb 11,6), e impede-nos de naufragar no cisma e na heresia."

Compreendemos que o sucesso do Rosário da Madrugada é, de fato, uma daquelas obras da Providência que realizam grandes prodígios em terras brasileiras. Não há nação que concentre tamanha fertilidade espiritual como o Brasil, nem país em que Deus, nos últimos tempos, pareça ter mais prazer em manifestar suas obras.

Contudo, não obstante os méritos e os frutos visíveis obtidos pelo Frei Gilson por meio dessa devoção, é necessário apontar algumas ressalvas importantes. Aqui, convém ao leitor, especialmente aquele mais entusiasmado pelo trabalho do Frei Gilson, exercitar a maturidade espiritual ao considerar tais ponderações. Não são poucos os que interpretam qualquer questionamento como "implicância", "problematização gratuita" ou mesmo como um "ataque" pessoal ao religioso.

Cumpre deixar claro que não é próprio do autêntico católico render culto de personalidade a quem quer que seja. Nomes veneráveis como o de Pe. Paulo Ricardo, Frei Gilson ou qualquer outra figura digna de estima devem ser avaliados com respeito, sim, mas também com objetividade e discernimento. A verdade não se curva diante do prestígio pessoal, nem o bem se sustenta apenas em números impressionantes.

Tal reflexão, longe de ser um ataque, busca apenas relembrar que a fé, em sua essência mais pura, não se alimenta de ídolos ou de fenômenos de massa, mas sim do amor sincero à Verdade e ao Bem supremo, aquele que é o fundamento de toda verdadeira devoção.

Atualmente, os indicadores quantitativos do Rosário da Madrugada são notáveis, mas ainda se aguarda a confirmação de frutos duradouros e de um legado bem estabelecido. Afinal, como nos recorda a sabedoria evangélica, é pelos frutos que se conhece a árvore.

Portanto, enquanto esperamos que o tempo revele a profundidade dessa obra, não nos eximamos de fazer as observações que se mostram pertinentes. A fé, para ser robusta, não teme o exame; e a verdade, para brilhar, não foge à luz da reflexão honesta.

Pois bem. Há, em essência, duas questões que devem ser ponderadas acerca do rosário da madrugada, e a cada fiel cabe examinar sua própria situação com prudência e discernimento:

1. Se o rosário da madrugada não interfere nos deveres de estado

Ainda que as primeiras horas da manhã sejam, por excelência, um tempo propício à oração, o mais desejável é que estas se realizem de maneira a não prejudicar as obrigações cotidianas.

As orações durante a madrugada, especialmente para o leigo sobrecarregado de responsabilidades, podem colidir com os deveres do estado de vida. Não por acaso, existe uma edição do Breviário destinada aos leigos que omite as horas de terça, sexta e nona, já pressupondo a limitação de tempo daqueles que vivem no mundo e não em um claustro.

Portanto, é imprescindível avaliar a conveniência de adotar essa prática devocional. Como ensina São Francisco de Sales em "Filotéia":

"A verdadeira devoção nada destrói; ao contrário, tudo aperfeiçoa. Por isso, caso uma devoção impeça os legítimos deveres da vocação, isso mesmo denota que não é uma devoção verdadeira." (Parte I, cap. 3)

Convém lembrar que Frei Gilson é um religioso, habituado a rezar o Breviário em momentos do dia que um leigo, em geral, não teria condições de dedicar à oração.

2. Se o rosário da madrugada favorece o progresso na oração

A principal finalidade da oração vocal, segundo os mestres da espiritualidade, é inflamar o coração no amor a Deus. Nesse sentido, não importa tanto  a quantidade de orações e nem quão cedo se acorda para rezá-las, mas sim o fervor da caridade que elas despertam na alma. Como adverte Antonio Royo Marín em "Teologia da Perfeição Cristã":

"1ª Não é conveniente multiplicar as palavras na oração, mas insistir sobretudo no afeto interior. Adverte-nos expressamente o Senhor no Evangelho: «Quando orardes não faleis muito, como os gentios, que pensam serem escutados à força de palavras Não vos assemelheis a eles, pois vosso Pai conhece perfeitamente as coisas de que necessitais antes que as peçais» (Mt 6,7-8). Tenham-no em conta tantos devotos e devotas que passam o dia recitando orações inacabáveis, talvez com descuido de seus deveres mais urgentes.

2º Não se confunda a prolixidade nas formulas de oração, que deve cessar quando se tenha alcancado o afeto ou fervor interior, com a permanência na oração enquanto dure fervor. Este último é convenientissimo e deve prolongar-se todo o tempo que seja possivel, inclusive várias horas, se é compatível com os deveres do próprio estado (cf. 83,14 ad 1,2 et q.). O próprio Cristo nos deu exemplo de longa oração, passando nela, ás vezes, noites inteiras (Lc 6,12) e intensificando-a no meio de sua agonia no Getsemani (Lc 22,43), embora sem multiplicar as palavras, mas empregando sempre a mesma fórmula breve: «fiat voluntas tua».

3 Como o fim da oração vocal é excitar o afeto interior, não devemos vacilar um instante em abandonar as orações vocais, a não ser que sejam obrigatórias, para nos entregarmos ao fervor interior da vontade, quando este tenha brotado com força. Seria um erro muito grande querer continuar então a oração vocal, que já havia perdido toda sua razão de ser e poderia estorvar o fervor interior." (n. 495)

Um erro comum entre os devotos do rosário da madrugada é cair no que Adolphe Tanquerey, em seu "Compêndio de Teologia Ascética e Mística", chama de "fervor indiscreto dos principiantes". Trata-se de um zelo precipitado, em que a pessoa se lança a múltiplos esforços de perfeição sem ponderar se tais práticas realmente a santificam:

"A causa principal deste defeito é substituir a própria atividade à de Deus: em vez de refletir antes de operar, em vez de pedir e seguir as luzes do Espírito Santo, precipita-se o homem na ação com ardor febril; em vez de consultar o diretor, faz primeiro o que quer, e só depois é que lhe vai dar conta do fato consumado; donde um sem-número de imprudências, esforços perdidos sem conta: <<magni passus extra viam>>."

Muitos adotam o rosário da madrugada por simples imitação, movidos pela onda do momento, sem um exame criterioso. Contudo, essa prática traz consigo alguns inconvenientes que não podem ser ignorados.

a) O horário. Sendo de madrugada, é naturalmente um período incômodo para a maioria dos leigos, que necessitam de energia para cumprir seus deveres de estado ao longo do dia. O corpo humano, apesar de toda a sua complexidade, ainda não aprendeu a dispensar o repouso, e privar-se dele em nome de uma devoção pode ser mais imprudência que piedade.

b. O uso de telas. Para acompanhar o terço da madrugada, a pessoa precisa acessar plataformas como YouTube ou Instagram, territórios fecundos para a distração. A cada oração rezada, surgem também opções profanas para clicar, mensagens a verificar e conteúdos que atiçam a curiosidade. Ademais, as telas não apenas cansam os olhos, mas também vínculam o orante a consolações sensíveis e imediatas. Querendo ou não, abrir essas plataformas aciona os mecanismos de dopamina em muitos. Uma alternativa mais sóbria e superior às telas são os devocionários impressos, pois são menos lúdicos e dedicam-se exclusivamente à oração.

c. A extensão do tempo. Frei Gilson reza o rosário completo – os 15 mistérios – seguido de uma meditação e, por fim, celebra a missa. Somente o rosário consome cerca de duas horas; se o fiel acompanhar todo o programa, ultrapassará quatro horas. Ora, como já mencionado, as orações vocais, especialmente pela manhã, não devem ser excessivamente longas e extenuantes, mas o suficiente para acender o fervor interior, sem consumir as energias necessárias para o restante do dia.

d.  A substituição da oração pessoal pela coletiva no horário mais precioso para a meditação. Embora a oração comunitária, sobretudo a litúrgica, seja objetivamente superior, a oração particular é mais eficaz para a santificação individual da alma. Como ensina o teólogo Antonio Royo Marín:

"Não esqueçamos que, em definitivo, é cada alma quem ora, porque mesmo a oração comum cada um deve apropriar-se e personalizar, e nem sempre as funções e fórmulas comuns correspondem às pré-disposições pessoais. É, naturalmente, o sujeito quem deve procurar acomodar-se ao espírito religioso da Igreja. Porém, é indubitável que muitas vezes o orante encontra na liberdade de sua comunicação pessoal com Deus, maior facilidade e maior fruto." (Teologia da Perfeição Cristã, n. 489)

Com efeito, a experiência espiritual indica que a oração individual produz frutos mais profundos para a alma na maioria dos casos. E, como sublinha o Pe. Lucas Altmeyer (IBP) no sermão "Os Católicos Barulhentos e a Presença de Deus":

"O melhor momento para a oração é a manhã, porque a agitação do dia ainda não dissipou o nosso espírito. É uma questão natural. Nós ainda não estamos mergulhados nas preocupações do dia. Estamos mais recolhidos, mais propícios ao recolhimento. Quem perde a oração da manhã tem grande chance de ser um fracassado na vida de oração durante o dia também."

Portanto, embora o rosário da madrugada possa ser praticado com boa intenção, é necessário ponderar se tal prática não está substituindo silenciosamente aquilo que é mais simples, mais silencioso e, paradoxalmente, mais profundo: a oração pessoal no segredo da manhã silenciosa, quando a alma, ainda não dispersa pelas inquietações diárias, pode fitar o Criador com um coração indiviso.

e. Os ruídos. O rosário do Frei Gilson, embora mais sóbrio que o habitual em círculos carismáticos, ainda preserva aquela "Voz Gigantesca" que, por mais que tentemos, nunca conseguimos silenciar completamente. Os discursos do Frei, o violão com suas melodias worship, são como ecos que reverberam em nossos corações. E, como não poderia deixar de ser, tudo isso é transmitido, sem filtros ou pausa, diretamente no Instagram ou no YouTube. Em outras palavras, a "guloseima espiritual" se mistura ao ruído constante, logo na primeira oração da manhã, como um banquete oferecido com pressa.

O Beato Frei Maria Eugênio do Menino Jesus, OCD, em sua obra "Quero ver a Deus", nos adverte que o progresso na oração demanda de nós "exigências muito particulares de silêncio e solidão". Ele nos recorda que, para ouvir a verdadeira voz de Deus, devemos primeiro aprender a silenciar o mundo ao nosso redor — uma arte cada vez mais difícil em tempos de excessos. A reflexão é clara: como pode a alma alcançar Deus, se não é capaz de ouvir a própria voz na quietude?:

"Toda a tarefa que exige aplicação séria das nossas faculdades supõe o recolhimento e o silêncio que a tornam possível. O estudioso tem necessidade de silêncio para pre-parar suas experiências, para anotar-lhe com cuidado as condições e os resultados. O filósofo recolhe-se na solidão para ordenar e penetrar seus pensamentos.

Este silêncio, que o pensador procura avidamente para dar à reflexão todas as suas energias intelectuais, será ainda mais necessário à pessoa espiritual para aplicar toda a sua alma na busca do seu objeto divino.

No sermão da montanha, Jesus nos fala da necessidade da solidão para a oração:

Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechando tua por-ta, ora ao teu Pai que está lá, no segredo; e teu Pai, que vê no segredo, te recompensará.

A oração contemplativa própria das regiões a que chegamos tem exigências muito particulares de silêncio e solidão. A Sabedoria divina, na contemplação, não esclarece apenas a inteligência; ela atua sobre a alma toda inteira. Por isso, exige desta última uma orientação do ser, um recolhimento e uma pacificação daquilo que há de mais profundo nela, a fim de receber a ação de seus raios transformadores." (p. 492-493)

O Pe. Lucas Altmeyer no mesmo sermão que citamos também diz:

"Não é possível conciliar o barulho com a vida espiritual. Música barulhenta, missa barulhenta, oração barulhenta, grupo de oração barulhento, instrumentos barulhentos e até padre barulhento são um fracasso na nossa vida espiritual. Missa barulhenta é um fracasso na nossa vida de oração. Grupo de oração barulhento é um grupo fajuto de oração.

Você pode se sentir bem, você pode gostar sensivelmente de estar ali, mas não significa que você está rezando, ainda que sensivelmente você esteja contente.

A oração verdadeira tem como essência a consciência da presença de Deus e esta presença é silenciosa. Só o silêncio e o recolhimento podem nos dar a verdadeira presença de Deus.

Vocês conhecem a história do Profeta Elias que lemos na Sagrada Escritura. Deus mandou [Elias] subir ao Monte e disse que Ele mesmo passaria diante de Elias. [...] Deus se encontrava na brisa suave. Por isso um católico barulhento jamais encontrará Deus de verdade e muito menos poderá viver na presença do Senhor."

Todos esses inconvenientes deveriam incitar, antes de mais nada, uma reflexão desapaixonada e objetiva: seria o rosário da madrugada, afinal, um instrumento verdadeiramente útil para o progresso na oração, ou apenas uma distração revestida de fervor? Aquele que possui uma grande família — algo raro entre os carismáticos, sem dúvida — deve ponderar: será que vale a pena sacrificar tantas horas da madrugada para rezar o rosário diante das telas, ou seria mais proveitoso unir-se à sua família e rezá-lo em um horário mais apropriado, no calor da convivência familiar?

Para aquele que se encontra excessivamente preso às consolações sensíveis, a questão se impõe com a mesma urgência: vale a pena ceder à tentação de ligar o computador ou o celular nas primeiras horas da madrugada, abrindo as portas do Instagram ou do YouTube, quando o verdadeiro desafio seria, ao contrário, cultivar o desapego? E, por último, para o que deseja superar as dificuldades da oração — distrações, desânimo, secura da alma, e o apego constante às consolações — deve refletir se, na realidade, entregar-se à oração coletiva é a solução definitiva, ou se o mais sábio seria enfrentar, com coragem e sem subterfúgios, as adversidades espirituais em solitário combate.

É evidente, portanto, que não há justificativa alguma para seguir modismos ou ceder à curiosidade vazia. A vida espiritual, de uma seriedade incomensurável, não pode ser arriscada em aventuras impensadas. Aquele que a cultiva deve ser maduro e, acima de tudo, aplicar, com sabedoria, apenas aquilo que, de fato, o une verdadeiramente a Deus.

Mesmo durante a Quaresma, as penitências precisam ser escolhidas com cuidado. Nenhuma alma deve se entregar ao rosário da madrugada "porque sim". Cada penitência deve ser revestida de um propósito claro e específico. Nesse sentido, não podemos deixar de recomendar com veemência o Sermão do Pe. Ivan Chudzik (IBP), intitulado "O que a Quaresma não é: três ilusões sobre a penitência", para que, ao buscarmos a renovação espiritual, saibamos verdadeiramente o que devemos evitar.


Compreendemos que o Rosário da Madrugada é uma devoção inicial, que serve como um suave convite aos católicos de IBGE ou àqueles que, distantes da Igreja, buscam uma reaproximação com o Sagrado. Semelhante a muitas iniciativas da Renovação Carismática, esta prática tem o poder de reacender a chama da fé em corações resfriados. Contudo, é preciso refletir que o católico que, ao longo dos anos, tem se empenhado na vida de oração, e que já percorreu um longo caminho de fé, dificilmente se verá despertando ao romper da madrugada para acionar as telas de um computador ou celular, buscando rezar por meio do YouTube ou Instagram — salvo em casos muito pontuais. Ao contrário, esse fiel cultivará sua oração em um espaço mais íntimo e silencioso, onde o recolhimento e a solidão se tornam o solo fecundo para o diálogo com Deus. Ele reservará a oração coletiva para momentos específicos, como o terço em família ou a novena na igreja.

Feita estas ressalvas, desejamos que o Rosário da Madrugada, como um portal sagrado para muitos, seja luz e guia na conversão dos corações e no despertar das almas para a superação da acídia espiritual. Que aqueles que, porventura, cruzarem o limiar desta porta de fé possam florescer em toda a sua plenitude, jamais se afastando da graça divina, e assim, alcançar a devoção que jamais se apaga – o rosário permanente, a vida eterna.

sábado, 14 de setembro de 2024

Paul Fahey, feministo do "Where Peter Is", fala groselha sobre Efésios 5

 

Recentemente, o colunista Paul Fahey do site católico progressista "Where Peter Is" publicou o artigo "What the Church no longer teaches about Ephesians 5" (O que a Igreja não ensina mais sobre Efésios 5). No corpo do artigo, Paul busca argumentar que a Igreja abandonou ensino da liderança do marido sobre a esposa. Para tanto, baseia-se em alguns fundamentos:

1. O silêncio recente da Igreja a respeito da liderança do marido;

2. A ênfase na ideia de submissão mútua;

3. A recente ponderação do Papa Francisco da necessidade de interpretação de certas passagens do Novo Testamento a respeito das mulheres.

Tratemos desses pontos um por um.

Quanto ao suposto silêncio da Igreja acerca da liderança do marido

Fahey argumenta que o "Magistério vivo" da Igreja, desde o Concílio Vaticano II, não têm usado a linguagem da "liderança" nos seus documentos magisteriais:
"Com isso em mente, é importante declarar que nem o Catecismo, nem qualquer outro documento de ensino pós-Vaticano II sobre o casamento usa a linguagem de “liderança”. Em sua Carta Apostólica sobre a dignidade das mulheres , São João Paulo II interpreta a linha de liderança de Efésios 5 como significando submissão mútua. Ele escreveu: “o marido é chamado de 'cabeça' da esposa como Cristo é a cabeça da Igreja”, mas “no relacionamento entre Cristo e a Igreja a sujeição é somente por parte da Igreja, no relacionamento entre marido e mulher a 'submissão' não é unilateral, mas mútua” (MD 24)."

Contudo, como demonstramos no artigo "O que significa a submissão mútua de São João Paulo II?" é falso que a Igreja após o Concílio jamais tenha usado a linguagem da liderança para se referir ao marido. Na Encíclica "Laborem Exercens", São João Paulo II chama literalmente o homem de "chefe de família":

"Uma justa remuneração do trabalho das pessoas adultas, que tenham responsabilidades de família, é aquela que for suficiente para fundar e manter dignamente uma família e para assegurar o seu futuro. Tal remuneração poderá efetuar-se ou por meio do chamado salário familiar, isto é, um salário único atribuído ao chefe de família pelo seu trabalho, e que seja suficiente para as necessidades da sua família, sem que a sua esposa seja obrigada a assumir um trabalho retribuído fora do lar." (n. 19)

Portanto, se São João Paulo II, autor da expressão "submissão mútua", é o mesmo Papa que ensina que o homem é "chefe de família", então não é lícito pensar que a Igreja, pelo fato de ter diminuído a ênfase no ensinamento da liderança do marido, tenha descartado essa doutrina.

Na verdade, a Igreja, de tempos em tempos, enfatiza certas doutrinas por razões pastorais e isso é absolutamente normal. Podemos concordar ou discordar se a estratégia está sendo eficaz ou não, mas a simples mudança ênfase não pode nos autorizar a simplesmente descrer na doutrina "negligenciada", se a Igreja expressamente não "descreu".

Ademais, Fahey ignora que o Magistério já estabeleceu que a estrutura hieráquica da família não é mutável.

Nesse sentido, Pio IX na Encíclica "Arcanum Divinae Sapientiae":

"Os deveres de ambos os cônjuges foram plenamente definidos e os seus direitos perfeitamente estabelecidos."

Pio XI em "Casti Conubii":

"O grau e o modo desta sujeição da mulher ao marido pode variar segundo a variedade das pessoas, dos lugares a dos tempos; e até, se o homem menosprezar o seu dever, compete à mulher supri-lo na direção da família. Mas em nenhum tempo e lugar é lícito subverter ou prejudicar a estrutura essencial da própria família e a sua lei firmemente estabelecida por Deus.

No livro "Casamento e Família", publicado pela Castela Editoral, encontramos as seguintes alocuções de Pio XII:

“Toda família é uma sociedade; toda sociedade bem ordenada exige um chefe, e todo poder de comandar vem de Deus. Por isso, a família que fundastes também tem um chefe a quem Deus conferiu autoridade sobre aquela que se doou a ele como companheira, e sobre as crianças que, com a benção de Deus, virão aumentar e alegrar a família.”

“Ó esposas e mães cristãs, não cedais nunca à tentação de usurpar o centro familiar! O vosso cetro amoroso deve ser o cetro que o Apóstolo das nações põe nas vossas mãos: a salvação pela maternidade.” 

“O conceito cristão do matrimônio, que São Paulo ensinava a seus discípulos de Éfeso e Corinto, é claríssimo: “As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja.”. [...] Não provém essa doutrina e esse ensinamento de Cristo?”

Disto vemos que (i) a Igreja pré-conciliar ensina que a estrutura hierárquica da família não é apenas um condicionamento cultural, como Fahey quer nos fazer crer, mas uma realidade imutável; e que (ii) a Igreja pós-conciliar continua ensinando que o homem é verdadeiro chefe da família. Simplesmente não há espaço para jogar a carta do "Magistério vivo" para legitimar heresias feministas.

Quanto à ênfase na ideia de submissão mútua

Fahey adverte o "fato novo" da Igreja, a partir da encíclica "Mulieres Dignitatem", estar enfatizando mais a doutrina da "submissão mútua" dos esposos.

Bom, nos perguntemos então: Isto quer dizer alguma coisa? Se sim, isto quer dizer alguma coisa nova?

Fahey simplesmente não fala no que consistiria de "novo" aqui. Apenas deixa no ar e na insinuação como todo progressista com prurido de novidades gosta de fazer. Insinua que a "Igreja está mudando", que a "doutrina está sendo aos poucos alterada", mas não diz porque nem como.

No entanto, conforme explicamos no artigo "O que é submissão mútua de São João Paulo II?", a submissão mútua dos esposos nada mais é, em termos tradicionais, do que a reciprocidade de deveres do casal.

A razão dessa ênfase é assim explicada pelo escritor católico Germain Grisez:

“Até recentemente, o ensino papal enfatizava o dever de obediência da esposa; mas João Paulo II centra-se na submissão mútua dos cônjuges. As expressões retóricas dos ensinamentos papais anteriores e atuais refletem, é claro, contextos sociais muito diferentes; mas as proposições ensinadas devem ser consideradas, não como inconsistentes, mas como diferentes elementos de verdade, a serem integrados numa visão única e coerente.

Não se deve supor que João Paulo II rejeite a tradição. Dado que os papas, assistidos pelo Espírito Santo, tentam articular a mesma fé, na ausência de provas convincentes, não se deve pensar que os novos ensinamentos contradizem os antigos. Assim, se possível, os diferentes ensinamentos papais devem ser entendidos como compatíveis, e uma leitura cuidadosa mostra que podem ser.” (The Way of the Lord Jesus, vol. 2)

Ele continua:
"Não se pode ler nos ensinamentos de João Paulo II a negação do dever da esposa de obedecer ao marido sem supor que ele esteja dizendo que as esposas não precisam estar sujeitas aos seus maridos. Contudo, o Papa não diz isto, mesmo quando compara a dominação masculina à escravatura. Em vez disso, enfatizando que um marido deve amar a sua esposa de uma forma abnegada, ele afirma que a sujeição deve ser mútua. A implicação não declarada é que, embora a esposa não precise submeter-se à dominação egoísta do marido, ela permanece sujeita à autoridade corretamente exercida por ele."

E depois conclui:

"Grande parte da nova ênfase no ensinamento de João Paulo II pode ser explicada por sua preocupação em reivindicar a dignidade das mulheres contra a dominação masculina. Quando um homem domina sua esposa, o abuso do seu papel perturba a harmonia entre dois aspectos essenciais do casamento: (i) comunhão de duas pessoas iguais em dignidade e direitos, e (ii) colaboração de duas pessoas com capacidades e funções corporais complementares. Quando o casal se sujeita um ao outro por reverência a Cristo, esses dois aspectos são inteiramente harmoniosos."

Como observamos, Grisez explica que a nova ênfase do ensinamento de São Paulo II se dá em razão da atual pastoral da Igreja de ressaltar a dignidade das mulheres contra o abuso de poder masculino. Em outras palavras, a ênfase dada à submissão mútua é simplesmente em razão do novo contexto social, e não por motivo de mudança doutrinária da Igreja.

Já indicamos neste blog que a Igreja nunca considerou a autoridade do marido sobre a esposa, em si mesma, como um abuso de poder.

A ausência de mudança doutrinária fica ainda mais evidente com as declarações do Diretório Homilético Discatério para o Culto Divino, que esclarece que a "submissão mútua" nada mais é do que as mútuas responsabilidades dos esposos. A esposa continua devendo obedecer ao marido. "Em troca" o marido deve dar a vida pela sua eposa:

"A instrução do Apóstolo de que as esposas devem ser subordinadas aos seus maridos pode ser perturbadora para as pessoas de nossos dias; se o homilista não planeja falar sobre essa diretriz, pode ser mais prudente usar a versão mais curta da leitura. No entanto, as passagens difíceis das Escrituras geralmente têm mais a nos ensinar, e essa leitura fornece uma oportunidade para o homilista abordar um tema que pode ser desagradável aos ouvidos modernos, mas que de fato faz um ponto valioso e necessário quando devidamente compreendido. Podemos obter uma visão do significado deste texto consultando um semelhante, Efésios 5:21-6:4. Lá também Paulo está falando sobre as responsabilidades mútuas da vida familiar. A frase-chave é esta: "Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo" ( Ef 5:21). A originalidade do ensinamento do Apóstolo não é que as esposas devem ser submissas aos seus maridos; que era simplesmente presumido na cultura de sua época. O que é novo, e distintamente cristão, é, primeiro, que tal submissão deve ser mútua: se a esposa deve obedecer ao marido, o marido, por sua vez, deve, como Cristo, dar a própria vida por sua esposa. "

Fahey ao falar de "submissão mútua" grita e espera por novidades revolucionárias, mas, para sua infelicidade, o que nos aparece é apenas o frescor da doutrina de sempre.

Quanto à recente ponderação do Papa Francisco sobre certas passagens do Novo Testamento a respeito das mulheres

Fahey, por fim, refere-se à resposta às dúbia feita Papa Francisco, em 2023, para insinuar que as passagens das Escrituras sobre a liderança do marido estão sob "revisão" do "Magistério Vivo" da Igreja, que hoje silencia sobre o tema. Vejamos a resposta dada pelo Papa:

“Embora seja verdade que a Revelação Divina é imutável e sempre vinculativa, a Igreja deve ser humilde e reconhecer que ela nunca esgota sua riqueza insondável e precisa crescer em sua compreensão. Consequentemente, ela também amadurece em sua compreensão do que ela mesma afirmou em seu Magistério. Mudanças culturais e novos desafios na história não modificam a Revelação, mas podem nos estimular a expressar melhor certos aspectos de sua riqueza transbordante, que sempre oferece mais. É inevitável que isso possa levar a uma melhor expressão de algumas declarações passadas do Magistério e, de fato, esse tem sido o caso ao longo da história.

Por um lado, é verdade que o Magistério não é superior à Palavra de Deus, mas também é verdade que tanto os textos da Escritura quanto os testemunhos da Tradição requerem interpretação para distinguir sua substância perene do condicionamento cultural. Isso é evidente, por exemplo, em textos bíblicos (como Êxodo 21:20-21) e em algumas intervenções magisteriais que toleraram a escravidão (Cf. Papa Nicolau V, Bula  Dum diversas , 1452). Esta não é uma questão menor, dada sua conexão íntima com a verdade perene da dignidade inalienável da pessoa humana. Esses textos precisam de interpretação. O mesmo se aplica a certas considerações no Novo Testamento sobre as mulheres (1 Coríntios 11:3-10; 1 Timóteo 2:11-14) e outros textos da Escritura e testemunhos da Tradição que não podem ser materialmente repetidos hoje” (resposta de 2023 a  Dubia).

O que de cara reparamos é que o trecho não menciona Efésios 5 e que o Papa Francisco não diz que esta passagem não pode ser repetida materialmente hoje. Se o fizesse, entraria em contradição com o Diretório Homilético, que ele mesmo aprovou, no qual se afirma que Efésios 5 pode ser repetido nas pregações.

O Papa também não diz que as passagens de 1 Coríntios 11:3-10 e 1 Timóteo 2:11-14 não podem ser mais ensinadas atualmente, mas apenas pondera que não podem ser repetidas materialmente, isto é, sem a devida contextualização e interpretação:

Por um lado, é verdade que o Magistério não é superior à Palavra de Deus, mas também é verdade que tanto os textos da Escritura quanto os testemunhos da Tradição requerem interpretação para distinguir sua substância perene do condicionamento cultural. [...] Esta não é uma questão menor, dada sua conexão íntima com a verdade perene da dignidade inalienável da pessoa humana. Esses textos precisam de interpretação.

Com efeito, ou tais trechos precisam ser contextualizados para distinguir o dogma da Igreja daquilo que é temporal, cultural ou disciplinar ou precisam ser interpretados para demonstrar a compatibilidade da posição da Igreja em alguns momentos históricos com a dignidade do ser humano. 

1 Coríntios 11,3-10 fala basicamente do uso do véu, ou seja, uma questão cultural dos povos e disciplinar da Igreja. Cabe, portanto, a distinção do que é dogma e do que não é.

Já 1 Timóteo 2,11-14 ensina que não cabe à mulher ensinar. Para os ouvidos modernos, o texto é verdadeiramente aterrador, dado que, hoje, há tantas mulheres em posição de ensino. Contudo, a essência do texto revela duas coisas:

(i) que não cabe às mulheres, no contexto do casamento, a posição de ensinar como se fossem guias dos seus maridos;

(ii) que as mulheres devem ser modestas no falar, pois a loquacidade feminina tende a lhe induzir a muitos erros. As mulheres possuem uma inteligência mais emocional que a dos homens. Por isto, ensina o Apóstolo, devem se preocupar mais em aprender do que falar. São Paulo ensina que quando a loquacidade feminina foi protagonista, ou seja, quando a mulher quis domar o homem pelo ensino, a humanidade caiu no pecado original. O mesmo é dito por  Pio XII quando explicou em 1949 a razão do homem ser o chefe do gênero humano. Ensina o Papa que o homem não se deixou enganar pela serpente e nem pela mulher, mas pecou em razão da sedução de Eva:

“Sim, a autoridade do chefe de família vem de Deus, assim como veio de Deus para Adão a dignidade e a autoridade de primeiro chefe do gênero humano, dotado de dons que transmitiria à sua posteridade. Por isso, Adão foi criado primeiro, e Eva depois. E, como diz São Paulo, Adão não foi enganado, mas foi a mulher que se deixou seduzir e transgrediu.” (Alocução aos recém-casados, de 10 de setembro de 1949:)

O homem é mais difícil de enganar por ter uma razão mais objetiva do que a da mulher. Por isso a liderança naturalmente lhe convém mais.

Essas lições são muito preciosas e explicam muito a razão de muitas moças católicas, na medida que usam, por exemplo, o Instagram, para serem "autoridades", ficarem mais progressistas e, quase sempre, caírem no malfadado feminismo. Mulheres tendem a se perder quando concorrem com os homens por liderança. 

Por isso ressalta São Paulo que a salvação da mulher vem pela maternidade. É na esfera da educação dos filhos (não do marido) que sua contribuição de ensino é valiosa. Em regra geral, se a mulher tentar dominar seu marido, o resultado será a ruína da família.

Quem nunca reparou que nos primeiros anos escolares a maioria dos professores são mulheres, mas, quando começa o Ensino Médio, a maioria já é de homens? Não é esta uma forma de ilustrar que a esfera adequada do ensino da mulher é junto dos filhos? Não ilustra a inadequação de uma mulher ficar guiando homens adultos?

A passagem de Timóteo, portanto, precisa ser explicada. Ela não quer dizer que a mulher nunca pode ensinar, e sim que devem ensinar na sua esfera adequada.

Vemos que Fahey erra em todas as ponderações que faz. Mas por que esse sujeito erra tanto? Primeiro, por não ter fidelidade real ao Magistério. É um continuísta cooptado por progressistas, o que facilmente se degenera em modernismo. Se o Magistério enfatiza certas doutrinas e não outras em certo período histórico, a cabeça dele já pensa em termos de "mudança doutrinal", "evolução do dogma", e não em uma eventual pastoralidade adotada pela Igreja para uma determinada circunstância. Segundo, por culpa dos pastores. A expressão "submissão mútua", de fato, não é muito bem explicada pelos pastores. Este blog precisou fazer uma acurada investigação para esclarecer o significado da expressão. Inserir expressões não tradicionais na Teologia é perigoso. Deixar ao vento expressões que, aparentemente, contradizem o Magistério anterior sem dar muita explicação, é abrir terreno para o Inimigo das almas e para os mestres do erro.

terça-feira, 18 de junho de 2024

O Erro do Catolicismo Sociológico (Pe. Luiz Gonzaga D'Elboux)



Os Papas sempre puxaram a orelha do episcopado latino-americano por sua tendência de sobrepor a política, as causas sociais e sociologia à teologia. Abaixo uma importante citação de um trecho do livro "Crise Religiosa" do Padre Luiz Gonzaga D'Elboux:

"Dentre os erros que Paulo VI citou no discurso de 15 de janeiro (1969), considerados arbitrariamente quais exigências do Concilio Vaticano II, quero destacar hoje o seguinte: "a sociologia como critério principal e determinante do pensamento teológico e da ação pastoral". É aquela "aquiescência às correntes filosóficas ou sociológicas do momento histórico que foi denunciada pelo Papa na abertura do Sinodo Mundial de Bispos, a 29 de setembro de 1967. Não foi sem razão que o mesmo Pontifice, ao falar em Bogotá a todo o Episcopado latino-americano, exortou-o a que imprimisse à sua atividade "uma orientação espiritual em primeiro lugar" - com a valorização da Fé, da oração e das virtudes cristas. Em segundo, vem a orientação pastoral com a evangelização e a liturgia. E só em terceiro lugar, a social com a defesa e aplicação da sociologia católica. Sobre este último ponto, o Santo Padre se pronunciou nitidamente, na ocasião: "Entre os diversos caminhos para uma justa regeneração social, nós não podemos escolher nem o do marxismo ateu, nem o da rebelião sistemática, nem muito menos o do derramamento de sangue e o da anarquia... A violência não é evangélica nem cristã".

Mas ainda sem o caráter subversivo, a Sociologia não pode substituir ou sufocar nossa Teologia, quer dogmática quer moral. Noutras palavras: a Religião não se reduz a questões sociais, que de si não incluem formalmente a essência do Cristianismo. Portanto não se requer a solução dos problemas sócio-econômicos e políticos para se poder evangelizar e santificar a sociedade. Aliás, a justiça perfeita, o nivelamento das classes e até a igualdade dos direitos nunca se conseguirão nesta vida terrena. Menos ainda, se os homens não se cristianizarem antes.

[...]

Errados pois andam os que, preocupando-se acima de tudo com a questão social, pregam aos fiéis somente ou principalmente os seus presumíveis direitos contra os ricos e os patrões, numa "conscientização" mesclada de ressentimento, como bem a fazem os comunistas para excitar ódios e revoltas. Há homilias e publicações que se comprazem no negativismo de apontar injustiças, sem apresentar os meios razoáveis para remediá-las..."

- Pe. Luiz Gonzaga da Silveira D'Elboux, S. J. Crise Religiosa. Editora Mensageiro do Coração de Jesus, p. 256-257, 1969.


Católicas feministas odeiam homens católicos. E elas perderão tudo com isso.

Algumas páginas católicas feministas estão compartilhando um “estudo” que atesta que o movimento “tradwife” tem atraído homens que “odeiam” ...