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terça-feira, 19 de maio de 2026

Católicas feministas odeiam homens católicos. E elas perderão tudo com isso.



Algumas páginas católicas feministas estão compartilhando um “estudo” que atesta que o movimento “tradwife” tem atraído homens que “odeiam” as mulheres. Um resumo do estudo foi publicado na página de Instagram do The Times.



Tradução: "Movimento Tradwife atrai homens que são hostis às mulheres"

O estudo é da Psychology of Women Quarterly e, segundo a publicação, o movimento tem atraído homens com forte inclinação sexista, defensores da ideia de que as mulheres não devem trabalhar fora de casa e de que devem submeter-se aos seus maridos

Primeiramente, esclareçamos o que é a revista Psychology of Women Quarterly. Trata-se de uma revista feminista e, como era de se esperar, possui noções bastante equivocadas de “sexismo”, incompatíveis com aquilo que a Igreja entende por autêntico sexismo.

A revista, por exemplo, publica artigos de pesquisadoras feministas que consideram “sexista” a retórica antiaborto, como se pode observar aqui. Não se trata, portanto, de um parâmetro confiável para medir o sexismo masculino.

O tema deste artigo, porém, não é a revista em si, mas o que certas católicas feministas entendem como “ódio às mulheres”.

O feminismo, no sentido condenado pela Igreja, é, em suma, a heresia que nega a submissão da esposa ao marido, bem como os deveres da maternidade. Vejamos, pois, a síntese magisterial:

Feminismo enquanto rejeição da submissão da esposa ao marido

"A mulher, criada como companheira do homem, deve permanecer sob o poder de amor e carinho, mas sempre sob seu poder. Quão equivocado, portanto, é esse feminismo que busca corrigir a obra de Deus." (São Pio X - Discurso para a Delegação do Sindicato das Senhoras Católicas Italianas em 1909)

Feminismo enquanto rejeição dos deveres da maternidade

"O enfraquecimento da presença materna, com as suas qualidades femininas, é um risco grave para a nossa terra. Aprecio o feminismo, quando não pretende a uniformidade nem a negação da maternidade." (Amoris Laetitia, 173)

Embora feministas católicas tentem argumentar que é possível existir um “bom feminismo”, ao endossarem estudos como os da Psychology of Women Quarterly, acabam apenas confessando aquilo que todos já sabiam: defendem precisamente o feminismo condenado, pois negam, em seus corações, a submissão ao esposo e os deveres da maternidade. No fim, o “bom feminismo” teoricamente aventado não passa de uma cortina de fumaça para justificar o feminismo herético.

Muitas católicas feministas, porém, ainda não têm completa coragem de negar explicitamente a doutrina da Igreja, então adotam um expediente diferente: tentam demonstrar o quanto o casamento tradicional é opressivo ou atrai opressão.

Desse modo, tentam impor a ilação de que quem defende a hierarquia familiar, a volta das mães ao trabalho no lar estaria igualmente contribuindo para cultura de "ódio às mulheres" sem que uma coisa tenha qualquer relação com a outra. E o mais constrangedor de tudo é travestirem esse feminismo mal confessado com roupagem de ciência, de "estudos". É patético. Simplesmente patético. Felizmente, na postagem da The Times, um homem desmascarou a farsa do "estudo":


Tradução: "Este “estudo” é um clássico exemplo de nonsense enviesado da Psychology of Women Quarterly. Ele destaca uma única correlação (“sexismo hostil”), enquanto ignora décadas de dados sobre a queda da felicidade feminina, o esgotamento de casais de dupla renda, o colapso da fertilidade e as razões pelas quais muitos casais escolhem voluntariamente a especialização de papéis para alcançar melhores resultados. Retratar o apelo do movimento tradwife como mero ressentimento masculino é um desserviço aos leitores — existe verdadeira agência e reais ponderações para além da ideologia. Jornalismo fraco."

O fato de feministas católicas atacarem tanto o matrimônio vivido de maneira tradicional nos leva ao tema principal de nosso artigo: católicas feministas odeiam homens católicos.


O ódio a homens católicos

Não é incomum encontrar católicas feministas alertando sobre os “riscos” de se relacionar com homens católicos, sobretudo os do meio tradicional, porque estes, por serem melhor formados que a média, são mais conscientes de seus deveres. Frequentemente compartilham relatos de supostos “abusos” praticados por esses homens, como exigir que suas mulheres usem véu na igreja - obedecer São Paulo! Que terrível ofensa a Deus, não é mesmo? -, deixem seus empregos para se dedicarem ao lar - exatamente o que o Magistério tradicionalmente recomenda - ou ainda regulem as roupas que elas vestem e as proíbam de frequentar certos ambientes, como praias e academias.




Estamos sendo irônicos evidentemente. Não há abuso em nenhuma dessas coisas, por óbvio. Abuso, no sentido empregado pela Igreja, seria exigir que a mulher pecasse contra Deus, mesmo que venialmente, em obediência ao esposo. Neste caso, seria verdadeiramente um abuso, pois a autoridade do marido vem justamente de Deus para que o homem possa servi-Lo. Fora desse caso, é apenas a autoridade legítima do marido acontecendo.

O marido pode regular o ornamento da mulher, proibir que frequente certos lugares e exigir que use véu na igreja porque, como chefe da família, ele tem o dever de liderar e corrigir seus membros. Ouçamos Antonio Royo Marín a respeito:

"Deveres especiais do esposo. Uma vez que o esposo é por direito natural e divino o cabeça e chefe da família (Gn 3,16; 1Cor 11,9; Cl 3,18), cabe-lhe governar a mulher, mas sempre na qualidade de companheira, não de escrava. E assim deve:

c) CORRIGI-LA CARITATIVAMENTE se delínque, com o fim de emendá-la e evitar o escândalo. Mas sem recorrer jamais aos golpes ou maus-tratos nem aos insultos soezes ou frases duras, que a nenhum resultado prático conduzem e perturbam terrivalmente a paz e tranquilidade do lar. (Teologia Moral para Seglares, n. 834.2)"

Contudo, sob a ótica de uma feminista católica, a liderança e a correção do marido são coisas absolutamente intoleráveis, porque elas negam, no fundo de suas almas, a submissão ao esposo no matrimônio.

O que leva ao passo seguinte: a rejeição de homens católicos que são absolutamente conscientes de seus deveres e a preferência da feminista por homens inferiores na fé.

O maior temor de uma feminista católica não é, curiosamente, a impiedade do mundo, mas a piedade do lar. Mais especificamente, o que ela teme é casar-se com um homem católico, devidamente formado e convicto, pois este lhe colocaria freios nos ímpetos revolucionários e nos gritos de independência. Assim, não é raro ver feministas católicas preferindo namorar protestantes, ateus, mundanos, católicos de IBGE, "feministos", sob o pretexto de que no meio católico está difícil encontrar “homens de verdade”.

Não duvidamos que encontrar o cônjuge ideal, ainda mais nos nossos tempos de fragmentação e desordem, seja um desafio digno de epopeia. Mas convém notar que a feminista católica não foge dos homens católicos porque não os encontra, mas porque os encontra e percebe, com um misto de admiração e horror, que eles são uma ameaça ao seu feminismo.

Optando, então, por homens inferiores na formação da fé, ela acredita poder moldá-los, talhando-os à imagem de suas próprias convicções. Quer ensiná-los o que é mais importante – a fé –, mas de um modo que esteja em conformidade com sua perspectiva feminista. 

Não percebe, entretanto, que, ao agir assim, mina os alicerces da própria família. Primeiro, porque há nisso um ato de supremo egoísmo: ela não busca um pai católico para seus filhos, alguém que os guie no caminho da santidade, mas um homem que satisfaça seus desejos e que não se oponha aos seus diálogos particulares com a serpente. No final, o risco de que todos se percam é imenso. Adão já nos deu uma bela lição do fim trágico que resulta um homem ser omisso e subserviente à esposa.

O mais irônico de tudo é que, ao buscar um homem que a deixe livre em suas ideias, ela se prende ainda mais aos seus próprios erros. Por isso o verdadeiro dever de uma feminista católica - se é que tal figura pode existir sem contradição - é justamente livrar-se do feminismo, e isso se dá, acima de tudo, pela submissão ao marido. Mas como poderá submeter-se a alguém que não a governa? Como poderá aprender a docilidade se escolheu um guia que teme guiá-la?

No fim, a busca por um homem que não imponha regras é, na verdade, a busca por um homem que também não siga regras. E um homem sem regras é apenas um menino grande, esperando ser educado.

O grande paradoxo é que, ao fugir de um chefe, essas católicas feministas acabam criando súditos. E nenhuma rainha governa sem pagar o preço da coroa.

No caso, o preço da coroa é a própria ruína da família.


A autoridade do marido e a graça divina

As Escrituras são categóricas sobre o modo como a mulher se salvará: pela maternidade (1 Tm 2,15).

Isto implica que as graças de uma mulher casada só serão dadas por Deus se ela cumprir seus deveres como esposa e mãe.

Deus, de fato, é Pai das bênçãos, mas não as distribui aleatoriamente. Ele as concede de modo ordenado, isto é, para um fim e, principalmente, de modo hierárquico, ou seja, pelos representantes que Ele instituiu.

No Antigo Testamento, antes da instituição do sacerdócio levítico, os principais dispensadores das bênçãos - inclusive das sacerdotais - eram os chefes de família, os patriarcas. Essas bênçãos eram tão ricas em graças que eram verdadeiramente disputadas pelos filhos. O exemplo mais conhecido dessa disputa foi o dos irmãos Esaú e Jacó. Jacó “roubou” a bênção patriarcal de seu irmão e foi imensamente bem-sucedido. Em outro episódio, o mesmo Jacó, ao deparar-se com um anjo, lutou com ele por uma bênção. O patriarca adotava como estratégia buscar sempre a bênção de seus superiores, porque sabia da importância dela para ter dias felizes na terra.

Após a instituição do sacerdócio levítico e, posteriormente, do sacerdócio católico, as bênçãos patriarcais foram redistribuídas. Se antes se concentravam exclusivamente nos pais de família, hoje estes dividem tal papel com os sacerdotes.

Todavia, mesmo com essa divisão de funções, a bênção patriarcal não deixou de ser grande e de vital importância para a prosperidade dos filhos e da família. A esse respeito, vejamos as luminosas palavras do grande Cardeal Isidro Gomá y Tomás:

"Entre nós, cristãos, a bênção paterna não tem o mesmo sentido profundo que a bênção patriarcal tinha para o povo de Deus. Esta era uma ação sacerdotal pela qual Deus, fiel às suas promessas de bênção feitas àquela raça, transmitia dos pais aos filhos todo o caudal de suas misericórdias para com ela. Agora, o sacerdote nos abençoe em nome de Deus, o bendito do Pai, sobre quem veio a plenitude da bênção com a plenitude da divindade.

Mas Deus não diminuiu a dignidade do pai na nova lei. "Quem ousaria dizer que a bênção paterna, na lei da graça, tenha perdido seu poder?", diz Dupanloup. "Não acredito nisso. Creio que a vida, que a conservação das raças e a prosperidade das famílias ainda podem encontrar nela a mesma segurança que a bênção dos velhos patriarcas; além do que, segundo o espírito e o caráter da graça evangélica, creio que desta bênção dos pais cristãos sai, mais abundante que em outras épocas, uma graça sobrenatural para produzir, aumentar e perpetuar nas famílias cristãs não somente a vida, mas, o que é ainda mais precioso, o bem de viver e o tesouro hereditário das virtudes domésticas e das esperanças celestiais.

Quem dera que se reavivasse o antigo costume de os pais abençoarem os filhos, sobretudo nos momentos solenes de suas vidas, e no transe soleníssimo, para o pai e para os filhos, de deixar ele o mundo para lhes legar o tesouro das tradições domésticas! Mas pobres dos pais de hoje! Como iriam abençoar seus filhos se a muitos faltam o sentido de Deus?" (La Familia, 1942, 4ª ed., p. 140-143)

O autor Craig Hill em seu livro "O Poder da Benção dos Pais" traz uma convicção semelhante. Craig explica que os judeus são prósperos em todas as partes do mundo justamente porque conservaram a cultura patriarcal dos pais abençoarem seus filhos:

"Talvez você se pergunte: “Que tipo de costumes e tradições os judeus praticam que podem fazer prosperar suas almas?”. Creio que a resposta reside no costume que discutimos no início do capítulo anterior: a bênção paterna. Como já vimos, todos os pais são profetas para seus filhos, mas nem todas as profecias vêm de Deus. Creio que as almas dos filhos judeus tendem a prosperar não apenas pela bênção paterna do Sabbath, a cada semana, mas também porque sua cultura naturalmente favorece a bênção dos filhos durante as sete etapas críticas da vida.

Embora o conceito da bênção seja claramente explicado na cultura hebraica bíblica, e vejamos remanescentes dela na cultura judaica de hoje, não creio que Deus tenha querido que os judeus tivessem um monopólio sobre a bênção. Creio que Deus quis que o estilo de vida de bênção e a transmissão da bênção durante as sete etapas críticas da vida funcionassem naturalmente em cada família e cultura da terra. Essas tradições de bênção não se originaram com os judeus, mas são caminhos ancestrais que provêm de Deus e que são para qualquer pessoa, em qualquer lugar."

Essas citações indicam que os maridos, justamente por serem chefes e representantes da família, são o canal ordinário que Deus utiliza para distribuir graças no lar. Um pai católico que ama a Deus, os filhos e a esposa, liderando espiritualmente sua casa, torna-se canal ordinário de prosperidade material e espiritual para todos os membros da família, como bem demonstra a ilustração abaixo.




Daí a grande desgraça, por exemplo, dos filhos órfãos, que não apenas perdem a ajuda material dos pais, mas também as graças que viriam por causa da autoridade paterna.

O Cardeal Isidro Gomá y Tomás, nesse sentido, afirma que há uma maneira de deixar os filhos “órfãos” das graças paternas mesmo com os pais vivos: o pai não ser católico.

Um pai que não pratica a religião e que não cumpre seus deveres enquanto pai e esposo atrai menos as graças divinas para sua família.

Sendo assim, é seguro dizer que uma católica feminista que, por puro egoísmo e espírito de independência, priva seus filhos de um pai católico ao casar-se com um homem do mundo, um “católico de IBGE” ou um “feministo” que não exerce sua autoridade marital, torna seus filhos órfãos das graças que seriam conquistadas por um pai católico consciente de seus deveres.

Os maridos, enquanto chefes de família, participam do poder das chaves concedido por Deus e são meios ordinários de graças para suas famílias. 

Portanto, se Deus quer que as mulheres se santifiquem e se salvem mediante a submissão aos maridos, segue-se a conclusão óbvia: se desprezam essa autoridade e buscam anulá-la, as graças que seriam concedidas por Deus por meio dessa submissão deixarão de ser dadas. E dois exemplos disso podem ser mencionados: Eva e Jezabel.

Os Santos Padres são unânimes em reconhecer que Eva caiu na tentação da serpente porque estava desacompanhada de Adão, e este igualmente caiu porque se deixou liderar pela esposa.

São Roberto Belarmino, em "A Arte de Bem Morrer", comenta o seguinte sobre Jezabel:
"O mesmo Apóstolo ensina posteriormente as mulheres a serem submissas aos seus maridos, assim como a Igreja é submissa a Cristo. Jezabel não observou este preceito; por querer controlar seu marido ela se perdeu e perdeu a ele, assim como todos os seus filhos."



Jezabel sendo devorada por cães. Por Andrea Celesti.

Portanto, é manifesto que a mulher que “demite” a autoridade do marido - quer desprezando-a, quer usurpando-a ao casar-se com homens não católicos ou temerosos de exercê-la - torna-se causa da ruína e da desgraça da família.

A estas que rejeitam a autoridade do marido, o Pe. Antonio Royo Marín chamaria de “aquelas que receiam receber um marido” ou, em outras palavras, que não estão aptas a receber o sacramento do matrimônio:

"O desprezo pelo homem a excessiva timidez diante dele, o espírito de independência, o horror aos deveres conjugais, o medo dos sofrimentos da maternidade ou o trabalho de educar, etc., levam-nas a renunciar ao matrimônio e ficar perpetuamente solteiras." (Espiritualidade dos Leigos, n. 375)

Como punição, se forem feministas solteiras, é provável que Deus permita que essas mulheres padeçam de solteirice perpétua, de relacionamentos caóticos e intermitentes ou ainda de um receio interminável de assumir um compromisso definitivo, passando quatro ou cinco anos namorando um rapaz para, no fim, não dar em nada. Isto quando não se tornam, por uma nota quase artística da ironia divina, mães solteiras, obrigadas a carregar o peso e a responsabilidade da maternidade sem as abundantes graças que ordinariamente decorreriam da chefia do marido. Assim, acabam vivendo sob o peso de suas próprias decisões e sob a desgraça de seu próprio feminismo.

Não estamos dizendo, evidentemente, que mães solteiras ou esposas cujos maridos não sejam católicos não possam alcançar tais graças. Santa Mônica é exemplo de esposa e mãe que, mesmo sem um marido católico, alcançou graças para a conversão da família. Contudo, Santa Mônica enquadra-se como caso verdadeiramente extraordinário. Sua santidade pessoal constitui um diferencial raríssimo em relação à média das pessoas. Sem essa perseverança heroica, dificilmente teria alcançado a conversão da família. E relembremos que a conquista dessa graça foi árdua: levou décadas. É perfeitamente legítimo pensar, portanto, que, se seu marido fosse católico, a conversão de Santo Agostinho talvez não tivesse levado trinta anos para acontecer.

Em suma, queremos dizer que mulheres que, por culpa própria, casam-se mal ou se revoltam contra a autoridade do marido acabam dificultando a obtenção das graças de Deus para a própria família. Essas graças tornam-se mais difíceis de alcançar, porque quem as solicita não é, na ordem estabelecida por Deus, a autoridade que Ele instituiu.

Um exemplo pode ilustrar melhor esse ponto. A consagração de um país a Nosso Senhor feita por um cidadão comum pode ser algo muito nobre; contudo, muito mais eficaz para a nação seria a consagração realizada pelas mãos do Chefe de Estado. Não sem razão, Nosso Senhor, nas aparições a Santa Margarida Maria Alacoque, não pediu que um cidadão qualquer consagrasse a França ao Sagrado Coração, mas sim o rei Luís XIV.

Deus quer comunicar Sua graça, mas deseja distribuí-la pelos meios ordinários que Ele próprio estabeleceu. Na família, esse meio é o chefe do lar, o homem. Se a esposa usurpa esse lugar, a graça dificilmente será alcançada da mesma forma.




Devemos dizer também que a autoridade, quando instituída por Deus, existe sempre para o bem daquele que lhe está subordinado. A autoridade dos pais é um bem para os filhos. Da mesma maneira, a autoridade do marido é um bem para a mulher.

Não constitui, portanto, uma "solução" para a católica feminista escolher um homem “feministo” que se recuse a liderar. Ela estará sendo "masoquista" e fazendo um mal contra si mesma. Um homem que não exerce sua autoridade também peca diante de Deus e igualmente será punido por isso, pois liderar a família é dever seu. Recordemos o ensinamento do imortal Papa Pio XII:

"Vós, maridos, fostes investidos da autoridade. Cada um de vós é chefe do lar, com todos os deveres e as responsabilidades que este título representa. Não hesiteis, portanto, em exercer a autoridade, não renegueis os deveres, e não fujais das responsabilidades." (Alocução aos Recém-Casados. 10 de setembro de 1941)

Quão patético é observar homens unindo-se à insubmissão de suas esposas e ostentando essa cumplicidade como símbolo de masculinidade. Mal sabem eles que também se tornam cooperadores da desgraça da própria família. Deus puniu Adão por sua subserviência à esposa com dificuldades materiais, um símbolo da dificuldade do marido "feministo" para obter graças para a família:

E disse em seguida ao homem: “Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste do fruto da árvore que eu te havia proibido comer, maldita seja a terra por tua causa. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida. (Gn 3,17)

A Tradição da Igreja consigna igualmente que às mulheres de espírito livre e insubmisso - assim como aos filhos que não se submetem aos pais - estão reservadas as maiores infelicidades nesta terra.

São João Crisóstomo, nesse sentido, ensinava que mulheres assim eram causa da destruição do lar:

"A esposa é uma segunda autoridade. Ela não deve exigir igualdade, pois está sujeita à cabeça; nem deve o marido menosprezar sua sujeição, pois ela é o corpo... Onde há autoridade igual, nunca há paz. Uma família não pode ser uma democracia, governada por todos, mas a autoridade deve necessariamente repousar em uma pessoa. O mesmo se aplica à Igreja...."

“Mas se [o domínio/liderança do lar] for de outra forma, tudo é virado de cabeça para baixo e jogado em confusão. E assim como quando os generais de um exército estão em paz uns com os outros, todas as coisas estão em devida subordinação, enquanto que, por outro lado, se eles estão em desacordo, tudo é virado de cabeça para baixo; assim, eu digo, é também aqui. Por isso, diz ele, "Esposas, sejam submissas a seus próprios maridos, como ao Senhor." (Complete Works of Saint John Chrysostom, loc. 132419.1 32426)

O Papa Pio XI, em Casti Connubii, igualmente diz que a insubmissão é a causa da ruína da mulher:

"Além disso, essa falsa liberdade e igualdade antinatural com o marido torna-se prejudicial à própria mulher, pois, se ela se afasta do trono verdadeiramente real ao qual o Evangelho a elevou dentro dos muros do lar, muito em breve cairá — se não na aparência, certamente na realidade — na antiga escravidão e se tornará, mais uma vez, como no paganismo, um mero instrumento do prazer ou do capricho do homem"

Santo Tomás de Aquino nos Comentários às Cartas de São Paulo é ainda mais incisivo:

“O Filósofo diz que o domínio das mulheres é a morte de uma família, como tiranos de uma comunidade.”

O Aquinate acrescenta, no mesmo comentário, que a mulher que não se submete ao marido blasfema contra a Palavra de Deus, isto é, contra a própria Revelação divina:

“A outra coisa que ela deve observar é a subordinação, porque quando uma mulher tem poder, ela tenta se opor aos planos do marido: uma mulher, se ela tem superioridade, é contrária ao marido (Sir 25:30). Portanto, ele diz, “obedientes aos seus maridos”, daí é dito: seu desejo será para seu marido, e ele te governará (Gn 3:16). E isso, “para que a palavra de Deus não seja blasfemada”, ou seja, para que sua desobediência não seja uma ocasião para blasfêmia.” 

Essa observação de Santo Tomás conduz-nos a outra conclusão: mulheres que rejeitam a submissão aos maridos não apenas odeiam homens católicos, mas o próprio catolicismo, pois, no fundo, revoltam-se contra o próprio Deus e Sua Revelação.

Católicas feministas que escolhem relacionar-se com homens mundanos ou de formação religiosa muito inferior à delas o fazem porque a vida autenticamente católica lhes seria verdadeiramente insuportável. Preferem, assim, homens que não representem ameaça alguma ao seu feminismo.

Outro ponto importante é a observação feita pelas Escrituras: se a mulher assume superioridade, a tendência é opor-se ao marido. Como já dissemos, a autoridade do marido foi dada para o bem da mulher. Se o homem conscientemente não a exerce, ou se a mulher a usurpa, o resultado é desastroso para a família.

Conclusão

Diante de tais observações, a católica feminista possui apenas dois caminhos: ou abandona o feminismo e reconcilia-se com a ordem estabelecida por Deus, aceitando humildemente os deveres da maternidade, da vida doméstica e da submissão ao marido; ou nega a realidade e permanece encastelada no pequeno e ressentido “clubinho das feministas”, onde mulheres amarguradas contra homens católicos continuam afundadas nos próprios erros, guiando a si mesmas cegamente.

O grande problema é que a rejeição da autoridade do marido jamais permanece sem consequências. Quando a mulher rejeita o chefe que Deus lhe deu, frequentemente acaba submetida a senhores muito piores: às ideologias, ao orgulho, ao mercado, às paixões desordenadas e, muitas vezes, a homens fracos, omissos ou mundanos, incapazes de conduzir uma família à santidade.

Por isso, o verdadeiro dever da mulher católica não é lutar contra a autoridade masculina, mas santificar-se dentro da hierarquia querida por Deus. Porque a autoridade do marido, quando exercida segundo a lei divina, não existe para destruir a mulher, mas para conduzi-la, protegê-la e ajudá-la a chegar ao Céu.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

"Ser do lar pelos filhos, sim! Pelo marido não." O feminismo conservador ataca novamente.



A influenciadora católica Samia Marsili, esposa do médico e empresário Ítalo Marsili, publicou aqui uma polêmica opinião a respeito do trabalho feminino quando os filhos já forem crescidos e não necessitarem mais dos cuidados maternos. Samia havia recebido um desabafo de uma seguidora que reclamava das críticas que recebia por ser totalmente do lar: "Me criticam por não ir trabalhar fora para ficar em casa e exercer o meu papel de educar meu bebê.". Samia respondeu da seguinte maneira:

"Ser mãe hoje em casa não é a mesma coisa que ser mãe há muito tempo atrás. Hoje em dia, a gente tem informação, a gente tem capacidade de se formar intelectualmente, porque os nossos filhos crescem, os nossos filhos crescem, o nosso plano maternal, o nosso plano de vida não pode estar totalmente vinculado aos nossos filhos. Isso é uma questão de planejamento. A gente vai estar com eles enquanto eles são pequenos, enquanto eles precisam da gente. E as fases vão mudando. Enquanto eles são muito pequenos, a gente precisa estar mais. Depois que eles estão maiores, a gente já consegue trabalhar e fazer outras coisas. Quando eles são maiores, mais ainda, né? Então a gente não pode ficar em casa com os nossos filhos paradas no tempo. A gente precisa conseguir se profissionalizar, ler bastante, construir relações. Para que a gente consiga continuar vivendo a nossa vida depois que eles crescem. Os nossos filhos, eles têm, o quanto tempo que a gente vive na vida e quanto tempo eles são pequenos, que precisam de nós, é um curto período de tempo. E aí que está essa questão do nosso planejamento. A gente precisa se planejar para que a gente consiga estar ali naquele tempo. E o que eu estou fazendo enquanto eles estão pequenos? Que parte da minha formação profissional ou pessoal, enquanto pessoa, que habilidades de soft skills..."

Percebamos de cara que Samia não traz qualquer conforto à mãe que heroicamente cuida do seu filho e é criticada por isso, mas, de certa forma, dá eco aos críticos ao "apressar" a mãe a realinhar seu estado de vida para a "vida de verdade", isto é, a vida sem filhos.

Samia aparenta dizer que a mulher casada, uma vez livre dos filhos, pode tranquilamente dar vazão à mulher de Linkedin que existe dentro dela, isto é, à mulher carrerista e que cuida dos próprios projetos pessoais.


Samia, nesse sentido, está apenas reproduzindo uma visão bastante disseminada entre as mulheres e moças do Opus Dei. Infelizmente, predomina entre as moças da Obra um certo feminismo soft, que decorre da visão liberal corriqueiramente adotada pelo Opus Dei. Dificilmente, se verá nas formações e nos livros da Obra referências ao Magistério pré-conciliar sobre a família e muito menos ensinos sobre a hierarquia familiar e sobre os deveres específicos do homem e da mulher no matrimônio. Em regra, o roteiro geral dos livros e das formações do Opus Dei sobre a família se apresentará mais ou menos assim:

1. O governo da casa é obra comum do casal. Afirma-se isso, muitas vezes, sem sequer mencionar a inafastável chefia do marido e seu dever de sustentar mulher e filhos. Omite-se, constantemente, os deveres específicos do marido e da esposa no casamento. Assim, deixam caminho aberto para o entendimento de que esses deveres são de livre acordo entre o casal.

2. Somente há uma hierarquia na família, a dos pais para com os filhos. Omite-se o dever da esposa de submeter ao marido. Impera a ideia de "submissão mútua" sem hierarquia.

Assim, é muito comum o seguinte cenário na Obra: se aparece uma mãe de 6 filhos e que é do lar, ela é bem-vinda; porém, se aparece outra com 6 filhos, mas que prefere deixá-los com uma babá e que delega os cuidados da casa para uma empregada, a fim de progredir na carreira, ela é igualmente bem-vinda.

Todavia, uma visão liberal da vida assim não pode prosperar por muito tempo. Com o passar do tempo, as mulheres passarão a ter uma visão mais feminista da vida. E isto já se vê hoje. Em vários centros femininos da Obra é bem sabido o itinerário de muitas moças, principalmente daquelas que saem dos meios tradicionais para o Opus Dei:

(i) Na modéstia. Abandonam seus véus e vestidos e adotam o look "opus ryca", isto é, os modelos empoderados da mulher de Lindekin ou da mulher dondoca de 50 anos que usa calça pantalona; adotam uma visão liberal da modéstia dizendo "Modéstia é uma virtude, não tem a ver com roupas". Usam então, indistintamente e sem critérios objetivos, vestidos, calças, biquinis, maiôs, vestidos com decote, vestidos sem decote, blusas de alcinha, blusas com manga, vestidos com abertura lateral na perna, vestidos sem abertura lateral na perna. Enfim, modéstia não se torna mais um assunto importante. Todas são amigas, modestas ou não.

(ii) Na família. Advogam por uma visão mais freestyle do casamento. Defende-se que mulheres podem ser igualmente boas em tudo, isto é, como mães, esposas e profissionais.

No tema que importa a este artigo, convém rebater a principal premissa de Samia Marsili, a saber, que, uma vez sem filhos, a mulher casada está liberada para sair de casa e trabalhar como quiser.

O ensinamento da Igreja

Samia parece já simpatizar com o discurso de certas feministas católicas de que a mulher não trabalhar fora seria algo como "anular-se como mulher". Muitas influenciadoras conservadoras como Jéssyca Jacóbus, Olinda Scalabrin e outras adotam esse discurso. Por isso tentam encaixar o carreirismo na vida de casada. Algumas defendem o carreirismo independente da existência de filhos, outras apenas enquanto os filhos não existirem ou já forem crescidos.

No entanto, o Magistério da Igreja é claro em ensinar que a mulher casada, independente de ter filhos ou não, deve trabalhar em casa ou nas adjacências, pois os deveres específicos da mulher no matrimônio são: (1) submeter-se ao marido; (2) cuidar da casa e (3) educar os filhos. Em outras palavras, se ausente os filhos, ainda permanecem os deveres de cuidar do lar e estar à disposição do marido.

Catecismo Romano:

De boa vontade vivam dentro da casa. Não saiam senão por necessidade, e nunca se atrevam a fazê-lo, sem a permissão do marido.”

Bento XV:

“Com o declínio da religião, as mulheres cultas perderam o sentimento de vergonha e a piedade. Muitas, para assumirem ocupações inadequadas ao seu sexo, começaram a imitar os homens. Outras abandonaram os deveres de dona de casa, para os quais foram formadas, para se lançarem de forma imprudente na corrente da vida.” (Epístola Natalis Trecentesimi)

Pio XI na Quadragesimo Anno:

As mães de família devem trabalhar em casa ou nas suas adjacências, dando-se aos cuidados domésticos. É um péssimo abuso, que deve a todo o custo cessar, o de as obrigar, por causa da mesquinhez do salário paterno, a ganharem a vida fora das paredes domésticas, descurando os cuidados e deveres próprios e sobretudo a educação dos filhos. Deve pois procurar-se com todas as veras, que os pais de família recebam uma paga bastante a cobrir as despesas ordinárias da casa."

O mesmo Papa em em Casti Connubii:

"Os mesmos mestres do erro, que por escritos e por palavras ofuscam a pureza da fé e da castidade conjugal, facilmente destroem a fiel e honesta sujeição da mulher ao marido. Ainda mais audazmente, muitos deles afirmam com leviandade ser ela uma indigna escravidão de um cônjuge ao outro; visto os direitos entre os cônjuges serem iguais, para que não sejam violados pela escravidão de uma parte, defendem com arrogância certa emancipação da mulher, já alcançada ou por alcançar.

Estabelecem, mais, que esta emancipação deve ser tríplice: no governo da sociedade doméstica, na administração dos bens da família e na exclusão e supressão da prole, isto é, social, econômica e fisiológica. Fisiológica por quererem que a mulher, de acordo com sua vontade, seja ou deva ser livre dos encargos de esposa, quer conjugais, quer maternos (esta mais do que de emancipação deve apodar-se de nefanda perversidade, como já suficientemente demonstramos). Emancipação econômica por força de que a mulher, ainda que sem conhecimento e contra a vontade do marido, possa livremente ter, gerir e administrar seus negócios privados, desprezando os filhos, o marido e toda a família. Emancipação social, enfim, por se afastarem da mulher os cuidados domésticos tanto dos filhos como da família, para que, desprezados estes, possa entregar-se até às funções e negócios públicos." (n. 75) 

Assim vemos que não existe nenhum ensinamento da Igreja que afirme que a mulher, no casamento, deve perseguir seus sonhos profissionais para "não anular a si mesma", independente da vontade do marido ou da necessidade dos filhos. Na verdade, a Igreja ensina o oposto: que a mulher deve se subordinar ao bem comum da família e sacrificar seus interesses pessoais se for o caso. Perseguir um projeto profissional pessoal é um interesse particular, mas perseguir o bem da família é um bem comum, que é sempre superior. E o meio mais eficaz para o bem comum da família é que a mulher trabalhe em casa.

Certamente, a ausência de filhos propicia um tempo mais livre para a mulher, mas nem por isso se deve presumir que ela agora pode praticamente levar uma vida de solteira. Muitas mulheres pensam errôneamente que a ausência de filhos permite a delegação dos deveres domésticos e seu recomeço como mulher de carreira. Enganam-se. Como vimos, a Igreja ensina que a esposa não pode se afastar dos cuidados domésticos para empenhar-se em trabalhos externos sem necessidade.

A respeito, convém citar um trecho do luminoso livro "Ask your Husband" da escritora católica Stephanie Gordon:

"Objeção 3: E as mulheres que são casadas e ainda não têm filhos? E as mulheres cujos filhos já cresceram e saíram de casa?

Essas mulheres ainda têm um marido para servir e uma casa para manter, então a exigência de permanecer em circunstâncias comuns em casa ainda se aplica a elas. Depois que seus filhos crescidos saírem de casa, elas certamente estarão muito menos ocupadas do que quando seus filhos moravam com elas. Mas o ensinamento da Igreja ainda se aplica porque tanto a casa quanto o marido precisam da atenção cuidadosa de uma mulher. É um fruto amargo da modernidade que tantas mulheres católicas fiéis fiquem em casa apenas para cuidar de crianças pequenas, mas não dos maridos - uma motivação que presume que o serviço de um marido não é a tarefa principal da esposa. É como São Paulo escreve em 1 Coríntios 11:7, "[O homem] é a imagem e glória de Deus; mas a mulher é a glória do homem." Este proeminente ponto é muitas vezes negligenciado. Neste contexto, o conceito de glória indica o papel de ajudante, auxílio ou serva. O dever principal da esposa é ajudar o marido em casa, o que explica — quer haja ou não crianças pequenas na casa — por que, em todas as circunstâncias comuns, ela deve permanecer lá, embelezando- a e preparando- a para o retorno dele do trabalho.

Por alguma razão, alguns católicos tradicionais consideraram que ficar em casa para criar os filhos é aceitável, mas ficar em casa para servir o marido é inaceitável. Este último, eles raciocinam bizarramente, está abaixo da dignidade da mulher. Nem a Escritura nem a Tradição Católica apoiam a falsa distinção que eles fazem; tanto a Escritura quanto a Tradição deixam perfeitamente claro que as esposas devem normalmente ficar em casa pelo bem de seus maridos.

Cozinhar, limpar, intimidade, conversar, consertar, nutrir, jardinagem, fazer coisas geralmente bonitas - todos os sinais de ser o coração conjugal do lar - acontecem de modo a acomodar o marido. Mesmo que uma mulher se encontre em casa e tudo o acima seja realizado, ela deve usar seu tempo livre nas buscas de melhorar a si mesma. Muitas mulheres aprendem um novo ofício em casa ou buscam estudos domésticos."

Stephanie reproduz exatamente o ensinamento da Igreja. Mesmo sem filhos, a mulher deve continuar cuidando do seu marido e da casa. Afinal, se uma mulher defende que apenas os filhos a impediriam de ser uma carreirrista, mas nunca o marido, o que ela está dizendo, em outras palavras, é que ela não sujeita sua vida a um homem; ou seja, feminismo!

Nesse contexto, Samia parece também não levar em conta que o trabalho fora de casa, mesmo do marido, só é justificável em caso de necessidade. Afinal, o trabalho externo afeta em demasia os deveres matrimoniais dos cônjuges, pois, entre outros perigos, os esposos se separaram por um longo período do dia, os filhos convivem menos com o pai, o marido fica exposto ao contato de outras mulheres. Mas o homem cristão só se expõe a essas coisas por necessidade de sustentar a família, não por mera ambição ou desejo pessoal como pretendem Samia e outras mulheres.

O Pe. George A. Kelly em seu "Manual do Matrimônio Católico", nesse sentido, acrescenta perigos adicionais do trabalho externo à mulher:

"Quase sempre, a esposa que se emprega com um objetivo temporário (comprar uma nova mobília para a sala, por exemplo), cedo descobre que o padrão de vida da família melhorou e que esta precisa de seu salário para continuar vivendo no nível a que se acostumou. Quando as mulheres ajudam no sustento da casa, alguns (i) maridos tendem a tornar-se preguiçosos e negligentes para com seus próprios deveres. É provável também que, aproximando-se o salário da espôsa do percebido pelo marido ou mesmo excedendo-o, o orgulho dele fique profundamente ferido e surjam (ii) disputas dentro do casal para decidir quem é o cabeça do lar.

O trabalho fora de casa pode também desenvolver numa esposa traços indesejáveis. Tornando-se econômicamente independente, (iii) ela pode perder a disposição para os sacrifícios e para os ajustes emocionais indispensáveis à manutenção de relações felizes com o marido. Por outro lado, tendo contato com outros homens, surge (iv) o risco de complicações românticas. Mas não é só. Ela se depara com (v) o perigo de passar a dar excessiva importância às roupas e aos enfeites e também com o de perder sua feminilidade e tornar-se menos refinada. O pior de tudo, porém, é que, no afã de conseguir bens materiais, (vi) a esposa deixará em segundo plano a educação dos filhos. As assistentes sociais são unânimes em proclamar que a delinqüência infantil é mais acentuada entre os filhos das mulheres que mourejam fora de casa, os quais, por levarem as mães a maior parte do tempo ausentes do lar, não podem ser devidamente assistidos. (p. 111)

Os perigos do trabalho externo para a mulher não são poucos. O trabalho fora de casa:

(i) Pode favorecer o retrocesso do marido em seu dever próprio de sustentar o lar;

(ii) Pode ensejar disputas pela chefia da casa, principalmente se a mulher ganha mais;

(iii) Pode fazer a mulher perder respeito e admiração pelo marido;

(iv) Pode ocasionar complicações românticas. Sabe-se que a mulher que trabalha fora é mais abordada por homens e assim tem mais ocasião de trair. A respeito, ensina Antonio Royo Marín que o trabalho externo da mulher é um dos grandes perigos para fidelidade conjugal:

"IV. Perigos que afetam a fidelidade

1. A instabilidade da carne: fraca e frágil.

2. A leviandade: pode decair em fastio, indiferença e, conseqüentemente, em desamor.

3. A excessiva severidade: o amor legítimo é magnânimo e sabe deixar uma margem à sadia liberdade.

4. Os ciúmes: suspeição, mesquinhez, impertinência, em vez de discrição.

5. O ambiente de corrupção: divulgação de contraceptivos, de livros preju- diciais, restrição antinatural da natalidade, espetáculos obscenos, certas liberdades relações sociais...

6. A vida econômica atual: Com freqüência a mulher vive mais tempo junto de outros do que do marido (o ateliê, a oficina, a fábrica...)." (Espiritualidade dos Leigos)

Segundo pesquisas, a traição feminina aumentou 40% nas últimas décadas, o que significou uma frequência 70% maior em relação aos homens. Boa parte dessas traições se inicia no ambiente de trabalho.

 (v) Favorece o perigo da mulher efeitar-se mais para outros homens do que o marido ou, ao contrário, favorece a perda da feminilidade (muitas profissões exigem que mulheres vistam roupas masculizadas). Ambas são contrárias ao interesse do marido;

(vi) Aumenta o gosto por luxo da mulher;

(vii) Deixa a mulher reticente quanto a ter mais filhos;

(viii) Ocasiona a debilidade da saúde da mulher que, ordinariamente, sofre mais com o trabalho externo do que homem. A depressão e a ansiedade feminina aumentaram exponencialmente nos últimos anos.

Não estamos dizendo que o trabalho externo seja impossível para a mulher casada, mas os males e perigos dele são numerosos demais para que uma mulher católica os ignore simplesmente para perseguir seus projetos pessoais.

Se observarmos os santos da Igreja, em particular as santas mulheres, constataremos uma patente hierarquia, que se apresenta da seguinte forma:

1. As virgens consagradas. São de longe as mais numerosas. Isto decorre do fato de que a virgindade consagrada é superior ao casamento;

2. As mulheres casadas. Em número muitíssimo inferior às virgens consagradas estão as santas casadas. Entre as mulheres casadas, a esmagadora maioria teve um casamento tradicional, isto é, mulheres donas de casa e com filhos numerosos. Recomendamos o livro "Santos Casados" de Ferdinand Holböck que não nos deixa mentir.

3. As viúvas. Mulheres que foram eventualmente casadas, mas que após a morte do marido dedicaram-se à vida religiosa ou ao cuidado dos pobres, como Santa Rita de Cássia e Santa Francisca Romana.

4. Mulheres casadas que trabalhavam fora. Conta-se com os dedos de uma mão. Ex: Santa Giana (que não conseguiu conciliar bem o trabalho doméstico com o trabalho externo, conforme demonstramos aqui).

O que se nota é que Deus estabelece uma clara ordem de santificação. Em primeiro lugar, as mulheres mais recompensadas foram aquelas que se consagraram totalmente a Ele. Depois destas estão aquelas que seguiram seus papéis tradicionais dentro do matrimônios. Após, temos as mulherers que devotaram totalmente suas vidas à caridade para com o próximo, esquecendo-se de si mesmas. Por fim, em pequeníssimo número, estão aquelas que de alguma forma deixaram mais espaço para seus interesses pessoais, as tais "santas trabalhadoras". Com isto vemos, claramente, que o trabalho externo não é a via ordinária que Deus quer que as mulheres casadas se santifiquem. Afinal, esta via propicia mais obstáculos para a santificação do que caminhos.

Por fim, não estamos querendo dizer com isso que a mulher casada não pode adquirir novas habilidades ou desenvolver-se pessoalmente, mas que ela deve ter em mente, antes de tudo, o bem da família. E quando falamos "família" não nos referimos apenas aos filhos, mas também ao marido, seu parceiro até a morte. Os projetos de uma mulher casada devem estar entrelaçados intrinsecamente com o bem de seu matrimônio. Ignorar isto é dar causa à infelicidade das famílias.

Recomendamos vivamente a conferência do Pe. Luiz Fernando Pasquotto sobre o bem comum e a família.




sábado, 21 de setembro de 2024

Por que o Instagram estraga as moças católicas?

No artigo "Conservadores católicos se rendem à imodéstia", buscamos traçar um paralelo entre duas fases do catolicismo conservador no Brasil antes e depois da pandemia da COVID-19. Identificamos que o catolicismo brasileiro sofreu uma mudança significativa, entre elas o crescimento do que aqui chamamos de Feminismo Católico, tema corriqueiro em nosso blog.

O feminismo que aqui denominamos trata-se de um movimento cada vez mais crescente entre as católicas conservadoras que mina a doutrina da Igreja a respeito da hierarquia familiar, o trabalho da mulher, os filhos como fim primário do matrimônio e a modéstia no vestir. Não se trata de um feminismo explícito como o feminismo mundano, mas daquele tipicamente forjado pelo catolicismo liberal, isto é, que, aparamente, não rompe com a doutrina, porém a torna uma ideia que o católico pode facilmente relativizar ou dispor. Nas palavras do Pe. Augustin Roussel em sua obra "Liberalismo e Catolicismo":

"O "católico liberal"" separa o fim dos meios, a teoria da prática; pior ainda, ele os opõe até torná-los incompatíveis. Para ele, a "tese" é o "ideal" impossível, o absoluto quimérico, o abstrato irreal; a "hipótese" é o "possível", o concreto, o real. Tem ele a mania de certas oposições fantasiosas: do mesmo modo que contrapõe autoridade e liberdade, pretende de bom grado que os partidários da "tese" sejam incapazes de se dobrar à "hipotese", que os especulativos não possam ser práticos, não têm senso das realidades, que a intransigência doutrinal não poderia se aliar à prudência realizadora." (p. 114-115)

Esta mentalidade é corriqueiramente vista quando o tema é a modéstia. Moças raivosas porque não conseguem achar outra solução prática para a academia a não ser o uso de leggings. Ou ainda, moças que dizem que usar apenas saia ou vestido é necessariamente voltar a uma moda caricata do século XIX.

Pois bem, mas por que o feminismo cresceu tanto entre as católicas conservadoras?

Tendo como referência o período que o catolicismo conservador começou a migrar do conservador tradicional (2010-2019) para o conservador liberal, temos um esboço de resposta para o fenômeno: o Instagram.

Caraterísticas gerais do Instagram

Diversas pesquisas indicam que o uso do Instagram aumentou exponencialmente após o início da pandemia do coronavírus, o que coincide com a "virada de chave" das conservadoras católicas, que a partir de então tornaram-se progressivamente mais feministas.

Mas por que o Instagram teria provocado o fenômeno e não o Facebook, Twitter (X) e outras redes sociais? Para responder essa pergunta é necessário compreender as principais características do Instagram. Citemos algumas:

1) Ao contrário do Facebook e do Twitter, redes sociais focadas no texto, o Instagram é focado na imagem. Não apenas no compartilhamento de fotos, mas na divulgação de uma estilo de vida.

2) No Facebook, há possibilidade de criação de perfis, páginas e grupos (privados e públicos). No Instagram, somente há a possibilidade de criar perfis.

3) O Instagram é a principal ferramenta de divulgação de negócios onlines. Nele, não se "adiciona amigos", mas se "segue autoridades" de diversos ramos.

O Instagram, portanto, é uma rede social "narcisista", onde a pessoa vende a si mesma e seu estilo de vida para os outros. Por isso, ela é a rede social perfeita para a construção de autoridade em qualquer ramo.

Perigo para as mulheres

Diversos estudos apontam que o uso do Instagram tem sido a causa de depressão e ansiedade atingindo, em especial, as mulheres. Neste artigo da Joint Economic Commitee Republicans do Senado americano intitulado "Is Instagram Causing Poorer Mental Health Among Teen Girls?", nota-se que a depressão em jovens americanas é simplesmente descomunal quando comparada com os jovens do sexo masculino:


Segundo o artigo "Here’s How Instagram Harms Young Women According To Research" divulgado pela Forbes, o Instagram tem causado problemas, principalmente, com a autoestima da mulher.

A razão nos parece manifesta. As mulheres não buscam o Instagram como uma rede social normal, mas para encontrar verdadeiros oráculos para suas vidas. Ademais, como esta rede social é voltada para a divulgação da imagem e de estilos de vida, a mulher tende a se comparar mais com outras que crê serem mais bem sucedidas, o que, muitas vezes, acaba afetando sua autoestima.

Perigo para as mulheres católicas

Contudo, apesar dos perigos psicológicos serem evidentes, reputamos que o maior perigo do Instagram seja de alimentar as piores tendências e tentações do sexo feminino. Citemos algumas:

1) Vaidade. O Instagram valoriza a divulgação da imagem da pessoa. Para as mulheres isso é tentador. Postar selfies todos os dias, fotos na academia, ganhar likes, interações, compartilhamentos, são típicos comportamentos da mulher que usa Instagram, atitudes estas que só tem por finalidade acalentar a estima pessoal.

A autoexposição desordenada, no entanto, é um dos principais obstáculos para se obter a virtude da modéstia. Não é à toa que o aumento do uso do Instagram pelas mulheres também coincidiu com a onda de moças católicas questionando padrões de modéstia que antes não duvidavam. Não se deve assim subestimar esta rede social neste ponto. Ela tem realmente o poder de mudar a psicologia da mulher na percepção de si mesma e alterar seu padrão de comportamento.

Se antes ela se contentava em vestir-se de modo feminino usando vestidos e praticando a devoção do véu, agora ela já odeia essas coisas e precisa se adequar às massas ou à moda para conseguir mais likes.

2) Masculinização. Como dissemos acima, o Instagram incentiva a construção de "autoridades". A rede social valoriza a autopromoção. No Facebook, a construção de autoridade é mais difícil, tendo em vista que há maiores mecanismos para o perfil ser contestado em suas ideias. No Instagram, não. A pessoa abre uma "caixinha de perguntas" e "doutrina" seus seguidores. Contudo, como pontuamos no artigo "Paul Fahey, feministo do "Where Peter Is", fala groselha sobre Efésios 5", não é adequado para as mulheres assumirem papéis de "doutrinadoras", "autoridades" ou de "guia das massas". O Instagram cria uma falsa sensação para as mulheres de que a sua posição no mundo é a de guiar massas de pessoas adultas. Em outras palavras, o Instagram masculiza as mulheres na medida que lhes incute  o sentimento de que devem ser líderes ensinando como a vida das pessoas deve ser.

Neste sentido, dizia São João Crisóstomo em seus "Comentários às Cartas de São Paulo":

"Não ensinem, mas coloquem-se na posição de discípulos; demonstrem submissão através do silêncio. O sexo feminino é um tanto loquaz e por isso Paulo sempre o reprime. “Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E não foi Adão que foi seduzido, mas a mulher que, seduzida, caiu em transgressão.” Importa às mulheres de nosso tempo? Sim, assegura. O gênero masculino alcançou honra maior. O homem foi plasmado primeiro. Em outro lugar trata da primazia, dizendo: “O homem não foi criado para a mulher, mas a mulher para o homem” (1Cor 11,9). Por que o assevera? A fim de atribuir ao homem múltipla prevalência. Em primeiro lugar porque tem a primazia no tempo; segundo, pelos acontecimentos. Ela ensinou uma vez ao homem, tudo subverteu e tornou-o culpado de desobediência. Deus a submeteu, porque empregou mal o domínio, ou antes a igualdade.“Teu desejo te levará ao teu marido” (Gn 3,16). Anteriormente não fora dito. Adão não foi seduzido? Não teria desobedecido se não tivesse sido seduzido? Atenção! “E a mulher respondeu: a serpente me seduziu” (Gn 3,13). Adão não disse: A mulher me seduziu, mas: “A mulher me deu, e eu comi”. Não é o mesmo ser enganado por uma companheira, uma parente ou por um animal, um servo, submisso ao homem, o que constitui verdadeira sedução. Em comparação, portanto, com a mulher afirma-se que ele não foi seduzido, porque ela fora enganada por um súdito e subordinado e ele por uma mulher livre. Ainda relativamente a Adão não foi dito: “Viu que a árvore era boa ao apetite” (Gn 3,6), mas a respeito da mulher diz-se que comeu e deu ao marido. Por conseguinte, ele não prevaricou, vencido pela concupiscência, mas simplesmente obedeceu à mulher."

Em outras palavras, o Pecado Original entrou no mundo porque Eva liderou Adão.

Santo Tomás, na Suma Teológica, acrescenta que, em regra, mulheres não possuem sabedoria eminente para ensinar em público:

Dois usos pode ter a palavra. – Um privado, quando falamos familiarmente a um ou a poucos. E, então, as mulheres podem receber a graça da palavra. – Outro público, quando a palavra é dirigida a toda a Igreja. E isto não é permitido à mulher.

Primeiro e principalmente, pela condição do seu sexo, que a torna sujeita ao homem, como se lê na Escritura. Ora, ensinar e persuadir publicamente, na Igreja, não pertence aos súditos, mas aos superiores. Contudo, mais que a mulher, os homens dependentes de um superior o podem por delegação; porque a sujeição deles ao superior não se funda naturalmente no sexo, como se dá com as mulheres, mas nalgum acidente sobreveniente. – Segundo, para que não se desperte a concupiscência do homem, pois, diz a Escritura: A sua conversação se ateia como fogo. – Terceiro, porque geralmente as mulheres não têm sabedoria perfeita a ponto de convenientemente se lhes poder cometer o ensino em público. (S. Th. II-IIae, q. 177, a. 2, sol.)

Os ouvidos modernos nessas horas gritam de raiva, ódio e uma eventual leitora pode se indignar contra os Doutores da Igreja. Contudo, o que todos os Doutores querem simplesmente dizer é que a mulher possui uma inteligência mais emocional e por isso a arte da persuasão pública não lhes convém ou, em regra, induzirá as pessoas a muitos erros. Ter uma inteligência mais emocional, no entanto, não é um defeito. Como afirma o Pe. Chad Ripperger no vídeo "Feminism and Natural Order":


"Na Queda, Satanás foi atrás de Eva, porque as mulheres estão mais ordenadas à vida emocional. Isso não é uma desordem em si. [...] O que isso significa é que mulheres estão mais ordenadas às emoções, porque é necessário que elas sejam capazes de focar nos filhos, a fim de direcionar o desenvolvimento emocional e psicológico deles. Por exemplo, se um homem ficou responsável pelos filhos o tempo todo e um deles cai no chão, o homem, por causa da sua condição masculina de lidar com coisas difíceis, simplesmente vai ignorá-lo, para continuar a perseguir o que é certo. Quando ele vê a criança caída e arranhada, a maioria dos homens percebe intelectualmente que ela está bem, [...] mas não tem empatia. [...] Quando as crianças são mais novas, elas realmente têm necessidade da empatia da mãe que as faça reconhecer que isso que aconteceu foi uma coisa triste, mas, ao mesmo tempo, que as direcione para o fim certo." (7'10")

A inteligência emocional das mulheres, portanto, é um bem querido por Deus para o bom exercício da maternidade. Por outro lado, tendo em vista que as emoções afetam o julgamento racional, é melhor que a mulher seja conduzida pelos homem ao invés de o conduzir. Por isso Deus também deseja que os homens assumam a responsabilidade pela liderança dos seus lares e da Igreja.

Pe. Chad Ripperger continua e afirma, assim como todos os Doutores da Igreja, que o pecado de Eva foi de tentar controlar Adão e sair da ordem natural estabelecida por Deus:

"Porque Eva rompeu sua submissão a Adão, ela agora e até o fim dos tempos teria essa desordem do pecado original de tentar se afastar de sua autoridade e até se ressentiria com ela. Essa desordem é o que o movimento feminista trabalha." (9'38")

Sendo assim, concluímos que o Instagram é uma péssima ferramenta para a mulher cultivar a virtude da docilidade, pois a todo instante ela precisa sustentar e ostentar uma posição de autoridade. No Instagram, as mulheres são incentivadas a serem líderes, o que é péssimo para a índole feminina.

Por isso tem aumentado a frequência de moças tradicionais que, à medida que usam o Instagram, vão se tornando progressivamente mais liberais e feministas.

3) Insubmissão. Por fim, o Instagram possibilita a mulher buscar várias "autoridades" sobre sua vida que não são a do seu marido e do seu diretor espiritual. Não é incomum, portanto, que o marido se surpreenda com mudanças repentinas de opiniões e pensamentos da mulher que utiliza Instagram, já que ele precisa disputar sua autoridade com outras mulheres ou com outros homens. A falta de controle no uso Instagram pode gerar casamentos profundamente infelizes. Esta é, sem dúvidas, uma das principais razões do crescimento do feminismo católico. A mulher tem buscado em outros homens e mulheres aquilo que deveria buscar no seu marido.

Remédios

A melhor medicina para esta situação é simplesmente não ter Instagram. A rede social traz mais malefícios do que benefícios. Contudo, se isso não for possível, é recomendável que a mulher siga somente alguns poucos perfis, tenha horários para acessar a plataforma e nunca siga pessoas que contrariam o entendimento do marido, caso tenha, e do sacerdote que guia a família.

É necessário, ademais, que o marido ajude a esposa a regular o uso do Instagram, conhecendo os perfis seguidos, recomendando ou desaconselhando um ou outro, não permitindo jamais que a mulher comece a virar uma espécie de coach ou diretora espiritual dos seus seguidores.

sábado, 14 de setembro de 2024

Paul Fahey, feministo do "Where Peter Is", fala groselha sobre Efésios 5

 

Recentemente, o colunista Paul Fahey do site católico progressista "Where Peter Is" publicou o artigo "What the Church no longer teaches about Ephesians 5" (O que a Igreja não ensina mais sobre Efésios 5). No corpo do artigo, Paul busca argumentar que a Igreja abandonou ensino da liderança do marido sobre a esposa. Para tanto, baseia-se em alguns fundamentos:

1. O silêncio recente da Igreja a respeito da liderança do marido;

2. A ênfase na ideia de submissão mútua;

3. A recente ponderação do Papa Francisco da necessidade de interpretação de certas passagens do Novo Testamento a respeito das mulheres.

Tratemos desses pontos um por um.

Quanto ao suposto silêncio da Igreja acerca da liderança do marido

Fahey argumenta que o "Magistério vivo" da Igreja, desde o Concílio Vaticano II, não têm usado a linguagem da "liderança" nos seus documentos magisteriais:
"Com isso em mente, é importante declarar que nem o Catecismo, nem qualquer outro documento de ensino pós-Vaticano II sobre o casamento usa a linguagem de “liderança”. Em sua Carta Apostólica sobre a dignidade das mulheres , São João Paulo II interpreta a linha de liderança de Efésios 5 como significando submissão mútua. Ele escreveu: “o marido é chamado de 'cabeça' da esposa como Cristo é a cabeça da Igreja”, mas “no relacionamento entre Cristo e a Igreja a sujeição é somente por parte da Igreja, no relacionamento entre marido e mulher a 'submissão' não é unilateral, mas mútua” (MD 24)."

Contudo, como demonstramos no artigo "O que significa a submissão mútua de São João Paulo II?" é falso que a Igreja após o Concílio jamais tenha usado a linguagem da liderança para se referir ao marido. Na Encíclica "Laborem Exercens", São João Paulo II chama literalmente o homem de "chefe de família":

"Uma justa remuneração do trabalho das pessoas adultas, que tenham responsabilidades de família, é aquela que for suficiente para fundar e manter dignamente uma família e para assegurar o seu futuro. Tal remuneração poderá efetuar-se ou por meio do chamado salário familiar, isto é, um salário único atribuído ao chefe de família pelo seu trabalho, e que seja suficiente para as necessidades da sua família, sem que a sua esposa seja obrigada a assumir um trabalho retribuído fora do lar." (n. 19)

Portanto, se São João Paulo II, autor da expressão "submissão mútua", é o mesmo Papa que ensina que o homem é "chefe de família", então não é lícito pensar que a Igreja, pelo fato de ter diminuído a ênfase no ensinamento da liderança do marido, tenha descartado essa doutrina.

Na verdade, a Igreja, de tempos em tempos, enfatiza certas doutrinas por razões pastorais e isso é absolutamente normal. Podemos concordar ou discordar se a estratégia está sendo eficaz ou não, mas a simples mudança ênfase não pode nos autorizar a simplesmente descrer na doutrina "negligenciada", se a Igreja expressamente não "descreu".

Ademais, Fahey ignora que o Magistério já estabeleceu que a estrutura hieráquica da família não é mutável.

Nesse sentido, Pio IX na Encíclica "Arcanum Divinae Sapientiae":

"Os deveres de ambos os cônjuges foram plenamente definidos e os seus direitos perfeitamente estabelecidos."

Pio XI em "Casti Conubii":

"O grau e o modo desta sujeição da mulher ao marido pode variar segundo a variedade das pessoas, dos lugares a dos tempos; e até, se o homem menosprezar o seu dever, compete à mulher supri-lo na direção da família. Mas em nenhum tempo e lugar é lícito subverter ou prejudicar a estrutura essencial da própria família e a sua lei firmemente estabelecida por Deus.

No livro "Casamento e Família", publicado pela Castela Editoral, encontramos as seguintes alocuções de Pio XII:

“Toda família é uma sociedade; toda sociedade bem ordenada exige um chefe, e todo poder de comandar vem de Deus. Por isso, a família que fundastes também tem um chefe a quem Deus conferiu autoridade sobre aquela que se doou a ele como companheira, e sobre as crianças que, com a benção de Deus, virão aumentar e alegrar a família.”

“Ó esposas e mães cristãs, não cedais nunca à tentação de usurpar o centro familiar! O vosso cetro amoroso deve ser o cetro que o Apóstolo das nações põe nas vossas mãos: a salvação pela maternidade.” 

“O conceito cristão do matrimônio, que São Paulo ensinava a seus discípulos de Éfeso e Corinto, é claríssimo: “As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja.”. [...] Não provém essa doutrina e esse ensinamento de Cristo?”

Disto vemos que (i) a Igreja pré-conciliar ensina que a estrutura hierárquica da família não é apenas um condicionamento cultural, como Fahey quer nos fazer crer, mas uma realidade imutável; e que (ii) a Igreja pós-conciliar continua ensinando que o homem é verdadeiro chefe da família. Simplesmente não há espaço para jogar a carta do "Magistério vivo" para legitimar heresias feministas.

Quanto à ênfase na ideia de submissão mútua

Fahey adverte o "fato novo" da Igreja, a partir da encíclica "Mulieres Dignitatem", estar enfatizando mais a doutrina da "submissão mútua" dos esposos.

Bom, nos perguntemos então: Isto quer dizer alguma coisa? Se sim, isto quer dizer alguma coisa nova?

Fahey simplesmente não fala no que consistiria de "novo" aqui. Apenas deixa no ar e na insinuação como todo progressista com prurido de novidades gosta de fazer. Insinua que a "Igreja está mudando", que a "doutrina está sendo aos poucos alterada", mas não diz porque nem como.

No entanto, conforme explicamos no artigo "O que é submissão mútua de São João Paulo II?", a submissão mútua dos esposos nada mais é, em termos tradicionais, do que a reciprocidade de deveres do casal.

A razão dessa ênfase é assim explicada pelo escritor católico Germain Grisez:

“Até recentemente, o ensino papal enfatizava o dever de obediência da esposa; mas João Paulo II centra-se na submissão mútua dos cônjuges. As expressões retóricas dos ensinamentos papais anteriores e atuais refletem, é claro, contextos sociais muito diferentes; mas as proposições ensinadas devem ser consideradas, não como inconsistentes, mas como diferentes elementos de verdade, a serem integrados numa visão única e coerente.

Não se deve supor que João Paulo II rejeite a tradição. Dado que os papas, assistidos pelo Espírito Santo, tentam articular a mesma fé, na ausência de provas convincentes, não se deve pensar que os novos ensinamentos contradizem os antigos. Assim, se possível, os diferentes ensinamentos papais devem ser entendidos como compatíveis, e uma leitura cuidadosa mostra que podem ser.” (The Way of the Lord Jesus, vol. 2)

Ele continua:
"Não se pode ler nos ensinamentos de João Paulo II a negação do dever da esposa de obedecer ao marido sem supor que ele esteja dizendo que as esposas não precisam estar sujeitas aos seus maridos. Contudo, o Papa não diz isto, mesmo quando compara a dominação masculina à escravatura. Em vez disso, enfatizando que um marido deve amar a sua esposa de uma forma abnegada, ele afirma que a sujeição deve ser mútua. A implicação não declarada é que, embora a esposa não precise submeter-se à dominação egoísta do marido, ela permanece sujeita à autoridade corretamente exercida por ele."

E depois conclui:

"Grande parte da nova ênfase no ensinamento de João Paulo II pode ser explicada por sua preocupação em reivindicar a dignidade das mulheres contra a dominação masculina. Quando um homem domina sua esposa, o abuso do seu papel perturba a harmonia entre dois aspectos essenciais do casamento: (i) comunhão de duas pessoas iguais em dignidade e direitos, e (ii) colaboração de duas pessoas com capacidades e funções corporais complementares. Quando o casal se sujeita um ao outro por reverência a Cristo, esses dois aspectos são inteiramente harmoniosos."

Como observamos, Grisez explica que a nova ênfase do ensinamento de São Paulo II se dá em razão da atual pastoral da Igreja de ressaltar a dignidade das mulheres contra o abuso de poder masculino. Em outras palavras, a ênfase dada à submissão mútua é simplesmente em razão do novo contexto social, e não por motivo de mudança doutrinária da Igreja.

Já indicamos neste blog que a Igreja nunca considerou a autoridade do marido sobre a esposa, em si mesma, como um abuso de poder.

A ausência de mudança doutrinária fica ainda mais evidente com as declarações do Diretório Homilético Discatério para o Culto Divino, que esclarece que a "submissão mútua" nada mais é do que as mútuas responsabilidades dos esposos. A esposa continua devendo obedecer ao marido. "Em troca" o marido deve dar a vida pela sua eposa:

"A instrução do Apóstolo de que as esposas devem ser subordinadas aos seus maridos pode ser perturbadora para as pessoas de nossos dias; se o homilista não planeja falar sobre essa diretriz, pode ser mais prudente usar a versão mais curta da leitura. No entanto, as passagens difíceis das Escrituras geralmente têm mais a nos ensinar, e essa leitura fornece uma oportunidade para o homilista abordar um tema que pode ser desagradável aos ouvidos modernos, mas que de fato faz um ponto valioso e necessário quando devidamente compreendido. Podemos obter uma visão do significado deste texto consultando um semelhante, Efésios 5:21-6:4. Lá também Paulo está falando sobre as responsabilidades mútuas da vida familiar. A frase-chave é esta: "Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo" ( Ef 5:21). A originalidade do ensinamento do Apóstolo não é que as esposas devem ser submissas aos seus maridos; que era simplesmente presumido na cultura de sua época. O que é novo, e distintamente cristão, é, primeiro, que tal submissão deve ser mútua: se a esposa deve obedecer ao marido, o marido, por sua vez, deve, como Cristo, dar a própria vida por sua esposa. "

Fahey ao falar de "submissão mútua" grita e espera por novidades revolucionárias, mas, para sua infelicidade, o que nos aparece é apenas o frescor da doutrina de sempre.

Quanto à recente ponderação do Papa Francisco sobre certas passagens do Novo Testamento a respeito das mulheres

Fahey, por fim, refere-se à resposta às dúbia feita Papa Francisco, em 2023, para insinuar que as passagens das Escrituras sobre a liderança do marido estão sob "revisão" do "Magistério Vivo" da Igreja, que hoje silencia sobre o tema. Vejamos a resposta dada pelo Papa:

“Embora seja verdade que a Revelação Divina é imutável e sempre vinculativa, a Igreja deve ser humilde e reconhecer que ela nunca esgota sua riqueza insondável e precisa crescer em sua compreensão. Consequentemente, ela também amadurece em sua compreensão do que ela mesma afirmou em seu Magistério. Mudanças culturais e novos desafios na história não modificam a Revelação, mas podem nos estimular a expressar melhor certos aspectos de sua riqueza transbordante, que sempre oferece mais. É inevitável que isso possa levar a uma melhor expressão de algumas declarações passadas do Magistério e, de fato, esse tem sido o caso ao longo da história.

Por um lado, é verdade que o Magistério não é superior à Palavra de Deus, mas também é verdade que tanto os textos da Escritura quanto os testemunhos da Tradição requerem interpretação para distinguir sua substância perene do condicionamento cultural. Isso é evidente, por exemplo, em textos bíblicos (como Êxodo 21:20-21) e em algumas intervenções magisteriais que toleraram a escravidão (Cf. Papa Nicolau V, Bula  Dum diversas , 1452). Esta não é uma questão menor, dada sua conexão íntima com a verdade perene da dignidade inalienável da pessoa humana. Esses textos precisam de interpretação. O mesmo se aplica a certas considerações no Novo Testamento sobre as mulheres (1 Coríntios 11:3-10; 1 Timóteo 2:11-14) e outros textos da Escritura e testemunhos da Tradição que não podem ser materialmente repetidos hoje” (resposta de 2023 a  Dubia).

O que de cara reparamos é que o trecho não menciona Efésios 5 e que o Papa Francisco não diz que esta passagem não pode ser repetida materialmente hoje. Se o fizesse, entraria em contradição com o Diretório Homilético, que ele mesmo aprovou, no qual se afirma que Efésios 5 pode ser repetido nas pregações.

O Papa também não diz que as passagens de 1 Coríntios 11:3-10 e 1 Timóteo 2:11-14 não podem ser mais ensinadas atualmente, mas apenas pondera que não podem ser repetidas materialmente, isto é, sem a devida contextualização e interpretação:

Por um lado, é verdade que o Magistério não é superior à Palavra de Deus, mas também é verdade que tanto os textos da Escritura quanto os testemunhos da Tradição requerem interpretação para distinguir sua substância perene do condicionamento cultural. [...] Esta não é uma questão menor, dada sua conexão íntima com a verdade perene da dignidade inalienável da pessoa humana. Esses textos precisam de interpretação.

Com efeito, ou tais trechos precisam ser contextualizados para distinguir o dogma da Igreja daquilo que é temporal, cultural ou disciplinar ou precisam ser interpretados para demonstrar a compatibilidade da posição da Igreja em alguns momentos históricos com a dignidade do ser humano. 

1 Coríntios 11,3-10 fala basicamente do uso do véu, ou seja, uma questão cultural dos povos e disciplinar da Igreja. Cabe, portanto, a distinção do que é dogma e do que não é.

Já 1 Timóteo 2,11-14 ensina que não cabe à mulher ensinar. Para os ouvidos modernos, o texto é verdadeiramente aterrador, dado que, hoje, há tantas mulheres em posição de ensino. Contudo, a essência do texto revela duas coisas:

(i) que não cabe às mulheres, no contexto do casamento, a posição de ensinar como se fossem guias dos seus maridos;

(ii) que as mulheres devem ser modestas no falar, pois a loquacidade feminina tende a lhe induzir a muitos erros. As mulheres possuem uma inteligência mais emocional que a dos homens. Por isto, ensina o Apóstolo, devem se preocupar mais em aprender do que falar. São Paulo ensina que quando a loquacidade feminina foi protagonista, ou seja, quando a mulher quis domar o homem pelo ensino, a humanidade caiu no pecado original. O mesmo é dito por  Pio XII quando explicou em 1949 a razão do homem ser o chefe do gênero humano. Ensina o Papa que o homem não se deixou enganar pela serpente e nem pela mulher, mas pecou em razão da sedução de Eva:

“Sim, a autoridade do chefe de família vem de Deus, assim como veio de Deus para Adão a dignidade e a autoridade de primeiro chefe do gênero humano, dotado de dons que transmitiria à sua posteridade. Por isso, Adão foi criado primeiro, e Eva depois. E, como diz São Paulo, Adão não foi enganado, mas foi a mulher que se deixou seduzir e transgrediu.” (Alocução aos recém-casados, de 10 de setembro de 1949:)

O homem é mais difícil de enganar por ter uma razão mais objetiva do que a da mulher. Por isso a liderança naturalmente lhe convém mais.

Essas lições são muito preciosas e explicam muito a razão de muitas moças católicas, na medida que usam, por exemplo, o Instagram, para serem "autoridades", ficarem mais progressistas e, quase sempre, caírem no malfadado feminismo. Mulheres tendem a se perder quando concorrem com os homens por liderança. 

Por isso ressalta São Paulo que a salvação da mulher vem pela maternidade. É na esfera da educação dos filhos (não do marido) que sua contribuição de ensino é valiosa. Em regra geral, se a mulher tentar dominar seu marido, o resultado será a ruína da família.

Quem nunca reparou que nos primeiros anos escolares a maioria dos professores são mulheres, mas, quando começa o Ensino Médio, a maioria já é de homens? Não é esta uma forma de ilustrar que a esfera adequada do ensino da mulher é junto dos filhos? Não ilustra a inadequação de uma mulher ficar guiando homens adultos?

A passagem de Timóteo, portanto, precisa ser explicada. Ela não quer dizer que a mulher nunca pode ensinar, e sim que devem ensinar na sua esfera adequada.

Vemos que Fahey erra em todas as ponderações que faz. Mas por que esse sujeito erra tanto? Primeiro, por não ter fidelidade real ao Magistério. É um continuísta cooptado por progressistas, o que facilmente se degenera em modernismo. Se o Magistério enfatiza certas doutrinas e não outras em certo período histórico, a cabeça dele já pensa em termos de "mudança doutrinal", "evolução do dogma", e não em uma eventual pastoralidade adotada pela Igreja para uma determinada circunstância. Segundo, por culpa dos pastores. A expressão "submissão mútua", de fato, não é muito bem explicada pelos pastores. Este blog precisou fazer uma acurada investigação para esclarecer o significado da expressão. Inserir expressões não tradicionais na Teologia é perigoso. Deixar ao vento expressões que, aparentemente, contradizem o Magistério anterior sem dar muita explicação, é abrir terreno para o Inimigo das almas e para os mestres do erro.

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